Ando desconfiado. Há muito tempo não me via cantarolando músicas de cabeça e sorrindo à toa em meio à multidão. Há tempos não me pegava perdido entre fotos e galerias em busca de um sentido para os meus devaneios. Aos desavisados que teimam em visitar minha caixa de entrada com qualquer cantada barata, apenas digo que ando bem entretido em uma jornada sem a intenção de parar ou desviar meu caminho.

Sinto pontadas no peito e disritmias bastando ser envolto por seus braços. Me assumo uma fortaleza no menor banhar dos teus olhos enquanto se aconchega dentro do meu abraço. Me faço de porto seguro quando, entre dúvidas e pedidos de conselhos, me procura para ouvir o que lhe tenho a dizer em alívio aos teus medos. Finco os pés no chão quando me pede para ir, sabendo muito bem que a única partida que deseja, é o adeus de nossos próprios bobos desejos de partida. E fico.

Sonho acordado e durmo sorrindo. Acordo sorrindo. Sorrio até sorrindo! Através da alma. Sorrio escancarado e escandalosamente por dentro em sua presença. E, do lado de fora, sorrio da ponta do pé ao último fio de cabelo.

Tenho procurado dentro de mim qualquer lembrança que me remeta à última vez que me senti desse jeito. Lembro que há muito tempo conheci quem me fez cantarolar centenas de clichês em meio à multidão. Lembro que houve sorrisos espalhados pela cidade em cada canto onde imprimi minhas pegadas. Amei doce e sereno, mas aprendi que não bastava amar sem saber, de verdade, o que era o amor.

Hoje, algumas primaveras depois de me despedir daquela que me ensinou a amar, desconfio que, finalmente, aprendi sobre do que se trata o amor. Desde sua chegada, pude vivenciar na prática o que, antes, só conhecia dentro de leituras soltas em meio a milhões de sentidos. Revisitei meus velhos cadernos de textos e bebi dos versos dos mais boêmios poetas. Busquei notas, ouvi outras canções, rascunhei palavras que descrevessem o que eu me percebi sentindo. Foi então que ergui meus olhos e dei de encontro com os teus. Me peguei amando outra vez. Mas, desta vez, alguém que me ensinou o real significado do amor.

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Vitor Vilas Boas

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