O passado nunca tem nada novo a dizer. Siga sempre sorrindo

Eu quis as tuas ligações após nossas discussões por pequenas coisas. Eu quis os teus abraços logo após rápidas despedidas na porta do meu terraço. Eu quis muito os teus carinhos após palavras que nunca deveriam ter saído de tua boca, mas eu te perdoei mesmo assim. Eu quis tanto os teus beijos após todo este turbilhão de coisas bagunçando aqui dentro de mim. Eu quis tanto o teu cais quando tudo em mim era caos. E o pior de tudo foi acreditar que você voltaria e me diria que tudo ficaria bem.

O tempo passa e a gente começa a perceber quem realmente valoriza as coisas lindas que carregamos no fundo de nossa alma. Pessoas que realmente entendem o real valor das pequenas coisas. Mas você parecia estar ocupado demais com teus planos enquanto eu sonhava sozinha no escuro da noite. Eu não podia te esperar para sempre. Eu precisava trilhar a estrada com alguém que quisesse traçar o mesmo caminho com meus sapatos, e então assim, poder sentir o verdadeiro valor que fiz – ou farei- para alguém.

Eu deixei uns medos nas gavetas mais altas para facilitar o esquecimento. Vestir a coragem para seguir em frente, e guardei comigo alguns aprendizados nos bolsos em caso de emergências duvidosas. Desenhei sorrisos largos no rosto e os compartilhei com o resto do mundo lá fora. Cresci e amadureci com o tempo e mesmo de um relacionamento mal acabado, eu levei comigo alguns aprendizados.

Eu quis tanto ouvir a tua voz calma de madrugada apenas para expulsar umas dores no meu peito. Mas como diz o próprio verbo – QUIS. – Passado; ou seja, ficou pra trás. Por isso sigo em frente na esperança de encontrar um Porto Seguro para repousar os meus ombros cansados. Sigo sempre sorridente e em frente, meu bem.

Pois afinal de contas, o passado nunca tem nada a dizer.

A parte que sobrou do nosso todo mostra que a gente precisa começar de novo

O que foi que aconteceu com a gente?

 

Eu não quero ser só mais uma estatística. Não quero ser aquela pessoa que percebe que se perdeu só quando não há mais caminho pra voltar.

 

A gente era um todo, hoje somos só uma parte, mas uma parte do todo. Não dá pra simplesmente dizer que as coisas não são mais como eram, parar no meio do caminho e desistir. Se somos parte, é porque um dia já fomos todo. E isso me dá esperanças pra fazer algo bem raro nas relações de hoje: reconstruir.

 

Só que pra essa nova empreitada eu preciso de cooperação. Preciso de algum tipo de garantia de que, se eu me jogar sem ver, você vai estar lá pra me segurar.

 

Pra reconstruir, é preciso confiança. E você já ameaçou quebrar a minha algumas vezes. Não falo isso com mágoas e ressentimentos. É só pra lembrar que, se for pra gente resgatar com fé tudo aquilo que nos trouxe até aqui, eu preciso do teu comprometimento total. Só assim serei capaz de ficar bem e não me sentir idiota por crer que há saída.

 

Eu não sei se você se lembra, mas a gente criou um mundo só nosso. Tinha muita vida lá dentro. Depois de muito tempo no automático, você me fez sentir vivo de novo.

 

É difícil, pra mim, acreditar que isso seja algo que se possa jogar fora. Não acredito que não há marcas no teu coração como há no meu. Se houvessem dúvidas com relação a isso, minha proposta de reação nem seria uma realidade.

 

Mas, agora, chega de papo. Me dá a mão. Vamos provar pra esse mundo que a gente pode voltar pra onde estava. Que o amor se renova quando a gente se empenha por ele. Que as surpresas podem surgir até das maiores trivialidades.

 

Vem comigo!

 

Vamos provar pro mundo que a gente sabe como fazer pra ser feliz. Do nosso jeito.

 

Aquele jeito que parece esquecido, mas que pode ser encontrado dentro de cada sorriso sincero teu.

 

Amei à você e a outros também…

Amei todos! Amei o que me sorriu de primeira. Amei o que me mandou flores com um bilhetinho fofo, que tinha alguma escrita sobre o amor. Amei o que em secreto colocou chocolate na minha porta todos os dias da semana, sem que eu percebesse que assim fazia. Amei o que tentou me amar, mesmo com todo seu jeito bruto de ser. Amei àquele que foi meu amigo, parceiro, companheiro de todas as horas e que sonhou comigo. Amei aquele me deu a mão em tantas festas e dançou comigo prometendo que me levaria ao altar no dia seguinte. A noite de farra e todas as danças já era o nosso matrimônio, mesmo que não percebêssemos.

Ah, eu amei também o beijo doce do moreno de riso fácil. Amei os olhos do loirão faceiro sobre mim. Amei aquele bruto, rústico e sistemático que tentou me laçar em um dia de sol quente. Amei, amei muito.

Ah, como eu amei! Seria injusto eu dizer que nunca amei. Não foi porque passou que o amor não existiu. Todos existiram e foram suficientes para que durassem até onde as minhas lembranças pudessem chegar.

Quando o amanhã vier talvez não estejam tão presentes como hoje, mas eu saberei de qualquer maneira, que amei! Porque ainda que a minha memória falhe, as marcas do tempo sobre mim não me deixaram esquecer, que amei e mais do que isso fui amada.

Dizem que amor é jogo de azar, eu prefiro enxergar de outra maneira: amores são flores colhidas ao longo do tempo. Somos um jardim e mais do que ter as mais lindas flores ou os melhores perfumes, importa-nos ter a capacidade de em todas as estações, saber florescer!

Sexo sem compromisso

O rapazinho, apenas de cueca, se esgueira para fora do quarto da moça. Uma breve caminhada até a cozinha, um copo de água e pronto: já pode voltar.
No caminho, no entanto, dá de cara com o pai da menina. Sentado em uma poltrona e olhando para baixo, pergunta:
– E você, quem é?
– João, prazer.
– Pensando bem, nem sei porque te perguntei seu nome. Provavelmente, nunca mais iremos nos ver.
– A chance é grande, realmente.
– Minha filha só tem feito isso ultimamente. Dorme com sujeitos diferentes quase todo fim de semana. Já nem consigo mais dar bronca, aconselhar… Agora, só me resta suspirar mesmo. Errei muito na criação dessa menina.
João se aproxima e pede licença para sentar ao lado do desolado pai. Meio a contragosto por causa da cueca, o progenitor frustrado permite a movimentação do algoz e os dois começam a conversar.
– O que te faz pensar que errou na criação dela?
– Ora, veja você: ela provavelmente não tem ideia de quem é, o que faz, onde mora… Com sorte, vai lembrar seu nome amanhã.
– (Riso contido) De fato. Eu só sei que ela se chama Julia porque, quando me contou, mencionei que era o mesmo nome da minha irmã.
– E posso saber qual a graça?
– Toda! Sua filha e eu sentimos atração um pelo outro, mais nada. Evidente que poderíamos ter ficado conversando horas, nos conhecendo, trocando ideias, mas, naquele momento, tudo que queríamos era dormir um com o outro. Dois adultos que, livres e solteiros, foram fazer o que tinham vontade.
– Você falando me lembrou daquele velhinho que morreu agora pouco… Como é mesmo o nome dele? … Bauman! Isso! Sabe, essa superficialidade das relações, a efemeridade, a falta de compromisso. Onde estão os alicerces do amor numa sociedade assim?
– De fato, o conceito do Bauman é muito interessante e pertinente em nossos dias. Porém, faço apenas uma ressalva: a superficialidade não é característica própria nossa, muito pelo contrário: tornamos ela mais exposta, mais sincera e mais verdadeira.
– Como assim?
– Te explico: devo ter uns 50 casais de amigos, conhecidos. Namorados apaixonados, que postam fotos comemorando datas de aniversário de relacionamento, viagens de casal, almoços com as famílias reunidas. Até aí, tudo lindo.  Porém, não existe UM desses casais que já não tenha se traído. Eu, que nada tenho a ver com eles, sei disso. Já vi, presenciei, estive junto na hora ou soube. Que tipo de “alicerce” é esse que não resiste a uma mera tentação?
– …
– Quer mais um exemplo? Por que os puteiros e casas de massagem estão sempre lotados? Já viu a quantidade de cara casado que vai lá? Você mesmo deve conhecer bastante gente que frequenta, senão o próprio senh…
– Respeito, rapaz. Não abusa.
– Desculpa. Enfim, estávamos acostumados a “relacionamentos sólidos” que, em sua maioria, eram compostos por traição, mentira, abuso, comodidade por si só… Tudo isso porque estamos envoltos nessa concepção monogâmica fechada, que não permite o diálogo, a contraposição de ideias.
– Hmm…
– Hoje, cada um monta a relação que quer ter de acordo com o seu próprio livre arbítrio. Não dizem que o amor mais importante é amor próprio? Então, hoje as pessoas estão se amando mais. E quando você se ama, torna-se livre, até mesmo para amar outra ou outras pessoas. Se ser superficial é ser honesto com quem se relaciona, prefiro viver na superficialidade das minhas escolhas do que agonizar nesse simulacro de amor romântico idealizado que tanto deixa as pessoas tristes e frustradas.
– Rapaz… Olha, você me fez repensar até certas coisas dentro do meu casamento. Ficaria feliz se pudéssemos nos ver de novo.
– Isso eu não posso garantir. Sendo bem sincero.

Me guarda num potinho?

Tô te pedindo pra não me esquecer,

Pra me guardar num potinho dentro de você.

 

Me guarda, vai?

Promete que vai proteger tudo o que aconteceu de mais lindo em nós,
Sem nunca esquecer o que nos fez ser um só.

 

Guarda naquele cantinho que só você tem acesso,

Um que ninguém consegue se meter no meio de nós,
Ou tente decifrar o que aconteceu, caso achem que tenha acontecido.

 

Porque eu te tenho aqui,
Dentro do lugar mais lindo do peito,
O cantinho do amor.

 

É o lugar mais remoto e tão pouco habitado,
Que as vezes eu me esqueço que existe.

Acho que foi por isso que você apareceu.

 

Você veio me lembrar o que é amor,
Apareceu pra resgatar o amar,

Para que eu movesse todos os móveis de lugar.

 

Só que quando o encanto se desfez,

A saudade fez morada,

Ela pensou que aqui seria seu novo lar permanente.

 

E sabe o que mais?

Eu não tive coragem de manda-la embora,
Porque mandar a saudade embora, significaria dizer que você não esteve aqui.

 

A real é que você ocupou todos os pedacinhos de mim,

E mesmo de longe,

Tomou pra si a parte de mim que não me pertence mais, de tão tua que é.

 

É egoísmo, eu sei,
Mas promete nunca esquecer
E guardar o maior amor?

 

Cê promete?

Tudo muda, tudo troca de lugar…

“Tudo muda, tudo troca de lugar…”
Engraçado como as coisas mudam de um mês para outro, de um ano para o outro e de como mudam mais ainda de 3 anos para frente. Hoje vendo umas lembranças em meu Facebook, fiquei indignada do quando meus pensamentos mudaram, minha ingenuidade mudou, meu amor mudou e de como eu jurava que alguns iriam estar comigo para sempre e hoje já não estão mais. Fiquei bem preocupada e com medo do que pode vir daqui por diante.
Não podemos nunca achar que os problemas são para sempre, porque não são. Não podemos jamais achar que nossos planos e sonhos não vão mudar, porque vão. Não podemos jurar que as pessoas serão para sempre em nossas vidas, porque não serão. Nada nessa vida é para sempre. Mas digo também que nada é por acaso, pois somente relembrando tudo que vivi, percebo o quanto aprendi, o quanto hoje estou mais forte e o quanto cresci psicologicamente falando. Hoje eu sei que tudo pode mudar de um mês para o outro, e tudo bem. Mas também pode continuar tudo da mesma forma, e tudo certo também. A vida sempre vai ser essa caixinha de surpresas mesmo. Ninguém nunca vai saber o que vai acontecer daqui um dia ou dois, um mês ou dois, um ano ou dois. E não podemos nos desesperar, pois tudo que acontece tem um propósito, nada é por acaso. Mesmo que aquilo lhe pareça algo ruim, pode ter certeza que daqui um tempo vamos dar risada de tudo ou dizer que foi melhor assim. Porque sempre é!

 

Linda.

Eu costumava chamá-la de minha, mas repentinamente, ela repousou o seu coração em outro peito. E como doeu ver a minha liberdade beijando outro alguém. Eu tenho aquela mania de romantizar tudo ao meu redor e devido a isto, eu sempre acreditei no “juntos para sempre”, mas hoje cedo, eu comecei a desacreditar nos romances infinitos. Vai ver algumas pessoas não foram feitas para ficar juntas para sempre, mesmo passando por momentos inesquecíveis juntos. Ela era linda, eu juro. Nas outras garotas eu já não via mais graça, ela era a garota mais bonita que eu havia fotografado com as minhas retinas. Hoje, sem o castanhos dos seus olhos, meus dias continuam sem sinal de cor. Apenas um cinza triste infinito que cobre toda estratosfera terrestre.

Quisera eu saber o que se passa na cabeça dela toda vez que os seus olhos castanhos fitam os meus. Quisera eu saber dos seus sonhos nas madrugadas em que costuma sentir-se sozinha, e queria fazer parte deles também. Eu amava a maneira que a voz dela namorava os meus ouvidos em um tom calmo e suave que apenas ela tinha. Eu adorava o seu jeito desastrado-charmoso de sorrir quando tudo parecia dar errado. Mas ela nunca tirava o sorriso do rosto, cara. Disto eu nunca vou me esquecer. Ela era linda, eu nunca achei que me apaixonaria por alguém assim, jurei pra mim mesmo que não deixaria nenhum sorriso largo me bagunçar desta maneira, assim, sem explicação. Mas aí ela me aparece como quem foge de um dos contos do Caio Fernando Abreu, e me sorri um riso tão forte que causou um abalo sísmico de escala 6.5 em meu coração. Um sorriso de quase 7 graus na escala Ritcher.

Eu costumo acreditar que algumas pessoas não foram feitas para ficarem juntas eternamente. Mas que algumas delas, nos contam histórias, histórias sobre a vida, sobre o amor, histórias  sobre nós mesmos. E são estes pequenos detalhes que nos tornam quem realmente somos. E estes momentos impactantes – como uma batida de um carro ou um simples abraço apertado -, momentos como estes, que dão razão e sentido a tudo. Porque o amor não quer ninguém preparado ou pronto para nada. Ele quer a gente desorganizado e desarrumado mesmo, pois quando ela chega, arruma tudo.

Há quem discorde, e diga que ele é o principal responsável por bagunçar tudo. Mas o que seria da vida sem ele? O que seria da minha se ela não tivesse passado por mim?

Linda, cara.

Apenas.

Linda.

P.S. Me desculpe te escrever de forma tão simples, quando, na verdade, o meu sentimento foi tão lindo.

Cheguei da festa e lembrei o quanto era mais feliz ficando em casa com você

Naquela noite eu senti que podia, enfim, ter te esquecido. Foi por isso que vesti minha melhor camisa, me banhei no meu melhor perfume e ensaiei na frente do espelho o meu melhor sorriso.

Naquela noite, eu queria te esquecer provando o sabor de outras oportunidades.

Os amigos passaram aqui em casa e, quando apaguei a luz e tranquei a porta, pensei em quanto tempo fazia que eu não saía assim, sozinho, sem saber ao certo qual era a programação. Justamente eu, que tanto amava a rotina, sucumbia à boemia por ter esgotado todas as opções anteriores.

Antes, eu mergulhei no fast food e nas noites viradas vendo séries. Antes, eu ouvi aquele disco que a gente tanto gostava até decorar cada arranjo. Antes, eu chorei até a última lágrima do estoque dos meus olhos para ter certeza que eu tinha batido no fundo do poço e que, agora, só podia subir.

A noite foi agitada. Foram muitas luzes, muita música, muita bebida, alguns sorrisos desconhecidos e uma consistente sensação de alegria artificial. O álcool nos enche de ilusões ainda maiores que aquelas que fabricamos na realidade.

Eu sabia da banalidade de tudo que estava vivendo naquelas horas.

Eu sabia que toda aquela gente em roupas de marca e rindo muito de piadas sem graça provavelmente estava tão infeliz quanto eu. Se eu perguntasse, eu sei que negariam até o fim. Ninguém quer assumir o próprio infortúnio.

Ainda assim, eu consegui deixar a música, a bebida e algumas promessas precipitadas de amor eterno me preencherem por alguns minutos. Em um ato inédito, consegui me concentrar mais no que estava fazendo e menos no que me esperava lá fora.

O sorriso que era forçado começou a ser natural, a música que era ruim passou a ser boa, um eu que eu não conhecia parecia estar despertando.

Perto das seis da manhã, voltei para casa como um adolescente depois da primeira festa. Parecia que me renovava a cada passo que dava. Rejuvenescia cinco anos a cada degrau vencido. Retomava o controle a cada volta no trinco da porta.

Bastou entrar para tudo voltar ao normal.
As luzes da noite não substituíam o farol que vinha dos teus olhos. A roupa cara com bebidas importadas não substituía o moletom surrado com a panela de brigadeiro.

Acima de tudo, nenhum outro abraço chegava aos pés do teu.

Não adiantava submeter meu corpo às batidas da música eletrônica se, antes, um único olhar transformava meu coração em pedal duplo de heavy metal.

Te perdi por não dizer o que realmente importava

Eu nunca te disse que o seu café era amargo demais, não que faltasse açúcar ou porque você colocava muito pó. Mas era o jeito que você fazia ele, sabe? Ainda assim, era a sua marca, o seu café, aquele que eu tomava todas as manhãs e que eu já sentia o aroma invadir o banheiro enquanto eu me arrumava.

Tomar o seu café, mesmo que amargo, era o que deixava o meu dia mais doce, porque era o seu café.

Eu nunca te disse que seu cheiro ficava marcado nos nossos travesseiros e que quando você viajava era ele que me consolava na sua ausência. Eu podia sentir que você estava me abraçando, mesmo que você estivesse há km de distância de mim.

Eu nunca te disse que quando eu via você partir, eu também via o meu coração indo embora, porque era impossível ele ficar junta a mim enquanto você não retornava com um abraço apertado e me acordava com seu café amargo. Você podia demorar dias ou horas, não importa, o tempo da sua ausência, é o tempo que eu ficava incompleta.

Eu nunca te disse para ficar, pois eu pensei que você sabia o que sentia, que você via nos meus olhos o pedido para não me abandonar, para não deixar o meu travesseiro esquecer qual é o seu cheiro e para não deixar o meu paladar esquecer o gosto do seu café, que era amargo. Amargo assim como o dia que você não voltou mais.

Simplesmente partiu, e assim como nas outras vezes levou meu coração junto. Foram dias e até semanas de espera sem sucesso. Onde você estava? Onde o meu coração estava? Eu já não o sentia bater como antes, não sentia que ele estava protegido junto com o seu, pelo contrário, sentia frio, medo e abandono.

Eu nunca te disse nada, eu nunca te pedi nada, eu nunca tive uma atitude que te desse segurança. E por causa disso, você se foi, encontrou em outra pessoa o que eu não pude te dar, encontrou alguém para te dizer o quanto o seu café é amargo, mas também para dizer como o seu cheiro é bom para ficar no travesseiro, na roupa, no corpo. Encontrou alguém para dizer que te ama, algo que eu nunca tive coragem de te dizer.

Eu nunca te disse que te amo, porque eu amei seus detalhes em silêncio. Você nunca soube o que sentia. Se eu pudesse voltar atrás, talvez eu gritaria que amo seu café amargo, enquanto me envolvo em seu pescoço para que se cheiro fique em mim, enquanto digo que te quero comigo para sempre.

Os segundos que me salvam de mim mesma!

O tempo ti-taqueia sem parar, piscou e abriu os olhos ele já acabou, poderia ser uma história, uma música, um grito, um pensamento, mas são os segundos que me jogo sem medo de me estabanar, no chão.

Ele é meu, não é de mais ninguém, a rotina me consome, muitas vezes ela me engole, mas eu estou tão acostumada com a adrenalina que nem ligo pra tudo que se passa desapercebido, é uma mensagem que depois eu respondo, é aquele GIF engraçado que na hora eu nem dou tanta risada. São aquelas intermináveis fotos de bom dia no grupo da família. Um e Moji daqui, um “tô ocupada da li” o baile segue, e se passam horas atrás de horas.

Dias, semanas, meses e anos, e tudo que me resta são 30 segundos, eu sou egoísta e me permiti ter o luxo de gozar desse instante para meu único proveito. A nossa mente não desliga, a minha é hiperativa até mesmo quando estou dormindo, sonho com o trabalho e acordo para realiza-lo, troco meu café pelo almoço, e algumas vezes até esqueço que tenho que jantar. Mas dos meus 30 segundos eu prometi que nunca mais iria abrir mão.

Ali, debaixo do chuveiro, com a água que molha meu corpo e leva a tristeza, as alegrias, a canseira da alma e muitas vezes do meu coração, eu me apoio na parede, fecho meus olhos, e me deixo libertar, e conto até 30, a cada número que sobe em minha contagem é uma dose de vida que sinto ser injetada em meu organismo.

Ali, eu me dou o luxo de ser quem eu quiser, a princesa, a bandida, a pessoa que ama e a pessoa que não quer a casa com uma cerquinha branca, me deixem apenas os cachorros, enfim, durante 30 segundos eu sou minha, apenas minha e de ninguém mais.

Não tem pai, mãe, melhor amiga, namorado ou quem é que seja, os segundos são meus, eu relaxo o meu corpo, eu me permito voar mesmo que meus pés continuem plantados no mesmo lugar. Eu solto o peso dos ombros, e “orever” se o mundo irá desabar, ali não tenho preocupações, não tem dramas, nem saudades, sou eu olhando reflexivamente para o meu “eu” interior.

Não importa de quantas horas será o meu banho, e no que minha cabeça irá pensar enquanto eu estiver ali, se vai me dar vontade de cantar, de sair correndo por que o dia foi um porre e tudo o que eu quero é cama, chocolate quente e Netflix, não importa se eu vou ter a festa mais importante do ano, todos os dias eu me prendo numa bolha de 30 segundos, onde o mundo é meu e eu posso ter e ser quem eu quiser.

Quando eu me recomponho, encaro de novo a realidade, eu saio dali com a força que Davi derrotou Golias, eu me sinto viva, me sinto capaz, e nada, e nem ninguém rouba isso de mim. Não sei como é seu dia, não sei como é sua rotina, não sei qual é a sua rota de fuga, mas acreditem, tirar nem que seja 1 segundo pra você, pode lhe impedir de desmoronar perante todas as outras horas que não irão lhe pertencer.