Quando me flagrei escrevendo este texto, confesso que nem mesmo eu acreditei. É sério, poxa, não é do meu feitio e raramente converso diretamente com as mulheres. Mas o negócio é o seguinte: 2018 está chegando e você precisa desencalhar, colega! Sim, desencalhar! Achou ruim? Calma, não é isso que você está pensando. Você precisa desencalhar, mas não precisa de um boy pra isso. E, cá entre nós, você ficou puta, no jantar de natal, quando sua tia bonachona disse você é um desperdício de moça sem namoradinho… Eu também teria ficado. É um saco. Estou solteiro há tempo suficiente pra escutar essas merdas natalinas, mas relevemos e sigamos com o texto.
“Por que eu não preciso de um boy pra desencalhar”, pensa minha leitura curiosa e assídua. Ok, admito que essa parte foi só pra levantar o ego do escritor, desconsiderem. Era só pra deixa a conversa mais próxima, só nós dois aqui, entende, tete a tete, saca? Pois é, vamos lá! Você não precisa de um boy porque você já é um mulherão da porra sozinha! Sua felicidade não está atrelada ao calcanhar de marmanjo nenhum, menina! Até parece que não tem espelho em casa, credo! “Ai, mas eu estou gorda”, é excesso de gostosura! Liberte-se das amarras sociais, das porcarias de padrões e seja você mesma. É clichê esse negócio de “seja você mesmo”, mas é bem verdade, viu. Não é à toa que grande Nelson Rodrigues dizia que o profeta é aquele que consegue prever o óbvio!
Tenho uma amiga linda (aliás, uma de muitas; todas as minhas amigas são belíssimas) que está de bode porque terminou 2017 no zero a zero. Antes de explicar o causo – nós de minas falamos assim – deixa eu dar uns detalhes da minha amiga. Pensa numa moça gente fina, coração grande, altruísta, como poucos hoje em dia, menina alegre, farrista. Uma morena e tanto: cabelão negro como a própria escuridão, pele cor de jambo, um demônio que domina sua alma com tanta beleza. É olhar pra ela e cair duro, apaixonado. Já passei por isso e digo: não se apaixonar por ela é muito difícil! Por que ela está solteira? Só Deus, né, miga…
É o seguinte: a minha amiga-dama é apaixonada por um carinha, mas ele é um babaca completo. Não responde mensagem, não liga, não pergunta se está bem… Mas procura pra saber se ela quer transar. (Não estou condenando esse tipo de relação, cada um vive a seu modo, transa como e com quem quiser. #pas.) Mesmo assim, ela é ligada no sujeito, que não quer assumir o lance. Ela é louca por ele. Já planejou até o enxoval do casamento… No entanto, a vida sempre dá umas porradas pra gente aprende, não é mesmo?
Depois de um longo e conturbado momento juntos, ela descobriu que o boy vai está namorando. Cômico, se não fosse trágico – eu avisei… Na semana passada, a amante abandonada me convidou pra um café decidimos pra xingar o sujeito, pensar nuns ebós pra deixar ele brocha, essas coisas. Pra você ver como o amor é miserável: aquilo que o dia te deu mais prazer hoje você quer amputado… Melhor mudar de assunto, Ave Maria… Brincadeira, continuemos…
Na conversa, minha amiga não se conformava com o fato de ter sido trocada, deixada para trás. Inevitavelmente, procurou na outra – na ladra oportunista de amantes alheios – atributos que não tinha em si mesma. Perdi a paciência! Menina linda dessa ficar se diminuindo? Sacanagem! Depois descobri que o cara a comparava com outras, ou seja, ela não aprendeu a se rebaixar sozinha. Isso é sério: não deixe ninguém diminuir você, por seus ideais, por seu estilo, seu corpo, sei lá, só não aceite. Isso vale pra todo mundo.
Quando encerramos nossa conversa, confesso que fiquei decepcionado, afinal de contas, não consegui ajudar minha amiga. Tudo que pude fazer foi ouvir. Dias depois, encontrei com ela novamente. Não estava o trapo que pensei que estaria, muito pelo contrário: estava radiante. Aí ela me atacou com um clichê: “Aprendi a me amar”. Confesso que cheguei a pensa que era tudo fachada, mas ela pareceu bem convincente e pode até ter me enganado. Esse encontro foi rápido, mas deixou pensando…
Pensei que o amor é mesmo negócio estranho. Sou um amante da literatura, mas acho que aquele romantismo dos séculos XVIII e XIX prestou um enorme desserviço para os amantes. Quando a coisa se propagou para o cinema americano então, nem se fala! E quando o negócio atingiu em cheio o pagode brasileiro? Raça Negra que o diga, né? (Nem curto, mas falar deles enobrece o texto.) O amor romântico nada mais é que uma utopia. Esse negócio de viver e morrer pelo outro… Suicídios belíssimos, isso não cola mais hoje em dia, mas muita gente acredita, tipo minha amiga.
Um pouquinho antes do natal (e com alguns quilos a menos) a reencontrei. Todo aquele papo de amor próprio tinha ido pro saco. Estava acabada, entregue a uma paixão tórrida pelo moço que a deixou. Estranho, mas compreensível. Foi então que ela me disse que queria terminar o ano desencalhada, com um namorado, com uma nova chance para o amor… O problema é que isso custa caro – e não falo de dinheiro.
Falo de mudanças de hábitos, de aceitar a verdade e entender que há pessoas que, por mais que se queira, elas nunca estarão do nosso lado. Isso é ruim, dói, machuca, mas é verdade. É preciso encarar a realidade. Para mim, gente solteira não é problema, mas gente encalhada, sim. Gente que tem medo de seguir em frente, de olhar para o futuro, de buscar um novo abrigo. É por isso que sempre falo: você não precisa de um namorado ou uma namorada pra desencalhar, precisa mesmo é de coragem para o amor, principalmente para o seu próprio. Então, miga, aproveita que 2018 está vindo aí e desencalha!
FIM…

 

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Flávio Sousa

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