Não sei lidar com ausências e distâncias. Sou boa em camuflar a rotina, mas sempre tem alguma coisa que fica cutucando. Tem dias que cutuca demais e fica impossível ignorar – hoje é um deles.

Eu estou sentada na mesinha do computador, olhando para o parquinho que construíram em frente a minha janela. Ainda pouco tinha um monte de criança brincando de escorregar, sem se importar com o dia de amanhã, sem lamentar que é domingo. Era visível a preocupação no riso infantil: o que vai ter de janta? Será que tem sorvete?  Agora o parquinho está vazio, e não é mais tão bonito como estava ainda pouco. Acho que são as crianças que fazem um brinquedo. Sei lá.

A única luz acesa aqui de casa é um abajur que fiz. Uma garrafa transparente de um vinho rosè que bebi, cheia de luzinhas de led que não piscam. Fiquei frustrada quando liguei e vi que não piscavam, mas agora agradeço o deslize. A luz é branca e fria. Contraste com a escuridão quente desse fim de dia.

Eu estava trabalhando, juntando uma palavra na outra para ver se calava algumas coisas que gritam aqui dentro. Não é nada sério, mas é bom pôr os pensamentos no papel para ter uma noite de sono tranquila. Sonho meu. Dormi a manhã inteira e antevejo uma demora para cair no sono – faz parte. Rotina de todo domingo.

Reli algumas coisas antigas e outras novinhas, recém descobertas. Vi o parque sem riso, o céu querendo chover e o silêncio desse fim de dia. O cutucão veio mais forte, quase me dobrando ao meio.

Eu não sei lidar com ausências e distâncias

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Mafê Probst

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