Já eram 2h15 da manha e eu não conseguia pegar no sono. Já tinha rodado toda a minha pequena cama de solteiro, abraçado todos os ursos, contado todos os carneirinhos possíveis. Mas não consegui. Minha mente estava confusa e meu coração não sabia bem qual caminho seguir. Ele estava um pouco machucado e com receio de que algo ruim acontecesse novamente. Minha cabeça girava e minha alma barulhenta alertava-me ao invés de simplesmente deixar-me dormir um pouco em paz.

O dia amanheceu e meus olhos ainda não haviam se fechado. O sol começou a entrar pela janela do quarto e eu desejei que ele fosse embora para que eu pudesse ficar sozinha de novo, só mais um pouco, apenas com a minha própria companhia que para falar bem a verdade… Não sei se me fazia tão bem assim.

Preparei um café forte como de costume e sentei-me no sofá com toda a calma do mundo, como se eu não precisasse estar no trabalho nos próximos 15 minutos. Cada gole que descia pela garganta trazia um pouco da minha realidade. O amargo se fundia com a tristeza formando um sentimento que não saberei explicar. Era uma sensação estranha, um pouco de prazer pela bebida quente dentro de mim e um pouco de ódio por tu estares tão distante assim. Sem perceber joguei a caneca que havias me dado no chão e tudo que era responsável por aquele momento de incertezas, foi devastado e deixado lá, sozinho. Como eu estava.

O dia continuou sendo difícil, mas eu já estava meio craque em disfarçar os meus sentimentos ao resto do mundo. Tinha a impressão de que ninguém precisava saber o que se passava dentro de mim, sabe? Era como se apenas eu e você pudéssemos realmente me conhecer e levando em conta o fato de tu não estares aqui, estou aguentando a barra e sorrindo em público, o suficiente para esquecer-me de ti durante dois segundos. O suficiente para lembrar-me de como o teu sorriso era lindo pelo resto da vida…

E então quando cheguei em casa, ao invés de estirar-me na cama e beber até dormir, em um gesto de coragem extrema peguei meu celular e botei discar o teu tão temido número. Depois de três chamadas finalmente a tua voz entrou na minha mente e tudo começou a girar. Eu estava feliz por te ouvir, mas queria mais do que aquilo. O teu som continuava doce e involuntariamente eu senti o teu toque deslizando pelas minhas costas afastando o mal de mim. A intenção era não falar nada, mas quando me dei por conta as palavras saíram.

– Eu ainda amo você!

30 minutos depois a campainha tocou e não precisei abrir a porta para sentir a tua presença. O teu calor me atingiu só de pensar na tua pele quente na minha e quando finalmente olhei em teus olhos, tive a certeza de que nada mais no mundo importava, de que ninguém jamais irá se comparar a ti e que no meu coração tu podes entrar e sair a hora que quiser. E ao te abraçar vi que tu sentes o mesmo e talvez aquilo fosse tudo que eu precisava para novamente voltar a viver. Olhar nos teus olhos e dizer: sim, com toda a certeza do mundo, eu ainda amo você!

 

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Nathaly Bonato

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