Nossa quase história de amor

Um dia desses eu sonhei com você.
No sonho, nós trocávamos olhares, entrelaçávamos sutilmente as nossas mãos e ficávamos em silêncio. Não foi muito diferente (e talvez ainda não seja) da nossa realidade.
Afinal, nossos olhos hoje não se cruzam e nossas mãos não se tocam, mas volta e meia os nossos pensamentos se encontram.
Assim como a nossa saudade. Como aquele “e se?” que bate de vez em quando na nossa porta.
E como aquela nossa vontade de ter sido o que não fomos.

Eu, claro, acordei saudosa e sentindo o teu cheiro ali no meu travesseiro, mesmo sem você ter deitado nele um dia sequer que fosse.
Lembrei das vezes em que falamos a mesma coisa ao mesmo tempo, dos sentimentos em comum que contrariavam qualquer lógica, das vezes em que recebi suas declarações inesperadas, das vezes em que eu decidi me declarar… E até dos abraços que demos em nossas despedidas que, mesmo sem beijo, faziam a gente suspirar como dois adolescentes cheios de dúvidas, mas claramente apaixonados.
É verdade. Muitas vezes os nossos beijos aconteceram sem o toque, somente no silêncio… Silêncio do desejo (que o coração já não era capaz de calar como a boca).

Já me perguntei se nos deixamos levar pelo medo.
Medo de se machucar em algo tão intenso, surreal e raro (tão raro que questionamos diversas vezes a sua existência).
Ou será que foi medo de tentar e perceber que tudo não passava de uma mera e ingênua fantasia? Confesso que eu não gostaria de desmanchá-la, caso fosse assim.

Pode soar loucura, mas esse laço mágico despertou e ainda desperta tanta coisa boa em mim.
Esse laço é que me faz acreditar nessas coisas invisíveis e bonitas da vida, como a sensação de plenitude que me invadia em nossas conversas intermináveis da madrugada. “Fica mais um pouco”, você me pedia. Talvez sem saber que eu queria mesmo era ficar para sempre…

É, talvez agora pareça triste o fato de não estarmos juntos (embora estejamos, sempre que as lembranças aquecem o coração, como aqueceu o meu hoje).
Mas sabe, eu acho tão bonita a nossa história que soa como “quase história”.
Acho tão bonita a relação que criamos, o cuidado, o carinho um com o outro, independente do tempo e da distância.
E acho mais bonito ainda ter alguém como você na minha vida… Alguém que eu sempre vou me lembrar, não do que quase foi, mas do pedaço de amor que sempre será dentro de mim.

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Realidade não dá like

Somos os filhos da pressa, da pressão, da falta de empatia, da vida que deixa de ser vivida na correria ou na falsa alegria.

Um like aqui, outro ali e talvez o dia não seja tão sem graça assim. Bate uma foto do que está acontecendo, compartilha, conta para o mundo o que você está fazendo, mesmo que isso te distancie do prazer de fazer. Bota a maquiagem no rosto, engole o comprimido e também o choro. Veste aquele sorriso planejado para que ninguém cutuque as tuas feridas nem critique as tuas falhas.

 

Tá ouvindo esse barulho? É o rádio falando sobre as tais doenças de uma sociedade ansiosa e deprimida. Logo vem alguém comentar que muitas delas são apenas frescura de gente que só quer chamar a atenção, mesmo que tenha que cortar a própria carne e expor o quanto ela já sangrava antes do corte. É, eu sei que tá difícil lidar com toda essa crise aí dentro (que aumenta ainda mais de tamanho com a crise lá de fora), mas dizem que a gente não pode desistir nem desanimar. Mesmo quando a gente parece não ter nenhum estímulo ou resquício de fé para fazer isso.

 

Você tá aí sem fazer nada igual àqueles políticos cretinos que estão no poder? Levanta já da cama, acompanha a multidão, estuda qualquer curso e vai procurar um emprego. Vista uma roupa social, coloca um salto e fale sem gaguejar. Não é hora de deixar o desespero do desemprego vir à tona. Ninguém pode perceber as suas necessidades e anseios neste mundo de perfeição, lembra? Talvez assim você consiga se destacar entre os três mil candidatos que vão disputar a vaga com você. O que? Você não gostou do trabalho que te ofereceram? Aceite-o mesmo assim, você precisa ganhar dinheiro, precisa sobreviver. Viver a gente pensa depois – se sobrar disposição depois de subir a ladeira e se sobrar um trocado na tua carteira.

 

Agora vai lá e afoga essa tristeza no copo cheio de cerveja. Pede também uma porção de batatas e um generoso hambúrguer. Faz um clique, mas não se esqueça de malhar amanhã para perder estas calorias. Você não vai querer ouvir ninguém te chamando de gorda e nem vai querer precisar de mais comprimidos (dessa vez para emagrecer), né?

 

Oi? Você está ligando para relatar mais uma noite de uma mente inquieta e preocupada que te causa insônia? Então aproveita que já está com o celular e procura por aquela pessoa que pensa de forma diferente da sua e que te deixa irritada toda vez que defende a opinião dela. Deixa essa coisa de tolerância de lado, o importante é achar que a sua razão é a única verdade. Mesmo que isso te custe a infelicidade alheia ou a sua.

 

É, vivemos em um mundo de ritmos e cobranças aceleradas, mas de compreensão e sensibilidade lenta. Pouco paramos para ouvir o que sentimos, para pensar no que queremos e no que realmente nos move. Ouvimos menos ainda o que o outro tem a nos dizer. Colocamos um band-aid em nossas dores, disfarçamos a olheira com maquiagem e encolhemos o coração e a barriga naquela cinta. Fechamos os olhos para o que incomoda, para o que machuca. E também fechamos os olhos para quem chora ao nosso lado.

 

Quanto tempo mais precisaremos perder para perceber o que é essencial?

Quantas mágoas teremos que enfrentar até que a gente se dê conta de que o nosso coração também tem o seu limite?

Quantos desafetos teremos que criar para aprendermos a respeitar as diferenças?

Com quantas cobranças (nossas ou não) teremos que lidar para prestarmos atenção no que faz parte da gente e, possivelmente, da nossa verdadeira missão?

Quanto nos resta para viver e sermos feliz?

Para alguns, restam apenas uns segundos. Para outros, talvez, restem dias, meses, anos. Mas para todos já passou da hora de despertar a compaixão, a empatia e o amor (por nós, pelo próximo e pela vida)!

A tua presença no sonho e a tua ausência na cama

Não é a primeira vez que você invade os meus sonhos. Em todas as vezes eu senti o mesmo aperto no peito, a mesma angústia.

Não sei dizer se é saudade, se é aquela vontade de voltar no tempo e fazer tudo diferente, se ainda é o amor que está aqui ou se é tudo isso junto.

Desta vez eu sonhei que ainda estava com você, mas eu sabia que em algum momento eu iria te perder (como perdi de fato). Isso me queimava por dentro e eu tentava me esforçar – em vão – para que você ficasse.
No sonho eu até já sabia qual seria o motivo da sua partida, mas eu te perguntava sobre ela mesmo assim. Você disfarçava – exatamente do mesmo jeito que disfarçou quando tudo aconteceu.

De certa forma, este sonho foi como reviver o passado, mas desta vez sabendo o que viria pela frente. Percebi que eu ainda sinto igual.
Ainda me dói ver você partir.
Ainda me dói ver você mentir.
Ainda me dói saber que tudo acabou do jeito que eu mais temia…
Então abri os olhos ao acordar, vi que você não estava ao meu lado e senti meu coração pequenino, como se ele tivesse sido esmagado pela sua ausência na cama e pela sua presença no meu sonho.
Tentei me questionar – por pura força do hábito – sobre como alguém tão ausente pode exercer sensações tão intensas ainda em mim.
A verdade é que eu acho que nunca vou saber o porquê. Ou talvez eu saiba e prefira esconder de mim mesma.

Hoje eu sei que não te perdi porque nunca te tive.
Sei que por mais triste que seja, tudo seguiu exatamente o rumo que deveria seguir.
Sei também que você deve estar feliz por aí… Na verdade eu não sei, só acho. Prefiro não confirmar porque se eu te trouxer ainda mais para perto dos meus olhos, você pode acabar fazendo morada aqui dentro de novo (como se você não já não fizesse, mesmo que em silêncio).

Mas olha, hoje eu senti tudo igual e também diferente.

Hoje eu senti que aquela mágoa passou e que a raiva se dissolveu (ou virou cinzas depois daquele incêndio que queimou a minha pele e a minha alma).
Hoje eu me senti feliz pela nossa história e também pelo seu fim.

Alguns podem pensar que é o amor indo embora, mas quer saber? Eu acho que é ele se revelando aqui. Afinal, quando a gente ama de verdade, aprende a deixar o outro ir.
(Ainda que ele volte algumas vezes para nos visitar em nossos sonhos e saudade.)

Sobre o tempo, a realidade e os sonhos não conquistados

Fui feita de sonhos na minha infância.
Sonhava com o sucesso e a felicidade profissional.
Um cargo alto na minha área, sapatos de salto alto, roupa social e o misto de cansaço e satisfação no final do dia.
Sonhava com o apartamento decorado. Um companheiro leal ao meu lado, um cachorrinho pequenino, uma cama grande e uma varanda com uma bela paisagem ao fundo.
Sonhava também com os passeios tranquilos com a família, as viagens programadas com os amigos e todas as minhas contas pagas com conforto.

Aos poucos, fui me deparando com as amargas doses da realidade.
Vi castelos alheios desmoronando e depois vi o meu ser levado por uma onda inesperada.
Tive que mudar os planos, encarar os fatos e entender que a minha vida não seria como eu idealizava com cinco ou oito anos de idade.

Me senti (e ainda sinto) como se estivesse na contramão do nosso rápido mundo: quanto mais ele acelera, mais eu paraliso na ansiedade que me consome e na frustração que me invade.
Algumas pílulas, muitas lágrimas, certas palavras de apoio, uns puxões de orelha e situações de fé tentaram me puxar. Em algumas vezes, tiveram êxito. Em outras, não.

Deitei muitos dias e noites na cama só para fechar os olhos e fugir da rotina.
Só para fazer o tempo passar mais rápido, sem medo algum que ele se esgotasse.
Afinal, a minha vontade e a minha força também haviam se esgotado.

Não encontrei ainda um trabalho na área que me faz feliz.
Não tenho grana para bancar um apartamento vazio, muito menos um decorado.
Às vezes consigo fazer alguns passeios e raramente consigo planejar uma viagem.
Pago as contas e, muitas vezes, deixo a diversão de lado para poder fazer isso.

É, inevitavelmente, o tempo está passando. Às vezes isso me consola por saber que não dá para levar tudo tão a serio (já que um dia haverá fim), às vezes me desespera pela dúvida se um dia eu ainda conseguirei tornar-me quem eu quero e conquistar os meus sonhos.
É claro que eu não sei a resposta.

Talvez amanhã eu me depare com outra crise de choro ou de ansiedade.
Talvez amanhã eu me depare com a minha própria coragem em uma boa oportunidade.
Vai saber…
O que eu sei é que não consigo acompanhar este rimo acelerado, estas cobranças desonestas (que consideram agradar somente ao que ou quem está de fora, anulando os nossos sentimentos), e nem esta pressão enlouquecedora que nos faz perder o tal tempo com medo do futuro, esquecendo de viver o presente.
Sim, temos que viver o presente.
Com o que temos.
Com o que somos.
Com quem ainda está aqui, ao nosso lado.

Por isso, hoje enxergo que só me resta continuar lutando e acreditando.
Não quero me conformar e nem me apavorar com o tempo. Quero é dar o meu melhor e aproveitá-lo também da melhor forma possível.
Afinal, um dia, o que é para ser meu, há de vir.
Enquanto não vem (ou até mesmo se nunca vier), bom, eu sigo agradecendo e aproveitando aquilo que eu já tenho, pois pior que a tristeza de não realizar os meus desejos seria a tristeza de não ter vivido a minha vida pela falta deles.

Um dia passa e deixa de doer

Me lembro até hoje da cena em que vi você partir. Os seus olhos soltavam meias lágrimas, a sua voz fraquejava e você me deu um beijo sem paixão alguma, com gosto de culpa.
Ao virar as costas, você disse que iria me amar para sempre, como se tentasse convencer a si próprio (sem deixar eu encarar o seu rosto para me impedir de notar a sua dúvida). Fechei a porta lentamente, como se isso fosse capaz de fazer a gente durar mais alguns segundos… Mas a angústia que gritava em meu peito me alertava que o fim já estava decretado e que nada poderia evitá-lo.

Tentei dormir, mas o sono não veio e eu só conseguia chorar em silêncio. Poucos dias depois, eu confirmei a minha suspeita de que a nossa história havia acabado.
Mesmo assistindo as suas falhas e a sua ausência, a falta que eu sentia de você fazia com que eu ignorasse completamente a minha razão, te esperando todos os dias. Idealizei você voltando de mil formas, por mensagem, carta, telefonema… até fiquei por horas na janela querendo avistar o seu carro, mas os dias foram passando e você não apareceu. Em seu lugar, a verdade é que se fazia presente, mostrando pra mim o que eu não queria enxergar (nem acreditar).

Soltei a raiva da gaiola e transbordei a mágoa até eu me cansar… Deixei a dor vir à tona, me rasgando por inteira, na tentativa de me regenerar. Assim, aos poucos, fui desconstruindo os planos que envolviam você, fui me refazendo, me libertando das memórias e da saudade de nós dóis, me permitindo ser somente eu.
Quando a razão me invadiu por completo, ela me mostrou que no começo é normal esperar por quem vai embora, sentir falta e torcer por uma volta. Mas, como tudo na vida, isso também passa… E também deixa de doer.
Aí, eu finalmente percebi que não faz sentido querer quem não quer a gente. Percebi que não vale a pena esperar por quem escolheu não ficar. E, principalmente, percebi que o que deveria voltar era a minha paz, o meu amor pela vida e por mim mesma. Desde então, eu passei a agradecer, todos os dias, pela sua partida.

A saudade de antes e a (necessária) distância de agora

Estava esperando o farol abrir quando te vi naquele bar da esquina. Para a minha surpresa, você estava com um copo de cerveja na mão. Logo você, que dizia detestar cerveja… Lembra quantas vezes eu tentei te convencer a mudar de ideia, te oferecendo alguns goles das mais diversas marcas para ver se você finalmente iria gostar? Você bebia e, logo em seguida, fazia aquela sua careta clássica de quem achava a cerveja amarga demais. 

Muitas destas tentativas foram neste mesmo bar, aliás. Nós vivíamos ali, quase sempre em plena madrugada, comendo aquela porção de petisco gordurosa que matava a nossa fome. Você dizia que ainda iríamos passar mal por causa dela, esquecendo-se das caipirinhas que tomávamos, das cervejas que eu bebia e do cigarro que você acendia a cada cinco minutos. Eu dava risada e dizia que é melhor passar mal do que passar vontade. Você concordava, pedia uma água para matar a sede e amenizar a bebedeira… E nós ficávamos ali até sermos expulsos pelo garçom. 

“Vão querer mais alguma coisa? Vamos fechar a cozinha e o bar”. Ouvimos isso em todas as vezes que nos juntamos ali. Quase todos os garçons já nos conheciam.
É claro que estas lembranças vieram à tona assim que eu te olhei e eu confesso que senti saudade. 

Por ironia do destino, deu para ouvir a música que a banda tocava: “I’ll be there for you” do Bon Jovi. Cantamos ela inúmeras vezes, em alto e bom som (aos gritos, para ser mais claro), como uma declaração de amor, como uma forma de selar a nossa união. 
Naquela época, nós ainda acreditávamos que éramos para sempre, que nada nem ninguém iria nos separar e que seríamos incapazes de vivermos um sem o outro.

Agora eu estava ali, um ou dois anos depois, parado a poucos metros de você e te observando só de longe como um desconhecido.
Você estava encostada no muro com o seu velho All Star branco, uma saia jeans e aquela camiseta preta e rasgada que você não largava. Pelo visto, algumas coisas não mudam e ela continua sendo a sua preferida. 
Seus olhos estavam brilhando e você deu um sorriso largo e sincero enquanto conversava com alguém que eu não reconheci. Não sei dizer se é amigo, namorado… Mas sabe, você me fez sorrir ali, mesmo de longe, mesmo sem saber, só pelo fato de te ver feliz. 

Eu até senti vontade de te chamar, te dar um oi, mas me contive no segundo seguinte. Eu sabia que, ao fazer isso, eu poderia facilitar uma (re)aproximação nossa e tudo se tornaria um caos depois de alguns poucos dias, meses ou talvez anos, já que até mesmo as nossas semelhanças parecem artimanhas para nos separar. 

De qualquer forma, sei que nada mais seria como antes… Nós fomos feitos para sermos felizes, mas longe um do outro. 
Por isso, prefiro assistir a tua alegria daqui de fora, escondido. 
E então, toda vez que eu te olhar (seja a alguns metros de distância ou em uma fotografia qualquer), toda vez que eu sentir que você está seguindo em frente e vivendo a sua vida de um jeito que te faz sorrir, eu vou sorrir também. Porque mesmo não sabendo se deixei de te amar ou se apenas te amo de um jeito diferente, eu nunca deixarei de querer o seu bem (e nem de estar sempre aqui para você, ainda que os seus olhos não me vejam, exatamente como diz a nossa música).

Tu é flor que desabrocha em mim

Quatro taças depois e a saudade de você me invadiu por completo, como fogo indomável.
Bastou a sobriedade sair de cena para você voltar, materializado ali, na minha frente.
Foram tantas as vezes que isso aconteceu, tantas as vezes em que você esperou a minha razão sair para bater na minha porta e me lembrar que, no fundo, eu nunca te esqueci.

Em algumas delas, esperei os minutos passarem, deitei a cabeça no travesseiro e rezei para o sono chegar e você ir.
Sabe, eu tenho esse hábito: disfarço para ver se me refaço sem carregar o teu pedaço em mim.
Mas, dessa vez, eu não consegui.

Quanto mais eu fechava os olhos, mais te via ali, perto de mim.
Teu sorriso charmoso parecia debochado, talvez por perceber que nem o tempo e nem a distância apagaram o efeito que você tem sobre mim.
Em mais uma tentativa desesperada, tomei outro gole para ver se você desaparecia, mas você permaneceu ali, com os olhos infiltrados em mim, me vendo nua e tão (ainda) sua.
Senti o teu perfume, revivi o teu cheiro, o gosto doce do teu beijo e o amargo do nosso adeus.

Então, tentei te tocar no intuito de ver se era real, se você estava mesmo ali, mas me deparei com o vazio entre as minhas mãos. O mesmo vazio que você deixou em mim quando escolheu partir.
Senti um misto de pena e raiva de mim mesma por sentir falta de quem não quis ficar. Logo eu, que sempre me achei tão sensata, tão decidida com os finais que apareceram no caminho, tão conformada com a tua saída.

Mas amanhã, antes mesmo da ressaca chegar, vou me despedir mais uma vez de você, como se eu não precisasse fazer isso nunca mais.
Vou cobrir tudo isso aqui dentro com terra, mesmo sabendo que tu é flor que desabrocha em mim, até mesmo quando não é Primavera.