Você entende o que é ser humano?

Cheguei ao momento de desistir. Desistir do que eu acredito, do que eu penso, do que eu sonho. Não dá mais! Eu não aguento mais tanta hipocrisia todo dia e eu não sei como frear o mundo.

Eu me sinto impotente diante de tudo o que acontece, diante de tanta cegueira espalhada em milhões de pessoas que parecem só ver o que lhes convém.

E eu preciso parar o mundo inteiro. Sinto o mundo inteiro nas minhas costas. Pesa. Dói.

Eu rezo e sonho e prezo pelo sentimento de justiça, que parece que se perdeu, se confundiu, já era… Onde está o sentimento de justiça?

Todos os dias vejo pessoas cobrando de um país falido. Um país falido de respeito, de esperança, de moralidade. Todos os dias eu vejo pessoas bradando interesses, praticando justiça seletiva, sendo massa de manobra da mídia, do dinheiro e do poder.

Eu queria tanto que todos fossem pelo todos. Que o sentir fosse honesto, que a corrupção estivesse só n’alguns deputados cassados presos em suas celas, petistas, psdbistas, todos os corruptos. E quem pode julgar? Também não sei.

Eu queria que as pessoas fossem além do mesmo, do comum, do que está e é ruim, do que tem tudo pra ser melhor e precisa de chance. Eu disse: chance! Não dinheiro.

Mas aqui cada dia a mais é um a menos de publicidades, marketings esdrúxulos e dinheiro. Dinheiro move mais o mundo do que o sentir, sentir alguém que precisa de ajuda e você não ter como ajudar. Dinheiro é mais importante que a mãe que trabalha duro pra levar a comida, que falta de vez quando. FALTA!

Comida FALTA!

Do alto de seus banquetes que virarão lixo e saciarão a fome mínima de quem não come por causa da dieta. Do lado da carteira que mistura cores de cartões de alguém que não paga porque não precisa. De cima do muro da casa alta, que esconde quartos que nunca serão usados.

A comida falta!

A conta cobra!

O teto desaba!

Onde está a humanidade, quando uma pessoa passa fome debaixo de uma ponte qualquer?

Onde está a esperança, quando chove e a água leva embora o pouco que muito valia?

Onde está a justiça, no lar de quem precisa e quer estudos, livros, canetas e papeis para o mínimo que é conhecer e aprender?

Eu me sinto cansada de ser um pouco da parte de um todo que não liga se o menino de 5 anos faz malabares no sinal. É só dar um troco. Troco pouco. Dever social cumprido.

Eu me sinto derrotada diante da impunidade de Cunhas, Felicianos, Aécios, Serras, Alckmins e uma corja de gente imunda, nojenta, sem um pingo do sentimento do que é SER HUMANO.

Como pode, meu deus?

Desejar e ter na hora.

Precisar e esperar uma vida até a morte?

A desigualdade me dói todos os dias e eu queria mexer tampinhas e tornar todo o mundo igual, diverso e igual.

Sem preconceitos, fome, guerra, conflitos. O que a gente tem dá pra todos não é? Quem o outro é, não importa, quando prevalece amor. E o amor jamais deveria ser visto como algo errado ou inoportuno, como uma vergonha ou um sentimento a ser escondido.

No fundo, bem no fundo é bem difícil entender a luta de classes, quando a nossa é privilegiada. Onde está a meritocracia na vida de dá duro e não consegue chegar no fim do mês sem passar fome? Onde está a meritocracia na vida de quem estuda e não consegue passar porque não teve acesso, oportunidade? Onde está a meritocracia?

Muita gente ainda adora o poder… Poder chegar numa festa e rir de quem não pode pagar VIP, rir de quem não viaja de primeira classe, de quem repete roupa, de quem usa o mesmo sapato. A classe que está preocupada em questionar a vida alheia, enquanto a outra chora, luta, deseja um país humano, o oposto desta sociedade opressora e excludente. Não há motivos para se preocupar com o outro, quando o que importa realmente é o poder.

No fundo, a gente sabe que pouca gente está preocupada com a construção de um Brasil melhor. A luta ,infelizmente, é por outra coisa, não por um país mais justo.

Camila

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Nessas eleições, precisamos mudar as regras do jogo

É preciso e urgente mudar o jeito de fazer política no Brasil. A situação do país clama por uma política justa e de qualidade. Mas como podemos mudar as regras desse jogo de interesses que se tornou a política nacional?

É tão simples e ao mesmo tão difícil. Porque crescemos acreditando que “não devemos nos envolver com isso”, ou que “a política está mesmo podre e não há nada a se fazer para mudar…”. A gente cresceu acreditando que político bonzinho é o que “rouba, mas faz”. Porque somos chocados todos os dias, com inúmeros casos de corrupção e desvios explícitos de dinheiro público, que compensa mais, aceitar aquele político que está há anos e anos roubando os cofres públicos, porque afinal, ele fez isso discretamente e construiu umas obraszinhas que justificam qualquer ato ilícito que ele tenha cometido.

Acontece que não dá mais pra continuar assim. E em cada período eleitoral que se aproxima, nós vivenciamos o sentimento de querer um país mais justo, mais humano e principalmente, com igualdade e honestidade.

Ainda tem muita gente que critica e reivindica em nome da moral e da ética no espaço político, tirando aqueles que conhecem o problema, mas de alguma forma estão envolvidos nessa máfia que se tornou a política brasileira e infelizmente estão presos, seja por posição ou pela necessidade de se manter num cargo ou algo assim. Se suprime a culpa? Até onde você vive sem se envolver ou se posicionar para se manter num cargo? Você tem medo de ser justo?

Nós temos por necessidade, o dever de lutar por políticas públicas claras e acessíveis.  Temos o dever e as ferramentas necessárias para investigar muitos dos serviços que são especificamente, destinados a toda a população, e merecemos esclarecimento de TUDO o que é feito com o dinheiro que é nosso. Depende de nós o direito e dever na participação das reformas urgentes das quais o país precisa pra crescer. A mudança acontece aqui embaixo, nas eleições municipais, que determinam o futuro da nossa cidade e desencadeiam nas obras sociais e morais que poderão crescer pelo Brasil a fora. Criticar é importante, mas agir também é. Ligar as opiniões e ideias e torna-las práticas é o que se espera para que seja cumprido tudo aquilo que aprendemos sobre cidadania .

Estamos com a ferramenta nas mãos e essa é a hora de acreditar.  Acreditar que tem muita gente boa por aí, tem muita gente limpa e honesta, íntegra e capaz, cheia de vontade de construir um Brasil melhor. Tem tanta gente boa por aí… Melhor, tem MUITA gente boa em todo lugar querendo fazer muitas coisas boas pra todo mundo!!!!!! E agora é hora de nos apegarmos nessas pessoas boas, nessas em que a gente olha as referências e já sabe que é de bem. A gente tem que acreditar nelas e fazer com que as pessoas que nos acompanham, acreditem também. Tem muitos candidatos nessas eleições que estão dispostos a se doarem por uma política de qualidade e nós precisamos mais do que nunca, conhecer a história deles e a vontade deles de construir uma cidade melhor pra gente.

Nem todo político é desumano. Nem todo político é corrupto. E se duvidarmos dessas afirmações, basta que pesquisemos um pouco sobre a vida daqueles em quem estamos pensando em depositar a confiança do voto. A internet é um meio, um grande meio de tirar as dúvidas e é esse um passso para que possamos mudar as regras desse jogo.

Falamos tanto em reforma política, mas continuamos elegendo as mesmas caras que estão há anos se beneficiando das regalias que os cargos públicos podem dar. Discutimos tanto e nos posicionamos sempre, mas acabamos caindo no conto do vigário, da cesta básica ou do dinheiro fácil em troca de voto, “porque isso nem é compra ilegal, foi só uma a j u d i n h a”.

No fundo a gente sabe onde podemos chegar, a gente sempre sabe as decisões certas que devem ser tomadas, e aceitar receber um dinheiro que vem fácil é assumir a culpa quando este mesmo dinheiro faltar na saúde, na educação, na cultura e no acesso a informação de qualidade.

Mudar as regras do jogo é possibilitar a reforma política. É exercer a prática do voto com respeito ao país e com a certeza de que estamos participando desta construção de forma digna e honesta. Porque se começa errado, sujo e ilegal, não termina bem. Mas se o processo se inicia de forma digna, podemos esperar muitas coisas boas como fruto da integridade e justiça. Pequenas ações mudam o mundo. E melhor: O seu voto, pode mudar o mundo!

Vamos juntos mudar as regras do jogo?

Vote limpo, vote consciente!

Camila

É complicado porque a gente sempre vai, mas volta

Hoje eu percebi que em todas as vezes que a gente conversa, a gente sempre inicia o papo numa boa, ri, compartilha a vida e no final da conversa sempre acaba puto ou estressado por algo que alguém disse. Aí o papo morre e nunca mais ninguém se fala.

Acho que é saudável manter um diálogo contigo, porque tivemos uma coisa forte, porém essa coisa acabou não dando certo e a gente se separou. Mas na realidade, não houve um dano, um mal real pra vida de ninguém, só desentendimentos que nos impediram de continuar. Fim. Aliás, a gente se odeia por expressão, por sentimento é impossível.

Mas o que é mais foda, é que hoje, enquanto pensava nisso, percebi que, o nosso relacionamento, era assim, sempre foi. No início eram sempre flores, a gente se planejava pra manter uma boa relação, sem brigas, sem culpas, com aquele contrato de falar sempre o que estava incomodando para manter tudo sempre bem resolvido. Pura ilusão. Pois tudo acabava dando errado e a gente terminava e depois de um tempo voltava, porque no início eram só flores, sem brigas, nem culpas, mas depois tudo dava errado e a gente terminava e depois voltava porque no início eram só flores, sem brigas, nem culpas e depois tudo acabava dando errado e então a gente terminava e depois voltava…

O pior é que isso acontece com as nossas conversas também, elas seguem esse ciclo vicioso do ir e voltar, de sempre iniciar conversas com um sentimento e sair delas com outro, ruim, bem ruim. A gente sempre se fala por conta de um denominador comum, um encontro, uma história, algo que nos fez lembrar. A gente se partilha, revela segredos, conta da vida, mas depois se perde entre uma má interpretação. Tudo desanda e a gente fica sem se falar.

Um tempo depois, a gente volta a conversar, por algum motivo besta. E ri, fala da vida, relembra coisas, mas depois se desentende. Perde o contato por dias, meses, anos, pra um dia voltar a uma nova conversa, que parece que nunca foi rompida e que tem uma afinidade indescritível.

Que looping eterno, esse. Porque será que existe esse eterno estica e puxa entre a gente? Esse ciclo sem fim, mesmo que haja um ponto final em tudo o que a gente teve? Mesmo não existindo mais envolvimento, mesmo que os nossos sentimentos sejam diferentes e talvez estranhos. Mas, sentimentos que não representam mais aquela relação que acabou.

Será que a gente vai entender um dia? E vai terminar uma conversa sem desentendimentos e chateações ou desabafos íntimos de: “não quero falar com você”?

Eu acredito no dia em que estaremos realmente de fora. Vamos olhar pra tudo isso, dando gargalhadas ao nos encontrarmos numa feira de livros qualquer. Você virá até a minha mesa me pedir que registre o meu autógrafo, e vai ficar ali, falando da vida, dos filhos e da nova educação alimentar que você criou pra eles, porque “não se pode deixar essas crianças com essas comidas do mundo moderno, cheia de corantes e coisas ruins”. Você não irá se irritar, eu não irei me irritar. Nem que se fale um ou dois palavrões, ou que eu não entenda sua piada e insista para que me explique rapidinho porque eu quero rir também.

Será que vamos conseguir nos desprender dessa cadeia, de achar que estamos ligados por algum tipo de conexão sobre-humana, que nos mantém, nessa órbita que transcende ao que vivemos em nossas vidas, casas e obrigações?

Eu não sei.

Mas torço para que a gente se livre das referências que criamos. Que nos mantém nessa eterna briga de egos, joguinhos e sentimentos. Que nos prende e puxa e estica e que faz a gente viver como num torneio de ping-pong, onde ninguém quer perder a bola e só quer ganhar a partida.

Camila

O que você diria se pudesse falar o que sente?

Não vou ficar me tolindo e deixando de fazer o que eu quero, ou falar o que quero, com quem eu quero, por causa de regras e convenções sociais. A vida é muito mais que todas essas etiquetas ultrapassadas que inventaram para nos afastar.

A gente se priva e coloca obstáculos por quê tem medo. Medo do envolvimento, medo da dúvida, medo do amor. E se esconde por detrás dessas desculpas, escudos, saídas para não se envolver. A gente se afasta por conveniência, a gente se larga por distração.

Eu não quero isso, não nasci pra isso. Eu quero a liberdade para ir onde quiser, ser pássaro de mim, decidir o que quero fazer e com quem fazer, do meu jeito. Quero viver sem dar explicações, sem ter medo de um dar bom dia logo após a noite de sexo,ou de dizer que aquela música me lembra alguém. Sem culpa, sem julgamentos. Porque talvez eu seja mais coração, do que mente.

É tão fácil falar, mas é tão raro falar. O mundo inteiro precisa de coragens. As pessoas ainda precisam quebrar as barreiras que as impedem de ser feliz. Se ligar te faz feliz, ligue! Se chorar te liberta, chore! Se o sexo é sua vontade, faça! Se sente um carinho por alguém, diga!

Se o outro não se importar com isso, o problema é de responsabilidade dele. Talvez até, nem seja um problema, pois pessoas podem e devem ser livres, pra sentir afeto ou pra não sentir nada. O importante é que a sua parte você fez: Não se privou de fazer algo que queria por medo.

Crescemos com a ideia de que quem sente mais é um perdedor e quem não demonstra nada, é racional, maduro, é forte. Só que todo mundo sente, nem que seja raiva ou rancor, todo mundo tem um pouco de desequilíbrio emocional. Escancarado, ou contido.

Afinal, quem ganha? Quem perde?

Eu não quero usar essa estabilidade sentimental para viver. Mais do que apenas sobreviver, quero adaptar-me ao mundo do meu modo, e viver bem com o fato de ser quem eu sou. Ousar. Sentir. Falar. Porque se a gente para pra pensar: Sentir é lindo! Mas falar o que sente, é libertador.

Nós somos todos janelas, cada um de nós ocupando espaço nas paredes estagnadas do tempo. Cabe a liberdade. Se não pudermos sair, que pelo menos a gente saiba se abrir pro mundo. Porque a gente tem medo, pela incapacidade de lidar com as frustrações, porque no mundo de tecnologias em que a gente vive, acabamos por nos preocupar apenas com o modo em que somos vistos, curtidos, comentados, julgados. Somos janelas trancadas por cadeados enormes.

De medos. Medos. Medos.

E acaba que realmente, a gente não se interessa em abrir uma janela e ficar nela pra ver o pôr do sol, a gente quer abrir todas elas e escolher onde a vista é mais bonita e ainda assim quando escolhe, tem medo de ficar nela e acabar se molhando, com uma chuva que nem se sabe se vem. E acaba que se fecha, se fecha em si mesmo.

Não quero viver um equilíbrio entre o que sou e o que o mundo espera de mim. Quero a homeostase, as doses desiguais de liberdade e opinião, medidas de afeto e sinceridade, porções de impulso e privação.

A vida é urgente e o que passa se perde no buraco negro das coisas que queríamos fazer e deixamos pra lá. O tempo é emergente e as nossas prioridades são aquelas que por algum motivo, fincaram melhor, no nosso universo da julgolândia.

Equilíbrio dinâmico, é a palavra. Tudo que é metade cheio e metade vazio, não se adapta quando existe uma falta. E nós vivemos de faltas, todos os dias mais uma. Somos um perfeito caos.

Camila

Ao que resta

Eu já pintei uma parede.
Já passei um dia inteiro no salão de beleza. Já dormi de maquiagem.
Eu já cozinhei pra amigos, família e até pros meus cachorros.
Já viajei sozinha. Viajei com amigos. E já viajei com um namorado.
Eu já pintei a estante de livros porque achei que precisava de uma corzinha.
Já lavei banheiro, cozinha, roupas e sapatos. Já fui dona-de-casa, princesa e dondoca.
Eu já jantei em restaurantes caros e já comi churrasquinho de gato na esquina da praça.
Eu já comi caviar e x-salada 4 por 10 reais.
Eu já comi arroz com feijão, farofa de ovo e já comi sushi.
Já viajei de primeira classe e já viajei na mala de um carro.
Eu já fiquei no prego e já dormi esperando consertarem uma estrada pra poder seguir viagem.
Eu já dancei em boates caras e já dancei pagodão com o povo suado e a cerveja quente. Por falar em cerveja, já bebi cerveja gourmet de todos os tipos. Mas nada melhor que aquele litrão gelada no bar da praça da saudade.
Eu já tomei vinhos finos e importados. Já bebi dom Bosco e Felina também.
Já usei roupas de grifes, roupas de 15 e até de 5 reais compradas em um brechó qualquer.
Já ganhei rosas vermelhas, flores em vaso e uma margarida de plástico. Rosas de plástico pra representar um amor de mentira e que nunca morre. Rosas naturais, de um amor real, que durou três dias.
Já tomei banho na chuva.
Já pulei de cachoeira.
Já fiz rapel e tirolesa.
Já fiquei em pânico dentro de um elevador.
Já tive crise em avião e já senti vertigem ao passar na passarela.
Eu já trai um namorado. Já beijei na boca de mais de dois um único dia.
Já transei apenas por prazer.
Eu já amei alguém.
Já fiz sexo com todo o meu amor.
Já senti orgasmos.
Já fui fiel por várias vezes.
Eu já andei de metrô vazio, ônibus lotado, no guidon da bicicleta, numa moto e sem capacete há 120 km/h..
Eu já fiquei bêbada.
Já fiquei muito bêbada.
E já me fingi de bêbada, mesmo só tendo bebido refrigerante.
Eu já fui traída.
Já fui manipulada e já passei por um relacionamento abusivo.
Eu já fui ciumenta, mandona e controladora.
Eu já visitei lares de acolhimento.
Já doei roupas que não me serviam mais e aquelas que serviam, mas eu nunca usava e que ficaram melhores no corpo de quem não tinha nada.
Já fiz caridade sem contar pra ninguém, já ajudei alguém sem postar no facebook.
Já chorei de saudade, de dor de ouvido, de arrependimento, de medo.
E já chorei sem motivo algum.
Já sai de casa.
Já cheguei da festa as 09h da manhã.
Eu já tive ressaca.
Já fumei cigarro.
Já bebi pra esquecer alguém.
Já falei mal das amigas.
Já cometi erros irreparáveis.
Eu já cantei evidências no karaokê.
Já fiz dueto com um cantor que gosto.
Já tive músicas feitas todas pra mim.
Já cai da escada.
Já esqueci uma poesia no meio de um recital. Já comi comida estragada.
Eu já perdi mil textos que escrevi.
Já ouvi uma música por uma única vez.
Já enjoei de centenas de coisas por repeti-las frequentemente e não conseguir me frear.
Já conheci meus cantores favoritos.
Já conheci as pessoas que me inspiram e já beijei um cara que admirava. Na boca.
Já viajei o mundo, já conversei sem entender direito, já misturei português com alemão, espanhol com francês, japonês com qualquer coisa que saiu da língua enrolada.
Eu já me afoguei várias vezes.
Já cai de bicicleta.
Já ralei o joelho e já tive cárie no dente.
Eu já emprestei coisas e não devolvi.
Já deixei pra lá o dinheiro que me deviam.
Já perdi livros que gostava muito.
Eu já passei no vestibular.
Eu fiquei em primeiro numa lista de espera onde não houve desistentes.
Já reprovei em matéria.
Já apresentei um trabalho sem ter lido nada e ganhei nota 10.
Eu já fui chamada de chata, de brava, de bruta, de idiota e de puta.
E Já fui chamada de linda, querida, amável e doce. Já fui pedida em namoro, em casamento e já terminaram comigo porque eu tinha me entregado demais.
Já fui largada,humilhada e esquecida.
Já fui cantada, aplaudida e comemorada.
Eu sou um ser humano como qualquer outro.
Já errei e acertei.
Já sorri e já chorei.
Já dancei, pulei, gritei e já me tranquei num quarto pra chorar por um dia inteiro.
Já tive depressão, já achei que ia morrer, já vivi alegrias que jamais achei que iria sentir. Vivi e vivo todos os minutos como se fossem os últimos, valorizo aquilo que posso e descarto aquilo que não me acrescenta. Erro de vez em sempre. Julgo demais. Amo demais. Me atrapalho demais.
Já menti.
Já magoei.
Já entendi.
Já animei.
Mas o mais importante, o que sempre me orgulha e que espero que jamais me falte, é o dom de acreditar que tudo pode melhorar, que toda dor passa e que o que parece ser difícil agora, vai ser aprendizado amanhã. Que não devo desistir dos meus sonhos e nunca correr em direção daquilo que a vida me reservar, levando sempre muito amor por qualquer lugar onde eu for.

Camila

Quero esquecer você, com todo o meu amor

Tem dias que eu me sinto bem feliz, assim, de graça. E aí sinto que preciso transbordar, doar uma simpatia que nem sempre está aqui, sorrir de canto por qualquer mensagem, falar umas bobagens com uns amigos…
Aí anoitece! Sou só eu e aquela música do Phill Veras que insiste: “traz o teu amor, me empresta o teu amor… lá, lá, lá” e aí não tem mensagem ou risada que esconda aquele segredo: Eu não estou bem!
Mas está tudo bem em não estar bem essa noite? Está tudo bem querer me retirar do mundo e me esconder na minha caixinha de memórias que doem?
Quero, desejo, recordo, sonho com alguém que você foi e nunca mais será. Aí eu me deito com você na cabeça, choro um pouco, um choro calado e que agoniza no peito. Tudo dói. A sua falta aperta o meu peito de um jeito que eu não suporto, de um jeito que me faz desistir… Mas o que acontece depois que você desiste daquele amor?
O que acontece?
Ele vira mágoa?
Ou simplesmente some?
Eu me apego e me abraço com a solidão e a falta que você faz aqui do meu lado. Eu me recolho e encosto as pernas de mansinho e choro cada vez mais alto, porque o seu amor é a dor que agoniza e não se cala. É o frio que queima e congela. É a faca que rompe com toda a fibra densa que eu construí em volta de você.
Eu gostava de você, como gostava de dançar. Seu cheiro e pele ficaram dentro de tudo aquilo que eu sou e mesmo fingindo ser qualquer coisa, era muito. Eu gostava de você, como gostava de sentar na sua varanda pra ver o pôr do sol e o cair da noite, naquela perfeita transição.
Mas a noite hoje não cai, desaba. E eu desabo sobre o que restou. Sobre o que restou de nós dois.
Eu sinto a sua falta como quem arranca um siso… E a dor… E a falta… E a dor! Eu sinto sua falta como quem disse que não iria e foi, como quem disse que não esqueceria e esqueceu, como quem disse que estaria pra sempre e hoje não liga mais. Como quem disse qualquer coisa que caiba dentro dessas metáforas.
Eu sinto a sua falta e o pouco que dói aqui é muito diante de tudo o que você levou. Tudo é falta e falta é penalidade pra time que estava ganhando.
E mesmo sem querer, a gente se acostuma com a falta e depois preenche que transborda, tornando tudo o que passou em uma espécie de remédio antidepressivo. Entende?
Quero esquecer você, com todo o meu amor. Que é tanto e é teu.

Camila

O meu quarto

Eu queria que tudo estivesse bem comigo, porque talvez estaria bem com as pessoas. Mas acontece que estou uma bagunça que não sei como arrumar. A vida inteira tá uma bagunça! E isso se reflete nas minhas relações, na minha angústia pessoal e principalmente no meu quarto. É incrível, toda vez que você entrar no meu quarto e perceber que ele está uma desordem, saiba: eu não estarei bem! Talvez esse seja o motivo real para eu odiar bagunça, porque ela diz muito sobre mim. Ainda que eu tente manter tudo nos conformes sempre, como se mantendo o quarto arrumado, pudesse manter a vida. É tudo tão difícil. Minhas relações não se ajeitam como a pilha de livros da estante… Que eu não li, que eu comecei e não terminei, que eu me desinteressei, que eu gostei tanto que queria ter escrito… Minha pilha de livros, que vez ou outra desaba, e eu preciso de muito mais do que coragem pra colocar tudo no lugar. Minhas metas não são como minhas roupas, que surgem dobradas e alinhadas nas gavetas e milimetricamente passadas na cruzeta do armário… Os meus sonhos talvez estejam como o meu espelho agora, embaçados demais para me mostrar todas as imperfeições do meu rosto, da minha vida… Minha cama me abriga durante os choros, as paranoias e os dias desperdiçados em cima dela com uma série qualquer que me faz esquecer da minha vida e me faz viver os problemas dos personagens. Séries me prendem, me isolam, me fazem cancelar os compromissos do dia, porque talvez seja melhor passar o dia inteiro vegetando, do que realmente existir. Talvez por isso o meu quarto seja tao aconchegante. Ele esconde os mistérios de quem sou e aprisiona os anseios de quem quero ser. Meu quarto diz muito sobre a inteira confusão que eu sou. Se as paredes falassem, contariam cada minuto de angústia e dor que aqui vivi, contariam cada décimo do sorriso que eu dei porque você riu daquela piada que nem era tão engraçada assim, mas riu pra me fazer feliz… Se elas realmente falassem diriam pra todos vocês o quanto sou fraca e inútil, o quanto sou nada por trás dessa capa que uso para me esconder. É tudo tão doído e o meu quarto talvez seja realmente a melhor parte de mim, a parte que me cuida e me permite falhar, a parte que espera ficar tudo bem e me dá o tempo para colocar os sapatos no lugar e tirar a poeira que se acumulou no criado-mudo, recolher os copos e as caixas de pizza. O meu quarto é quem sou de verdade. E ele guarda também todo o meu desejo de ser uma pessoa melhor.

Camila