Nesses dias de silêncios muitos e distância maior ainda, não enlouqueço. Sinto como se estivesse anestesiada, imune a você. Penso com frequência, mas é algo tão nas beiradas, tão imaginário que, por uns minutos muitos, a imagem fica nadando entre o real e o abstrato, até que deixo de acreditar e passo a crer que todo o conto de fadas foi mera invenção dessa minha mente doente e imaginativa.

Sorrio, mesmo assim.

Tem um quê de felicidade escondido, sempre presente, mesmo nos dias que a quietude é tanta, mas tanta, que começo a duvidar, de verdade, das coisas vividas, sentidas, tocadas e me amontoo na fragilidade que é te querer, me esqueço uns minutos e forço o pensamento a te encontrar, a te reencontrar, até que você dance fresco na memória, ainda que não saiba se é tudo imaginário, se você foi, realmente, inventado.

Aí começa a tocar uma música no rádio do carro e eu começo a sorrir com chuva nos olhos, cortando a toda velocidade uma estrada que separa a rotina. Uma daquelas músicas que eu não conhecia, mas que passei a ouvir sempre e sempre e toda vida, porque você me apresentou a ela. Ou então, esbarro, ao acaso, em algo que carrega teu nome. Ou passa uma propaganda na tv e eu caio num riso compulsivo de imenso alívio. Ou me lembro do toque. Do gosto. Da intensidade das trocas de olhares. Do som do riso. Do tom das músicas. Do cheiro fresco do bom dia e da cor azul do nosso céu particular e concluo, recheada de alegria, que seria humanamente impossível inventar tudo isso.

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Mafê Probst

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