A teimosia dos seus olhos azuis

Quando esses olhos azuis cruzaram com os meus pela primeira vez o mundo parou de girar. As pessoas a nossa volta desaceleraram e tudo se resumiu a faísca de paixão que surgiu naquele segundo. Você veio até mim sem tirar seus olhos dos meus e, então, eu passei o resto da noite olhando para esses olhos que me olhavam de volta com malícia, com vontade de sair dali e me olhar com mais intensidade em outro lugar. Com uma imensidão tão grande quanto o outro azul: do céu. E eu me perdia nessa imensidão, com vontade de voar cada vez mais alto com você. 

Mas agora seus olhos não encontram mais os meus. Teimam em desviar quando os meus chegam perto. Porém sei que você ainda me olha com malícia. Por algum motivo, não entrega mais esse olhar diretamente ao meu. Mas quando você entregar. Ah, quando você entregar… Não será apenas uma faísca; Serão fogos de artifício. Será um fogo incontrolável dentro de nós. Será uma noite que ficará marcada para sempre em nossas memórias. E por um bom tempo em nossos corpos. 

Porque aquela malícia não está só no seu olhar. Ela está presente em todo o seu corpo. Está presente na sua alma. Quando seus olhos azuis pararem de teimosia e encontrarem os meus novamente, você vai se perguntar por que demorou tanto para fazer isso. Vai se perguntar por que perdeu tanto tempo. 

Eu já sei que você é teimoso, não precisa me provar isso. É uma característica nata de quem tem cabelos loiros e olhos azuis, não é mesmo? Só espero que essa teimosia impressa no seu DNA, não te impeça de cruzar o seu olhar com o meu mais uma vez. Porque se você demorar demais, talvez meus olhos já estejam fixados em outro olhar.

  

Se ame, porra!

Você é linda. Não importa o que as pessoas pensem ou digam. Se você se acha linda, você é linda. Ponto.

Alguém disse que você é feia? Que está acima do peso? Que é magra demais? Que seu nariz é muito grande? Que você tem quadris muito largos? Que você é muito alta? Que você é muito baixa? Que você deveria mudar? Respire fundo e diga um bom e belo “Foda-se”. Se você se ama assim, é o que basta. A opinião dos outros é insignificante e variável. O que muita gente acha feio, outros muitos acham lindo. Ao contrário do que o mundo impõe, não existe certo ou errado no gosto das pessoas.

Então se ame, bem do jeitinho que você é!

Agora, se você não está satisfeita com quem é. Seja por dentro ou por fora. Mude. Não há nada de errado em mudar, desde que seja porque você quer. Não porque alguém falou que você deveria ser diferente. Não porque sua mãe ou sua melhor amiga não são como você. Cada um é único e essa é a graça do mundo.

Então se ame. Com toda a força que existe dentro de você. Se ame em primeiro lugar. Se ache linda. Se ache interesse. E você será tudo isso.
Muitos dirão que você é exibida ou prepotente. Mas isso é porque eles não sabem o quão bom é se amar por inteiro e independente da opinião alheia.
Quando você se ama, você vira uma pessoa confiante. Que acredita em si e consequentemente atinge seus objetivos. Por mais impossíveis que eles pareçam.

Quando você se ama, você sabe que pode traçar metas consideradas impossíveis aos olhos que te cercam. Porque você sabe do potencial que tem. Independente de te acharem muito nova, ou muito velha para realizar. Você sabe que é capaz.
E mesmo que você não atinja a meta, saberá que deu o melhor de si, e que com certeza, surpreendeu muita gente que não acreditava em você.

Quando você se ama, as pessoas te enxergam com outros olhos. Porque você é uma pessoa feliz. Você é uma pessoa satisfeita com o seu eu. Você tem orgulho de ser quem é. E isso é perceptível.
Quando você se ama, você exala amor. E as pessoas querem fazer parte disso. Querem ser felizes como você, e com você.

Quando você se ama, as pessoas querem te amar também. Porque sabem que você é uma pessoa completa, e não quem procura a felicidade em outro.
Quando você se ama, as coisas acontecem. O mundo gira. Você é uma pessoa completamente apaixonada, e nem precisou de outro alguém para isso. O amor por você mesma é o mais lindo dos amores.

Então, se ame, porra!

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Sobre a agonia de não poder responder rápido

Responder no instante em que recebe uma mensagem é sinal de desespero no mundo atual. Se o cara que, finalmente, veio falar com você obtiver a resposta no minuto seguinte, pronto, você virou a maluca obcecada por ele. Gostaria muito de saber quem inventou essa “regra” à qual todos obedecemos cegamente. E não, nem tente negar que você obedece essa regra. Pelo menos nas primeiras conversas todos fazemos isso.

E seguindo essa “ditadura virtual” iniciamos um ciclo de tortura, pois não podemos responder logo, para não parecermos desesperadas, e o cara fica lá, do outro lado, na incerteza de que fez a coisa certa em finalmente mandar um singelo “Oi” para a menina que ele tanto quer. E isso se prolonga por um bom tempo. Meses, eu diria. Até que, finalmente, criamos uma intimidade com a pessoa que está teclando do outro lado e podemos nos desprender dessa regra maluca e conversar livremente. Observando isso, começo a achar que a época das cartas românicas era mais simples do que a era digital. O tempo de espera era maior, é verdade, mas pelo menos não existiam regras.

A carta podia ser respondida logo após as lágrimas de saudade molharem o papel ao término de sua leitura. Percorrendo uma verdadeira jornada para chegar ao destino. Mas ela sempre chegava. E com a resposta mais sincera. Não as respostas que damos hoje, apos consultar a opinião de todas as amigas. E assim que a carta chegasse, ela obteria uma nova resposta imediata e sincera. Poupando a pessoa apaixonada da agonia de não poder responder rápido.

E os namoradinhos?

Sabe tia, tá difícil. Não sei se a culpa é da minha exigência extrema ou se é a “safra” que está ruim. Mas, tia, a coisa anda complicada. Pelo menos para mim, que ainda vejo o namoro como uma coisa séria e que só deve ser começada se houver a intenção de que dure, pelo menos, um bom tempo.

Não quero esses namoros em que uma semana depois de se conhecerem, já estão chamando um ao outro de meu amor. Que amor é esse? Em uma semana não dá nem tempo de conhecer uma pessoa direito, quanto menos saber se ela é o amor da sua vida. O amor está banalizado, sabe tia. Mas eu ainda acredito nele. Ah, acredito sim. Não posso perder a fé nele, tia. Mesmo com tudo o que estão fazendo com ele, e em nome dele, eu sei que o verdadeiro amor ainda vive. Talvez em menor escala, claro. Mas ele ainda está lá. Presente naqueles pequenos detalhes que, às vezes, só quem está dentro da relação consegue perceber.

O amor real ainda existe, tia, eu tenho certeza disso. Mas voltando a “safra” ruim, tia. A senhora vive me dizendo que está cheio de homens bonitos por aí, e que eu, uma guria bonita não deveria ficar sozinha. O problema, tia, é que diferente da maioria desses homens bonitos que a senhora vê, eu tenho conteúdo e objetivos maiores do que o treino na academia.

Eu quero conhecer o mundo, tia. Quero ser reconhecida pelo meu trabalho. E para isso eu tenho que ralar muito. Não tenho tempo, nem paciência, para ter um namorado sem objetivos, que não vai entender que eu preciso me esforçar e dedicar grande parte do meu tempo para que esses objetivos possam ser alcançados. Porque sabe, tia, os homens andam mais carentes e cheios de frescura do que as mulheres. Se a gente não responde em 2 minutos, eles piram e já fazem o maior drama. Se a gente precisa passar um tempo fora para fazer algum curso ou alguma coisa do trabalho, já temos que enfrentar uma cara feia, seguida de um “Você não se importa comigo, só pensa na sua carreira”.

Então, tia, enquanto eu não encontrar um cara que esteja na mesma vibe que eu, correndo atrás dos objetivos e pretendendo ser, ou já sendo, alguém na vida. Um cara que tenha o passaporte em dia, e sempre em mãos, para poder viajar o mundo comigo. Ou só para ir até a praia mais próxima passar o final de semana. Enquanto eu não encontrar um cara que faça jus à palavra parceiro, e que apóie os meus objetivos e não os veja como um concorrente, ou um obstáculo no relacionamento. Enquanto eu não encontrar um cara que vá comigo ao estádio, e segure a minha mão naquele momento decisivo, depois me dê o melhor beijo de comemoração, ao invés de achar que mulher não pode ir para o estádio e as que vão são vagabundas ou sapatonas.

Enquanto isso não acontecer, tia, minha resposta para a sua pergunta vai seguir sendo a mesma. Porque sabe, tia, tá difícil. 

Sobre nós, ninguém nunca vai saber de tudo

É domingo à noite e me pego novamente pensando em nós. Tentando entender o que esse “nós” significa, porque sinceramente, eu não sei. E também nem sei se quero saber. Tá aí uma coisa que só acontece comigo quando o assunto é você: não ter o controle da situação.

Sempre fui controladora ao extremo, sempre quis saber o que viria à seguir, talvez para me preparar e não levar uma rasteira da vida, como tantas outras que já levei. Sempre fui de saber o que estava fazendo, e tomar decisões calculadas. Sempre tive um pé atrás quando o assunto é relacionamento. Talvez, novamente, para evitar as surras que a vida dá. Creio que esse seja o motivo de eu ser descrita como uma pessoa “coração de pedra”. Que foge de relacionamentos, como a mocinha foge do monstro nos filmes de terror. E eu realmente fujo. Mas com você tudo é diferente.

Eu sou diferente. Você é diferente. Nós somos diferentes quando estamos sozinhos. Ao mesmo tempo em que temos cautela para não passarmos do limite, temos uma vontade enorme de mandar esses limites para o espaço e vivermos o agora. Vivermos esse desejo um pelo outro, que assim como a nossa amizade, surgiu completamente sem explicação, nem razão de ser. Vivermos a nossa sincronia de uma maneira diferente. Na horizontal,vertical e diagonal.

Apenas vivermos. Sem pensar.

Afinal, nós pensamos demais. Não sei qual seria a consequência disso quando o sol batesse em nossos rostos, pela manhã. Temos muita coisa em jogo, você sabe disso. Sabe tão bem, que continuamos com esse teatro bobo de que nada aconteceu, enganando todos a nossa volta quando perguntam sobre nós. Será que ao enganar os outros, não estamos enganando à nós mesmos? Não sei responder essa pergunta, e isso tem me matado por dentro. Logo eu, que sempre soube de tudo.

Logo eu, que sempre estive um passo a frente do pensamento do outro. Logo eu, que sempre sabia o que esperar dos meus relacionamentos. Logo eu…

Estou começando a achar que, assim como os outros, eu também nunca vou saber de tudo sobre nós.