FELICIDADE. Essa palavra é forte demais para se sentir quando a vontade é de ir embora. Quando, na realidade, o maior desejo é seguir sem rumo, mas tendo a certeza de que a droga do passado não vai mais perturbar o que era para estar quieto.

Meu coração é uma angústia só. Um poço sem fundo de tanta insegurança, de tanto desamor. É dramático. Eu sei. Mas por trás desse sorriso aberto tem um rio perene de lágrimas no travesseiro, desgostos imensuráveis que não consegui perdoar até hoje.

E, às vezes, eu canso de dizer sim aos risos. Canso e me entrego no barco das insônias profundas, das tristezas mais profundas ainda. O sabor das esperas nem sempre é doce e assim tenho provado. Bebido. Tenho SENTIDO no mais verdadeiro significado da palavra. Porque a vida é essa maré toda, não é? Umas enjoam, outras nos fazem perceber coisas bonitas, outras nos fazem vomitar as verdades que estavam presas. E outras, meus caros… Outras nos afundam mesmo.

E aí, para nadar de volta é difícil, é pesado. Ir contra as ondas parece tão inútil que muitas vezes desistimos e morremos ali mesmo: afogados na imensidão do mar da própria personalidade; do próprio “eu”. É que decidimos, por dentro, fazer-se desistência, desencontrar-se dos próprios amores, preferir ser solidão a ter que refletir sobre a “importância de aceitar os erros alheios, filtrar as palavras que nos machucam, fazer as pazes quando tudo é conflito dentro si mesmo, não magoar ninguém, levantar a cabeça, superar e superar a superação, casar e ter filhos, ser sucesso aos olhos de quem está de fora e amar; amar muito; como se fosse fácil ser todo e completo amor, temos e somos levados ao ‘amar’”.

Que horas eu sigo? Que tempo tenho para aprender a ser o “eu” sozinho, livre para errar e pedir perdão, desejar apenas o suficiente e realizar o que se sonha de verdade sem interferências dos outros? Quanto tempo o mundo me dá para que eu seja a arte que quero ser, as frases sem sentido que quero gritar, a loucura achada nas ilhas das rédeas perdidas ou a decisão de ser quem se é?

Não é injusto ter que esperar do mundo um tempo que é MEU?

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Das Dores Monteiro

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