Você poderia me beijar na boca coçando minha nuca, como é seu gosto, e eu retribuiria com um carinho leve do lado esquerdo da sua cintura, só porque sei que você se arrepia toda logo de cara. Você poderia me beijar o pescoço, passando a língua bem devagar e me gerar aquele transe de virar os olhos e saltar a alma. Você poderia me beijar o rosto pra logo em seguida mordiscar minha orelha, trazendo o meu corpo pra junto do teu. Você poderia me beijar com força e com a mão no meu pau, pra que assim nos alimentássemos novamente do suor do outro. Você poderia me beijar voraz e longamente, como se estivéssemos destruindo paradigmas, como se esse beijo fosse o marco maior de um acontecimento revolucionário, como se o nosso quarto fosse a Champs Élysées em pleno Maio de 68 numa cena à la “Os sonhadores” de Bertolucci, como se daqui a cem anos os livros lembrassem do nosso beijo sendo o ápice de um momento histórico. Sim, você poderia ter me beijado de todas essas maneiras. E de outras milhões também. Mas você me beijou a testa. E eu fiquei ali parado, olhando pra ti como quem não entendia nada, mas na verdade entendia tudo. Meio atordoado, saca? Você, como se lesse todo o emaranhado de sentimentos que me circundava, olhou calmamente no fundo dos meus olhos e sorriu, tomada por uma bonita paz.

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Brunno Leal

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