Eu amei com todas as minhas forças.
Senti a coisa mais bonita da vida, mas já não me lembrava disso porque a intensidade do amor que vivi equivalia à metade da força com a qual o poder devastador da tua partida me atingiu.
A partir dali, construí uma vida dedicada a demonizar o amor e tudo que vinha com ele. Para mim, qualquer aproximação era um mecanismo torpe de ilusão para que, depois, essa divindade nefasta pudesse me ver definhar.
Os próximos me diziam que a amargura me levaria à lona. A verdade é que eles não sabiam o que eu sentia. O medo de amar me fez aprender a odiar o amor.
Você plantou uma semente de tristeza no meu coração que criou raízes, tronco e galhos. Tive de aprender a conviver com ela.

Descobri – ainda bem – que nenhum sentimento é eterno. No dia em que ela chegou, não se intimidou em derrubar violentamente a imponência da árvore que se alimentava do breu da minha alma.
Ela era o seu oposto. Ela me salvou.

A verdade – que hoje enxergo cristalinamente – é que eu nunca soube ao certo a correta dimensão do que é o amor. Por desconhecimento, apeguei-me a você com o mesmo desespero de um náufrago que se agarra por sua vida aos destroços de uma embarcação que se partiu. Alimentei-me de tão pouco por desconhecer o tamanho da fome do meu coração. Eu era um menino que achava o seu quintal maior que o próprio mundo, ou um peixe que, acostumado a viver em um aquário, desconhece a imensidão do mar.

Como posso culpá-la, me diga? Não poderia. Quando você me empurrou para longe, atravessei todas as barreiras da minha pequenez e me descobri gigante no amor. E foi vivendo o seu modesto afeto, seu parco amor, tão ordinário, tão comum, que hoje posso valorizar a mágica do extraordinário.

Você tinha palavras medidas, declarações planejadas, e eu tinha descontrole, palavras de amor que saltavam sem ordem do coração. Você assinava cartas apaixonadas com a frieza de seu nome completo, e eu rubricava desde os mais simples bilhetes com um “eternamente seu”. Você me oferecia horas contadas e apressadas; eu ofertava uma vida inteira.

Mas não te julgo, cada um dá o que tem dentro de si. Você tinha pouco, e eu, mesmo sem saber, nasci para o muito. Ao contrário, te agradeço, pois foi o poder da correnteza das lágrimas vertidas que rompeu o véu de ilusão que me fazia crer merecer tão pouco da vida. Hoje, de coração maduro, sou capaz de venerar a mágica desse novo amor.

Portanto, muito obrigado por ser tão pouco.

Foi conhecendo o total desamor que pude abrir caminho para receber com competência a imensidão do sentimento verdadeiro que a vida me guardava.

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Júnior Ghesla, Rafa Lima

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