(Livremente inspirado na canção Velocidade – Vera Loca)

Estávamos eu e ela, sentados, conversando sobre nada, falando quase tudo.

Era a minha chance, mas passou tão rápido. Era um pôr do sol, um momento perfeito. Mas quantos minutos dura um pôr do sol? Não o suficiente para eu conseguir me declarar. E quando escureceu, o clima já era outro. Foi embora uma das mais lindas oportunidades daquelas que acontece apenas uma vez na vida.

Bom eu sei que não foi. Apenas ruim? Também não. Ela seguiu sendo minha musa inspiradora e até hoje é. A poesia tem disso: o drama atrai mais que as coisas que dão certo. E eu fui inventar de ser poeta… Era tragédia na certa. Se eu imaginasse que eu desenvolveria esse imã por situações tristes e melancólicas talvez eu fosse um cara diferente. De qualquer forma, foram essas coisas que moldaram quem sou e não posso dizer que não gosto. Aquela chance eu perdi, mas houveram outras. Uma série delas e eu estive sempre tão encantado por sorrisos, olhares e papos gostosos dela que cada vez passou mais rápido. Cada vez eu fui perdendo uma chance diferente de tentar lhe dar um beijo, sendo que eu sabia que o seu olhar pedia por isso. Contudo o tempo passou. É claro que passaria!

Estávamos eu e ela, caminhando. Eu dizendo nada, ela me explicando tudo.

Quando ela me contou que havia seguido em frente e conhecido alguém, era uma madrugada. Que levou anos até virar manhã. Foi um desespero escutar e ficar imóvel no meio daquilo tudo. Já não havia mais o que fazer, bom combate para combater, um beijo para arrancar dela. Nada mais. Foi a conversa mais chata e demorada que tive na vida. Feliz, a guria contava em detalhes sobre um cara que fez tudo que eu poderia ter feito mas hesitei. Entediado, eu disfarçava bem minha angústia sorrindo pra ela e sofrendo de uma impaciência maluca.

Soube um pouco depois que ela teve o seu final feliz com aquela mesma pessoa com quem seguiu em frente. Acredite, eles nasceram um para o outro.

Já eu, que nunca deixei de ser apaixonado por ela, aprendi com isso tudo uma lição valiosa sobre o tempo que nunca vou esquecer.

A velocidade de tudo que acontece em cada momento depende de você: Tá ruim, demora. Se tá bom, vai embora. E a vida passa sem a gente nem ver…

 

Paulinho Rahs

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  1. Passa tudo muito rápido mesmo…

    Curtido por 1 pessoa

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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