Não preciso de você, mas eu quero

Eu não preciso de você se o seu afago for daqueles de quem só espera algo em troca, se tuas palavras forem vazias e o “eu te amo”  que sair de tua boca soar como o refrão de uma música que toca repetitivamente nas rádios. Aquelas das paradas de sucesso, que falam muito sem dizer nada, que tratam de sentimentos como se fossem coisas banais.

Eu não preciso de você se o que você quer é apenas uma noite, sem nem ao menos reservar um cantinho para a história que pode surgir. Não preciso de você se não está preparado para se surpreender com a vida, se não há sonhos pra gente compartilhar, se é difícil gastar o seu tempo comigo. Não preciso de você se a sua atenção tiver prazo de validade e se não houver espaço para conversa quando for necessário resolver uma questão importante ou algum problema que possa surgir. Se não sentir vontade de me ligar pra contar aquela boa nova que te aconteceu.

Eu não preciso de você se o seu plano é sumir sem motivo justificável, e principalmente, se houver falta de amor.

Se for pra fazer acontecer, se for pra sermos dois, se for pra ficar louca de saudade e depois ter todo o tempo do mundo pra te abraçar, sentar para bater um papo a toa sobre qualquer assunto. Tomar umas cervejas naquele boteco em que nos conhecemos e rir até a barriga doer, eu continuo não precisando de você, pois sei que posso encontrar a paz e a alegria de viver em cada momento sozinha. Já me sinto completa e não preciso de ninguém que me ajude a preencher espaços, lacunas, ou que me aponte a direção certa a seguir.  Essa responsabilidade é minha e você tem as suas. Não precisamos que alguém nos diga o que fazer.

Eu, realmente, não preciso de você, mas quero. Eu quero tentar. Quero alguém pra dividir o que tenho, alguém pra somar. Quero o que agrega.

Escolhi começar a trilhar um caminho novo e dessa vez eu quero alguém pra me dar a mão. Escolhi você e meu único pedido é que seja presente de corpo e alma, que esteja verdadeiramente ali quando estiver comigo. Desejo um amor de carne, osso e verdade. Sem fantasias, nem contratos, um amor que não seja uma prisão de promessas que não sabemos se poderemos cumprir.

Uma vez me disseram que amar não é precisar, mas querer estar com ele. Uma questão de escolha. Uma questão de amar a si mesmo antes da outra pessoa. Estar inteiro para amar outro ser, também inteiro, numa relação em que ninguém precisa de ninguém, mas escolheu estar ali.

Desde que me dei conta de que era isso que, realmente, fazia sentido pra mim, deixei de insistir em relações em que a necessidade de estar acompanhada e o medo de ficar sozinha falavam mais alto, situações em que eu me esquecia do porquê estava ali e, simplesmente, permanecia. Passei a me concentrar no meu querer e, respeitando a vontade do outro, vi que tudo ficou mais leve.

A vontade é poderosa e, quando desejamos algo de todo coração, trabalhamos com uma força que vai além de convenções sociais tão mesquinhas e vemos o outro como um par e não como um rosto que fica bem no retrato, mera ilustração.

Eu  não preciso de você e pretendo continuar não precisando, faço questão que permaneça em minha vida por livre e espontânea vontade de nós dois.

Eu digo Adeus aos amores de Hollywood

PORQUE A VIDA NÃO É UMA COMÉDIA ROMÂNTICA

 

Eu tinha dezessete benditos anos, acreditava e, como diz a canção, baixava minha cabeça pra tudo. Talvez apenas tivesse medo do inseguro, do que eu não conhecia, mas de amar eu não tinha receio e todo o tempo do mundo estava à minha frente. Foi aí então que eu pulei.

Fui uma adolescente que assistia a filmes de romance e, sonhando viver algo parecido, pedia a Deus que me enviasse um amor difícil. Desses que sangram, demoram a dar certo, mas que no final, irremediavelmente, são realizados, tudo é explicado num perfeito encaixe e fazem valer os anos de espera e choro abraçando o travesseiro. Pedi tanto aos céus que ele veio. O tal amor difícil digno dos roteiros água com açúcar.

Não teve sequer a chance de ser vivido com profundidade. Avassalador sim, mas breve e fraco demais em sua essência.

Hoje eu sei que isso tudo é uma grande perda de tempo e que uma mulher de coragem não deve usar seus superpoderes apenas para se concentrar no que causa dor. Uma mulher que sabe do seu valor não merece sofrer tanto por algo que ela nem sabe se é amor e eu não sou mais uma adolescente pra acreditar que ainda tenho todo tempo do mundo. Respeito minhas experiências, mas não costumo dar chance à repetições. Não sou mais aquela menina. Peguei o que ela tinha de melhor e cresci, sigo crescendo.

Nem sou tão romântica a ponto de sonhar acordada e se acaso amar for sinônimo de sofrimento, dispenso, prefiro viver de pequenas paixões a ser refém de amores bandidos.

O amor, para ser bonito não precisa ser triste. Nenhum romance cinematográfico se compara à beleza de se lançar ao mar em que navegam os descomplicados e distraídos amantes da vida real. E como dizia Leminski: “distraídos venceremos”.

A culpa é toda minha mesmo, eu pedi pra ser assim. Julguei estar com a razão, mas isso já passou. Pensei que o mundo girasse em torno do amor, mas na verdade, é ele quem faz o mundo girar, e eu não sabia. Ainda não.

Antes, eu me decepcionava com o outro por não seguir o script que eu imaginei para a  história, mas já não lamento por ter deixado que me fizessem crer que para ser bom era pra ser assim, sofrido. O que realmente importa é que hoje sei que, ao contrário do que Vinicius de Moraes dizia, o amor só é grande se fizer a gente crescer e não simplesmente pelo sofrimento que pode vir com ele. *

Parecia tão bonito sofrer por amor na tela. Afinal, a recuperação era certa. Não faltavam oportunidades do destino e o “luto” durava pouco, tão logo aparecia outro amor ou aquele mesmo completamente curado.

O “the end” só aparecia quando tudo se acertava. Mas o que é um final feliz senão o início de um novo roteiro? Eu tinha medo porque nunca me mostraram o depois, não me disseram nada sobre o que acontece depois da tela escura cheia de letras.

Sobem os créditos, mas outras histórias se preparam, são os novos ciclos chegando, a vida não acabou. É o fim daquele sonho de ter um amor de hollywood e o início da realidade pra mim.