Eu bati o olho e já não teve volta. Se é verdade que todo mundo tem um tipo, o dela é exatamente o meu. A altura, a cor dos olhos e do cabelo, o jeito de sorrir, a maneira de falar. Engraçado que eu me apaixonei por tudo isso sem sequer ter trocado uma simples ideia com ela. Algo sempre me retraiu, me puxou para trás, me travou por completo. Fiquei que nem criança tímida quando chega visita em casa. Sempre que ela passava eu dava um jeito de me esconder e olhar para ela de longe. Amando, coloquei ela num degrau acima de todo o resto. Acho que foi aí que começaram os erros. Pois desde então não parei de comparar as coisas que me desagradavam nas pessoas a como seria se fosse com ela.

Criei uma perfeição estúpida na minha mente. Pra mim tudo seria melhor se ela estivesse comigo. Deu que demorou para eu conseguir tirar ela do pedestal e trazer para o mundo real. Pra ser corajoso o suficiente para conversar, olho no olho e quem sabe consumar de fato o que apenas existia nos meus sonhos. Amei em silêncio, por muito tempo. Engoli seco todas as vezes que citaram o seu nome para mim.

– Um dia dá certo… – era só o que eu pensava.

Eis que me aproximei de fato e finalmente tive a chance de conquistá-la. Olha que eu insisti… Dei o melhor de mim, fui a melhor pessoa que consegui. Atenção não faltou, admiração tampouco. Não faltou dedicação, nem devoção ou mesmo verdade. Dei espaço quando julguei que poderia estar sufocando, aproximei quando julguei que ela poderia estar precisando de uma dose extra de carinho. Não creio que eu seja tão ruim de julgamento assim, acredito que teve coisa a mais por trás do fracasso nessa minha paixão intensa que se apagou. A chama eu mantive acesa pelo tempo que me foi possível, mas nem todo o fogo do mundo é páreo para um oceano frio e distante.

Sabe quanto é 1×0? É zero.
Ou então 2013×0? Zero também.
Tente 130712×0? Zero.

Veja: quando só um lado tenta, o resultado é sempre o mesmo.

Por essas e outras que deixei todo o meu querer para um outro alguém que mereça. Insistência tem limite, vontade é a gente quem controla e não ela que controla a gente. Olha, bem que eu queria. Desejei que as coisas entre nós fossem diferentes, porém aprendi uma lição valiosa que fica aqui para que não repitam meus erros.

Se não for recíproco, não vale a pena.

Se não for de ambos os lados, jamais passou de ilusão.

E, principalmente: se só você ama, desiste de uma vez.

paulinho rahs

Paulinho Rahs

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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