Acordei incompleta. Sei lá, algo destoava desse céu azul bonito que amanheceu. Dentro de mim parecia que cairia uma tempestade a qualquer hora. Eu não entendia o vazio que me assolou logo que abri os olhos, eu não entendia a chuva que ameaçava cair, eu não entendia porque o azul do céu parecia ainda mais azul e mais bonito. Eu só não entendia. Tudo. Nada.

Sentei abraçando os joelhos, tateando o celular. Pisquei demoradamente, tentando juntar os pedaços. Talvez esse caos logo cedo seja só pela demora em, de fato, acordar. Talvez minha alma ainda estivesse dormindo. Sei lá, odeio achismos. O que me incomodava era o vazio, era a chuva de dentro e o sol – absurdamente lindo de bonito – lá de fora.

Levantei arrastando os pés. Fiz um café forte e doce, que desceu amargo goela abaixo. Havia algo fora do lugar e custei para entender o que era. Tateei o celular outra vez, abri um jogo para distrair, passei pelo Instagram, conversei com poucas pessoas…

A mensagem pulou na tela. Um alarme. Eu havia esquecido do alarme.

Era de um aplicativo que baixei e tinha esquecido. Eu caí na bobeira de fazer uns cálculos malucos, só pra saber quando. E o quando pulou na tela. Eu fiquei olhando para a data, doze de dezembro de dois mil e dezessete, e sorri enquanto uma lágrima boba riscava meu rosto. Deixei pingar.

Larguei o café e entendi o tom azul do céu. Larguei o celular, e entendi a tempestade. Deixaria chover o dia inteiro, mas a tempestade só ameaçava cair, mas ainda era tímida. Resolvi abraçar o dia, na esperança do meu abraço alcançar lá no alto. Caminhei sem rumo, com o coração no céu. A chuva ainda era mansa no meu rosto confuso.

Passei em frente à uma floricultura. Sei lá, resolvi entrar. Passeei por filas e filas de flores e perfumes, mas lá do fundo, lá no fim, tinha um pedaço de sol que me chamava atenção. Peguei um girassol, paguei por ele e saí. Carreguei aquela flor gigante nas minhas mãos pequenas. Sentei debaixo do sol, sentindo a tempestade de dentro chegar.

Eu sentei na areia da praia. A chuva caía torrencial no meu rosto, meus ombros pesavam. Pulsava uma saudade dolorida e insana. Pulsava tanto amor por cada canto, um amor tão genuíno, tão bonito que doía. Fiz uma prece.

Solucei um grito agudo. O sol brilhou mais forte.

E lancei o girassol no mar.

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Mafê Probst

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