Eu estava completamente desprovida de armaduras quando te vi aparecer na minha frente. Sobrancelhas grossas, ombros largos e fala macia. Era você e eu não sabia ao certo como agir ou o que sentir, então sorri e foi só o que bastou pra eu abrir a caixinha de lembranças levava teu nome…
Lembrei da última vez que te vi. Mochila nas costas, olhar sério e passos apressados no meio da estação. Você nem me viu, mas eu congelei. Não por medo, não por trauma. Só um sustinho gostoso pra quebrar a rotina. Não nos falávamos há anos… E continuamos sem nos falar por mais alguns, até que quebrei o gelo. Foram alguns minutos, que depois se tornaram alguns dias.
Você contou da namorada nova, eu contei do casamento. Te falei do meu novo empreendimento e você dos planos de ir embora desse país — logo você que nunca teve paciência pra aprender outro idioma. Trocamos um “E a família?” e preferimos deixar esse assunto pra lá. Falamos de antigos relacionamentos que “nos impediram” de manter contato e lamentamos isso, mas acabamos não mantendo contato de novo e tá tudo bem assim.
Sabe, eu queria ter te dito que a nossa história foi linda pra mim. Que foi leve. Eu era leve. Não tinha peso antigo pra carregar, nem mágoa ou resquício de amor inacabado. Você foi o primeiro e, sinceramente, sempre será. Outras primeiras vezes passaram e ainda passarão por mim, eu sei, mas você sempre será você. Não por falta de superação ou apego, mas por termos sido nós, da forma mais pura possível.
Por essas e outras sinto muito por quem veio depois de você, sério. Se eu pudesse, apertaria o “reiniciar” no coração toda vez que um relacionamento chega ao fim, só pra sentir de novo a alegria de todas as primeiras vezes. O primeiro namoro, o primeiro “eu te amo”, a primeira viagem a dois, a primeira noite a sós, o primeiro mergulho, o primeiro abraço de urso, a primeira aliança, as primeiras declarações em público… Até a primeira briga tinha lá o seu charme, porque sempre acabava em “Porque a gente tava brigando mesmo? Deixa pra lá, vem cá”.  E eu sempre ia, porque todas as vezes eram como a primeira.
Nem sei ao certo como foi que chegamos ao fim ou por qual motivo, mas devia ser bem bobo. Já nem importa mais, porque duramos o tempo que tínhamos que durar. O suficiente pra eu te guardar num lugar especial, como tudo que vivemos quando tínhamos que viver. Nos dissolvemos aos poucos e o que ficou foi só lembrança linda, leve, como fomos um dia.
… Tirei a dúvida do rapaz que me roubou um sorriso apenas por ser a tua cara e confesso que não consegui desmanchá-lo, mesmo depois que ele se foi. E foi lindo.  Porque eu e você, nós dois, enquanto duramos, fomos lindos. E fim. 
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