Já parou pra pensar em quanta coisa a gente deixa de saber?

A vida é um filme louco em que a gente dorme em algumas partes, mas que nunca podemos rebobinar pra ver como foi.

A vida é um jogo de futebol em que a gente vai ao banheiro e perde um gol e, na volta, não nos contam que o gol aconteceu.

O que sabemos é um disco. O que não sabemos é coletânea.

Sempre pensei no tanto de coisas que não nos é dito. Tanto as boas quanto as ruins.

As ruins não me atraem. Até certo ponto, é preferível não saber o que de mau falam a nosso respeito.

As boas é que me tiram o sono.

Você faz ideia de quantas vezes seu nome é mencionado pelas pessoas, nos mais variados contextos? Será que dez por cento das histórias chegam aos seus ouvidos?

Aquele amigo que está distante, aquela colega da escola que era uma amiga inseparável mas que você já não tem mais contato, o primeiro amor platônico – que com certeza te guarda na memória mesmo que esteja do outro lado do mundo.

Todos têm algo a dizer a seu respeito. E dizem. Acredite.

Se for difícil de acreditar, pense por si próprio: quantas vezes por dia você lembra de pessoas que não são mais do seu convívio? E quantas vezes você já contou histórias e reviveu tudo sem depois contar a essa pessoa que se lembrou dela?

Eu queria mesmo é que depois daqui, a gente tivesse a oportunidade de ouro de ver tudo isso acontecendo. Poder retribuir o amor e o carinho das palavras de quem nos amou em silêncio parcial. Sim, parcial. Porque nos amou ao contar de nós.

Quem se lembra de você pelo bem envia, automaticamente, boas energias.

Você sempre vai ser importante para alguém, mesmo que tenha certeza do oposto.

Se tivéssemos o poder de ouvir o que dizem de bom a nosso respeito, talvez nos gostássemos mais.

Se tivéssemos o poder de ouvir o que dizem de bom a nosso respeito, talvez tivéssemos mais fé na vida.

Se tivéssemos o poder de ouvir o que dizem de bom a nosso respeito, talvez as coisas fizessem mais sentido.

A minha visão particular do paraíso é de um lugar onde possamos acessar a qualquer hora todas as vezes que disseram algo de bom sobre nós. Em qualquer lugar. Em qualquer ano. Um arquivo infinito da benevolência alheia. Emoções inesgotáveis que nos fariam chorar de alegria todos os dias. Sentimento pleno e ininterrupto de gratidão por cada vida que passou pela nossa.

Isso sim seria o paraíso.

Mas esse é apenas o desejo de um mero mortal.

Enquanto não tenho certeza da minha visão particular do que vem depois daqui, ofereço uma proposta.

Diga a quem você ama o quanto ama. Com riqueza de detalhes. Esmiuçando o máximo possível as situações em que você exaltou o fato de conhecer esse alguém.

Assim, podemos transformar a minha suposição em uma incrível e nada monótona rotina.

Acima de tudo, que seja possível reverter essa terrível mania de só lembrar quando não há mais volta.

Que a gente não precise partir pra ser lembrado.

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Júnior Ghesla

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