27/11/2017

A sereia

Lá estão os restos da embarcação
Que a mando de seu Capitão,
Velou perto demais dos perigos.
Diz a lenda que, cruzando os mares,
Testemunhou este Capitão encantos mil.
Entretanto, nada do que viu faria pares
Àquela Sereia, feita de tudo que é belo e vil.
Que beleza e vilania são faces da mesma poesia.
À sereia, o Capitão entregou o leme,
As velas e de popa à proa toda sua nau,
E entregou a si ao ouvir aquele canto virginal.
Sua luneta apontava para o risco que se teme;
Mas a bússola, para ela: o Norte é o que se ama.
E por uma noite, ele teve o mar inteiro em cama.
Quando a madrugada vestiu-se de alvorada
Satisfeita em si, a Sereia seguiu sua jornada.
Deixando um homem e seu barco, ambos furados.
Os mastros, tombados; no casco, um corte interno;
E o Capitão, vendo em seu convés o mar de inverno,
Soube que o barco ferido não veria o próximo estio.
E nem ele, pois o Capitão deve afundar com seu navio.
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  1. 👏👏👏 aaaa ❤❤ amei!

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Douglas Cordare

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