Me abandonei. Como alguém que desiste e apenas sobrevive.

Deixei os dias passarem, torcendo para que eles acabassem logo.

Me escondi do mundo, silenciei todos os barulhos, fechei os olhos e mergulhei dentro de mim, mesmo estando tão rasa.
Se eu me machucasse, não faria diferença. As feridas já estavam ali e elas haviam arrancado de mim toda a força que havia aqui dentro.

Nada despertava o meu interesse, nem mesmo tudo aquilo que eu sempre gostei tanto.
A sensação de esgotamento me invadia e o irônico é que eu me sentia completamente vazia.
Esqueci de tudo o que um dia eu já quis, me perdi de mim.

Deixei de lado a vaidade, o cuidado.

Não havia nem resquício de uma vontade de fazer todas as coisas que estavam ali, à minha espera, gritando pela minha atenção.

Mais uma vez, pensei em jogar tudo para o alto, tentando aliviar a dor do nada que me habitava.

Mas, até para fazer isso, a gente precisa de coragem. E coragem era justamente o que me faltava nestes dias tão escuros, cinzentos e melancólicos.

Sei exatamente o que me paralisou, o que arrancou de mim a esperança, o que levou embora o meu sorriso.

Mas sei que a culpa é toda minha por não reagir, por não me revoltar e, principalmente, por não me libertar e me reinventar.
A minha vida já não era a mesma e eu precisava deixar de ser a mesma também. Era hora de me encarar, me transformar.

E esse processo dói… Mas a dor já fazia parte de mim, de tanto que me deixei abater. Ao menos me transformando, a dor me traria algum ganho.
E quer saber? As tempestades fazem parte da vida, mas elas se tornam apenas uma noite fria para quem sabe se aquecer com a fé que carrega por si mesmo. E é essa fé que deve nos mover, acima de tudo, mesmo quando deixamos de acreditar em todo o resto deste mundo.

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Beatriz Zanzini

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