“Cadê os homens de verdade?”

Pergunta que ela mais costuma se fazer nas tardes de qualquer dia da semana. Mas a quantidade de rapazes babacas que ela habitualmente esbarra-se pelas ruas da cidade é de assustar qualquer um(a). Por isso, – aqui vai um conselho – não seja mais um babaca, a concorrência anda muito grande. Ela sente a falta dos garotos dos sorrisos largos, aqueles que tem o hábito charmoso de ler qualquer romance sentando em um transporte público, na biblioteca, ou em uma simples cafeteria. Mas nos dias de hoje, me parece que uns jeans apertados demais ou um par de seios grandes, possuem mais valor do que um sorriso bobo ou de uma longa tímida troca de olhares.

Ela quer ser desafiada por alguém que tente adivinhar a conversa que se passa por suas retinas. Ela deseja alguém que puxe uma conversa suave no elevador ou a diga que goste dos Beatles tanto quanto ela enquanto a música em seus headphones estiverem prejudicando a sua audição de tão alta. Ela só escuta música nas alturas. Ela quer ser a tua única intenção mesmo em um mundo coberto de segundas. Você deveria reparar mais no jeito com que ela costuma sorrir espontaneamente, em vez de encarar os seios dela como quem acabou de ver uma versão humana de pizza calabresa. Você deveria manter seus olhos nos olhos dela enquanto conversam, pois ela já percebeu teus olhares pervertidos no seu decote comportado. Você deveria comentar com teus amigos o quanto o riso dela fez você paralisar por uns três longos segundos, em vez de falar a respeito do tamanho dos seios dela. Para ela meu amigo, infelizmente, você entrou para a lista dos babacas. Ela é poema em mundo coberto de homens babacas e semianalfabetos. Poucos sabem lê-la.

Cadê os rapazes com sorrisos largos?

Pergunta que ela costuma fazer a si  mesma constantemente. Mas sabe ela que não são todos os homens que possuem o título de babaca do ano. Por isso ela desistiu dos bares, das festas vazias, das madrugadas frias e de uns rapazes mais gelados do que as noites de Tóquio. E foi viver. Deixou as dores nas últimas gavetas para facilitar o esquecimento e trancou seus medos as sete chaves. Vestiu-se de coragem, esbarrou-se com mais alguns babacas pelas esquinas da vida, normal, faz parte, mas não deixou de acreditar no romantismo masculino sequer por um segundo de milésimo. Percebeu que não se pode culpar todos pelo erro que apenas alguns cometem.

Hoje pela manhã ela foi a biblioteca estadual para conhecer novas histórias e fugir um pouco da realidade do mundo. Caminhou pelas prateleiras calmamente e passou suas mãos por diferentes contos, percebeu ali que havia muito para se descobrir e para viver. Um universo de histórias contadas e relatadas com tanto amor e afeto esperavam por ela. E mal ela sabia que a sua própria história estava para ser contada a uns poucos metros a sua frente, bem ali pertinho, do outro lado da estante.

Um sorriso largo, uns olhos atentos a um romance relento, a aguardava por tanto tempo.

Anos depois ela vem respondendo as suas amigas a mesma pergunta cada vez que elas insistem em questionar; Onde estão os homens de verdade?

– Na biblioteca.

P.S.

Mais uma vez, eu insisto, namore alguém que leia.

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Pedro Ficarelli

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