O passado é uma estrela que já não brilha

​Sabia que, quando a gente olha as estrelas, estamos vendo sua forma no passado? Isso porque a distância é tão grande, que, mesmo na velocidade da luz, sua imagem demora anos para chegar aqui. Algumas delas, às vezes, já estão mortas quando vemos.

A gente enxerga o brilho do passado. 

Pensei um pouco sobre isso e não consegui mais parar. Tudo isso porque refleti que fazemos o mesmo em vários momentos da vida. Enxergamos a luz de um passado que não brilha mais. 

Essa é uma analogia ao comportamento humano que em muito se assemelha ao brilho das estrelas.

A gente nem tenta não enxergar. Colocamos nosso telescópio na janela do coração e vemos em qualidade HD tudo aquilo que já foi bom. E a gente sofre. Sofre porque não dá pra entender, ou talvez nós não queiramos entender que o brilho foi substituído pelo escuro do céu.

A gente permanece ali, olhando e decorando cada partícula luminosa, ao invés de deixar o passado brilhar sozinho.

É claro pra mim, tão claro quanto o brilho que ainda enxergo, que é mesmo muito difícil ignorar um astro tão luminoso como um amor passado, uma amizade que acabou ou qualquer outro bom momento que chegou ao fim. Ele se faz presente com toda a felicidade que já trouxe um dia.

Não vejo problemas nisso, até certo ponto. Olhar pra um passado e sentir de novo aquele bem danado que ele fez. Mas tudo em sua justa medida, sem exageros. Imagina passar o tempo todo olhando pro céu, vendo o brilho de alguns anos atrás? É preciso olhar a luz presente também.

Pode parecer idiota, ou até mesmo óbvio, mas vou dizer mesmo assim: a gente não pode mudar o passado. Jura? Juro. E permanecer com os olhos voltados pro brilho que ele ainda emite, pode cegar. Pode cegar porque nem só de brilho esse passado foi feito. Também teve seus momentos de escuridão, mas isso a gente não vê. É porque ele cega. E a a gente se vê presa num mar de estrelas de saudade de um passado que não pode mais voltar.

Hoje nós somos estrelas novas. Novos gostos, novas sabedorias, novos desejos. E se ficarmos olhando pro céu por muito tempo, talvez a gente só consiga enxergar a luz que estamos emitindo agora, daqui a muitos anos. E aí já vai ser passado. E o passado não se pode mudar.

Mas relaxa, é só saber dividir bem o olhar. E tudo bem, às vezes o passado pode ajudar a nos guiar com seu brilho. A gente segue em frente tendo a certeza de saber bem para onde estamos indo, onde devemos embarcar e onde não vale tanto a pena.

O passado não muda, mas ensina pro futuro.

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Tem desamor que muda a gente

Num outro dia, enquanto me lembrava de ter te esquecido, tentei imaginar a mim mesma alguns anos atrás. Eu era bem diferente, sabe? É claro, já faz mais de quatro anos, estranho seria se eu fosse a mesma. Mas acredito que sua vinda e a sua ida tenham tido grande influência sobre a minha nova forma de enxergar o mundo.

Antes de tudo eu preciso avisar que esse não é mais um daqueles textos amargurados, ok? Não é sobre eu ter deixado de acreditar no amor porque, de alguma forma, você me machucou ao bater a porta. Continuei acreditando, nunca desacreditei. Foram só algumas peças trocadas aqui dentro.

Por exemplo, antes saía entregando amor a quem aparecesse, sem avaliar merecimento ou até se a pessoa queria. Como se fosse algo sem grande importância.

Mas era. É. Amor é coisa mais linda e grandiosa que podemos dar a alguém, não é? Até a si mesmo. Especialmente a si mesmo.

Eu aprendi com você porque você foi o exemplo mais notório de amor jogado no lixo. Era um amor grande demais e eu não consegui guardar só pra mim. Entreguei a você com um belo laço vermelho em cima, daqueles bem cafonas mesmo, mas o fim a gente já sabe. Você nem abriu o pacote. Deixou num canto qualquer na sala da sua casa.

Há alguns anos, eu diria que você me deu em troca um belo nada, mas o mundo gira e faz a gente amadurecer, né? Hoje digo que ganhei o aprendizado de valorizar o amor que entrego por aí.

Mas não pense que o trancafiei a sete chaves dentro de mim, pelo contrário. Distribuo em dobro a todos que julgo merecedores e eles têm me provado que são. Procuro sempre encher a vidinha de cada um deles de todo amor, o mesmo amor que você rejeitou, só que maior. E mais maduro.

Seu desamor me mudou, viu? Me fez crescer. Me fez entender. E eu até entendi que errar é bom, cara. É bom demais. A gente aprende que sempre precisa aprender um pouco mais.

Continuo aprendendo com os inúmeros desamores da vida. Mas sabe de uma coisa? Eu também aprendi que, pra cada desamor, um amor de verdade vem em dobro.

Me afoguei na lembrança de você

Ontem escrevi mais um texto sobre você, mas sem a menor intenção de te mandar. Foi só pra tirar o excesso de saudade, sabe? Deixar tudo no papel. Não ajudou muito.

Lembranças vieram a tona e, quando dei por mim, já estava nadando em saudade e nostalgia. Tentei me salvar, mas você sabe que eu nunca aprendi a nadar muito bem.

Fechei meus olhos e apenas deixei as memórias saltarem sobre mim.

Sei que te incomoda saber que ainda penso em você, mas não pude evitar. Veio como uma porrada na cabeça, não tive chance de me defender nem nada. Quando vi você já tinha acabado com meu sossego de novo. 

Nosso amor tirou férias, foi necessário. Saiu pra passear e descarregar todas as mágoas no fundo de uma areia numa praia qualquer. Mas agora ele voltou a superfície e veio como uma maré alta, quase um tsunami.

Vieram recordações, uma atrás da outra. Foi como engolir água até perder a consciência, mas a diferença era que você me perseguia até no subconsciente.

Lembrei bem de todos os nossos beijos. Menos do último. Eu não fazia ideia de que teríamos um último beijo. Ou um último qualquer coisa. Só pensava em nós dois e o pra sempre.

Lembrei daquele dia no cinema, no primeiro encontro. E nos primeiros sorrisos. Na primeira vez em que nossas mãos se encontraram e nos guiaram a passos ritmados.

Lembrei da primeira briga e da primeira tentativa sua de fazer tudo ficar bem. Foi a única vez em que você tentou.

Lembrei daquele domingo no sofá da sua sala vendo um filme num canal qualquer.

Lembrei do “eu te amo” naquela festa barulhenta, mas que soou como um grito e eu ouvi muito bem. E talvez seja por isso que não consiga esquecer de tudo completamente, porque eu ouvi muito bem. E essa frase ainda me persegue a cada dia.

Simplesmente me conformei, parei de tentar nadar contra. Flutuei e deixei toda essa maré de lembranças me levar pra qualquer lugar. Quem sabe elas me guiem até você.​

Uma carta ao passado

Quisera eu ter coragem de te escrever uma carta. Já que por mensagem no celular não deu certo e você sabe que eu sempre fui romântica demais. Uma carta diria tudo e mais um pouco, mas você sabe que minha timidez me impede de fazer muitas coisas. Ir atrás de você é uma delas. Mas deixemos todas as minhas esquisitices de lado. Se eu tivesse toda a coragem do mundo, minha carta para você seria mais ou menos assim:

Querido amor do passado,

Te escrevo porque já não aguento mais. A saudade aperta a cada dia e olhar para nossa foto já não resolve mais. Esses dois meses se tornaram pequenos perto da minha saudade. A chuva cai e já não dói mais como antes. Tanto tempo não foi o suficiente para te tirar de mim, mas foi suficiente para amenizar. Não o amor, isso nunca. Todo o pouco que vivemos parece muito agora. Foi tudo o que me restou, lembranças. Por isso não abro mão de nenhuma delas. Cada detalhe é muito.

Escrevo porque já não dá mais. Não dá mais pra sair na rua e procurar seu rosto em cada pessoa. Não dá mais pra sentir meu coração acelerar cada vez que vejo alguém parecido contigo. Ou quando sinto seu cheiro assim, do nada. O melhor que já senti até hoje. Não dá mais pra ficar triste a cada verso de uma música que descreva nós dois. Não dá mais pra aturar todos esses garotos chatos que resolvi conhecer na tentativa de achar um pedacinho seu em cada um deles. Não dá mais pra aguentar essa sensação de não saber o que foi que houve. Porque numa hora você estava aqui e em outra, lá.

Espero que você saiba que eu sinto falta de cada detalhe. Sinto falta de como você me olhava todas as vezes em que meu rosto ficava vermelho de tanta vergonha. Sinto falta de nós dois no meio daquela multidão, ninguém mais importava. Sentia como se estivessemos a sós. Mais do que tudo, sinto falta do seu abraço apertado, do seu beijo lento, da sua mão na minha.

Muitas coisas aconteceram desde a última vez em que a gente se viu. Boas e ruins. Todas elas teriam ficado melhores e mais bonitas com você ao meu lado. E cada por do sol teria sido mais mágico com um beijo nosso na beira do mar.

Nunca tive chance de te dizer, mas além de ser médica, sonho também em ser escritora. E se um dia algum doido resolver publicar todas essas bobagens que escrevo, pode ter certeza que um rastro da nossa história vai estar em cada texto. Em cada parágrafo e em cada frase. Com uma dose da tristeza que você deixou ao me deixar aqui.

Pode parecer estranho, mas repasso todos os nossos passos todos os dias antes de dormir. É dificil me acostumar com sua ausência, já que sua presença transformou meu mundo em outro. É mesmo tão dificil… Quase impossivel me acostumar com os casulos de antes, porque agora todas as borboletas se foram junto com o seu sorriso.

Queria te dizer que não entendo nada. Porque você resolveu se mandar, porque desistiu de tudo. Mesmo assim te espero todos os dias. Na rua, no shopping, no elevador, nos sonhos. Pra sempre e sempre. Assim mesmo, com todo o clichê do mundo.

Calma, o coração regenera

Ele foi embora. Ele nunca esteve. Ele parou de querer. Ele nunca quis.
A gente tenta ressuscitar o amor. De todas as formas, a gente tenta fazer viver de novo aquilo que, um dia, já foi bonito. Mas nem sempre dá.
Tá doendo. Eu sei que está. É como se o coração tivesse sido quebrado em tantos pedaços, que não há mais como colar. É uma dor tão grande que tudo o que você quer, a todo momento, é se trancar no banheiro e chorar de uma forma bem dramática, tipo no filme que vocês viram aquela vez no cinema. E você acha que vai ser pra sempre. Mas quer saber? Você também pensou que seria para sempre com ele. E não foi, né? Se a alegria não pode durar para sempre, por que a tristeza vai?
Tudo passa. Tudo. De uma forma bem clichê, você vai conhecer outras pessoas, se apaixonar mais um milhão de vezes, sofrer mais um milhão de vezes. Você vai rir e depois chorar. E acaba, até mesmo, sentindo falta de sentir.
Você vai sentir falta dos olhos dele, da forma como eles brilhavam. Eram estreitos e pareciam conseguir ver através de você. Talvez você até sinta falta do sorriso dele. Você vai sentir falta do jeito como suas pernas tremiam só de ouvir o nome dele. Vai sentir falta de pensar nele, de até mesmo chorar por ele.
Vai sentir falta de ficar brava e de responder meio atravessado, mesmo que não pudesse odiá-lo nem por um segundo. Mais do que isso, vai sentir falta de gostar dele. De uma forma pura, engraçada. Sem rancor… só amor.
Mas, apesar de sentir saudade, você não vai conseguir sentir o mesmo que sentia antes. Já vai ter passado, cicatrizado. E vai se sentir bem com isso. Como uma sensação de dever cumprido.
É que a gente jura juradinho que nunca vai esquecer, mas confia em mim, vai sim. Haverá um dia em que lembrar dele irá se tornar algo esporádico, raro até. E você nem vai mais sentir o coração quentinho e tremendo.
E tudo o que sobra é o aprendizado. Sem mágoas, eu juro, com o tempo o coração expulsa tudo de ruim para dar lugar a sentimentos bons. Eu te prometo, o coração regenera. Não importa se, durante a queda, você tenha perdido alguns pedacinhos por aí. Ele vai se refazer, vai mudar.
E pra melhor.

Do país das maravilhas não saio mais

Desde pequena nunca me vi como uma pessoa encaixada no normal. É que sempre gostei de sonhar, de imaginar, de criar. Amava fugir da realidade, até por isso veio o amor pela leitura.

Eu já fui sereia, princesa, escritora, atriz, fada. Já fui tudo isso e muito mais, porque quem têm sonhos pode ser qualquer coisa. Antes de tudo, não digo que me acho especial ou coisa parecida, só não me encaixo no normal e nem pretendo. Gosto de flutuar, de imaginar. Mas é triste ver que, para tantos, isso é quase um crime.

É um crime não sonhar em ser o que eles são, é um crime não me contentar com o mundo real, é um crime imaginar que posso sim ser o que eu quiser, por mais impossível que pareça ser. É? Digo apenas que continuarei não me contentando com o pouco que a realidade me dá. Vivo no país das maravilhas, sou como Alice. Não adianta me achar louca, me olhar com cara feia, me dizer pra parar. Eu não vou parar.

Não tente me parar.

Me incomoda ver essa verdade absoluta que todos aceitam e insistem em me fazer aceitar. É como se o aceitável fosse fincar os pés no chão e de lá não sair mais. Escola, faculdade, trabalho, morte. Pronto, qualquer outra coisa fora disso?Loucura.

“Alice: Chapeleiro, você me acha louca?
Chapeleiro: Louca, louquinha ! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são.”

Quer saber? Eu vivo sim no país das maravilhas, eu acredito nos meus sonhos. Vivo neles. É como se todos já fossem realizados, sabe? Porque eu não me esqueço deles nem por um segundo. Sonho acordada, sonho dormindo. Difícil mesmo é me encontrar na vida real.

Por isso, gosto de gente que não se deixou afundar pelo peso da vida e continuou voando. E que me leva pra voar junto, arrastando pela mão. Gosto de quem não me empurra realidade a dentro. Eu não caibo na realidade, e não existe líquido mágico algum que possa me fazer caber. E se aparecer um, aviso logo que ignorarei o “beba-me” escrito no rótulo.

Sei que a realidade pode ter amargurado demais algumas pessoas, pode ter as tirado do país das maravilhas, mas vou dizer uma coisa: nada está perdido. Sabe? Ainda não acabou, ainda pode acontecer. Ainda vai acontecer, se você sentir que vai. Eu sinto.

Só o que desejo é que nossos sonhos sejam guias, como um coelho atrasado correndo por aí, iluminando toda a escuridão. Expulsando todos os monstros que se escondem no escuro do medo.

Eu tenho um sonho, um sonho que sonho de olhos abertos todos os dias. Um sonho que anda por aí correndo feito o coelho da Alice, insistindo em me levar pra lá. Todos os dias.

E vou continuar sonhando, até a realidade se transformar no mundo dos sonhos. Pode me chamar de Alice.

Ou melhor, eu não sou Alice.

Porque Alice precisou cair pra entrar no país das maravilhas, mas eu não. Já vivo nele, e daqui, não saio mais.

Spoiler da nossa história: eu não vou te esperar para sempre

Nossa história foi longa e complicada. Cheia de temporadas, inícios e fins. Muitos fins. E muitos recomeços.

Prolongamos até não dar mais audiência, né? Mas acho que agora já deu. Acabou a história, todas as frases se esgotaram. Os personagens cresceram. Mudaram. Tudo muda.

Mudei.

Você sempre me achou muito previsível, e com razão, te esperei de braços abertos a cada fim. A cada vontade sua repentina de ir embora. A cada último episódio da temporada, o primeiro da próxima trazia sua volta.

E eu te recebia com um sorriso no rosto. Com um alívio no coração, o alívio de quem consegue respirar novamente, depois de uma longa parada cardíaca. Com a alegria estampada na face, como uma criança que abre os presentes na noite de Natal.

Eu não me importava com os motivos que te levavam para longe. Eu só focava na sua volta. Contava os dias, as horas, os minutos, os segundos. Focava no seu cheiro preenchendo a sala de novo. Na sua risada fazendo barulho na casa que, sem você, é silenciosa. No seu beijo trazendo gosto de ar livre na minha boca.

Mas ontem você foi embora de novo, como de costume.

Levou contigo todos os nossos planos do futuro, nem perguntou se eu queria guardar. De recordação, sabe? Jogou tudo na mala e saiu pela porta. Ignorou todas as lágrimas que inundavam nosso apartamento e saiu seco. Mais seco que nunca. Você não se deixou atingir.

Aposto que, agora, onde quer que você esteja, acha que pode voltar. E se estabelecer de novo. E me confundir de novo. E me arrasar de novo.

Não mais.

Eu não vou continuar deitada te esperando entrar pela porta.

Eu não vou continuar fechando os olhos e sonhando com o seu sorriso largo.

Eu não vou continuar chorando rios, esperando você voltar navegando num barco cheio de lembranças.

Você foi embora. Você. E pelas suas decisões o responsável é você.

Aprendi com a nossa história a ser sozinha. A me bastar.

Se bastar: É esse o segredo da felicidade. Pena ser segredo e ninguém ter me contado antes. Tive de descobrir sozinha com a sua ida.

Mas agora eu me basto. E nós seremos estranhos. Um para o outro. Engraçado, você é o único estranho que eu sei o nome. Que eu sei a música preferida. O único estranho que reconheço pelo cheiro, pela voz. Ou, pelo menos, costumava reconhecer.

Só tenho uma última coisa pra te contar. Sei que você detesta spoilers, mas desse você precisa saber: eu não vou te esperar para sempre.