Existe a possibilidade de amar profundamente uma pessoa que não se teve a oportunidade de conhecer?
Não sei se existem estudos a respeito, mas respondo pelo meu coração. Há sim.
Sempre me contaram histórias tão bonitas sobre ti que pude formar a imagem de uma pessoa incrível. Sei que também tiveste defeitos, mas consigo comprovar que tu foste alguém especial pelo fato de que muitas pessoas diferentes me falam de ti com brilho nos olhos. Aquele famoso “ah, ele? Nossa, era uma pessoa incrível”.
Me apontam características que temos em comum e me enxergo nas fotografias que ficaram. Somos de gerações bastante distantes, mas isso não me espanta: teu coração, pelo que me contam, sempre foi muito à frente do teu tempo.
Deixaste por aqui um filho que se tornou pai e que te deu um neto.
Nesse processo, eu aprendi a gostar de ti a partir das histórias que me contaram a teu respeito. Mas é mais que isso. Eu me identifico sem precisar saber de detalhes. Talvez conversemos pelo coração numa língua que, aqui nesse mundo, não dá pra entender direito.
De onde estás agora, podes ver com riqueza de detalhes o que ficou por aqui, mas insisto em documentar: tu estás de parabéns. Da tua passagem, só coisas boas ficaram, só pessoas boas permaneceram e o mundo ganhou muito, mas muito mesmo com a tua ação sobre ele.
Exemplo disso é o quanto tua existência transcende a tua própria vida.
Não precisei te conhecer pra saber quem tu eras. Eu sinto.
Não precisei conviver contigo pra saber no que acreditavas. Eu também acredito.
Não precisei ouvir tua voz pra saber do teu tom. Sempre estivemos afinados.
Ouvi de uma senhora muito simples que tu foste o amor da vida dela. Não exatamente com essas palavras, mas a emoção em cada fonema denunciou a verdade em meio à mistura de timidez e rigidez.
Ouvi dizer que teu canto era adorável. Que teu desejo pelo progresso alheio era sincero. Que teu amor pelos pequenos era bonito de ver.
Tu eras muito simples, mas sábio. Humilde, mas não simplório. Benevolente, mas não permissivo.
Tu eras o equilíbrio.
Não se preocupe pelas histórias que não pôde me contar.
Eu fiquei sabendo de todas, pela boca de mais de um contador.
Não fomos apresentados, mas tenho muito prazer em te conhecer.
Eu não te conheci.
Mas todos os dias soube de ti.

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Júnior Ghesla

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