Hoje a saudade bateu mais forte. Mais do que o que já se tornou normal. Ainda temos o que conversar? Talvez sim. Hoje é o silêncio o que corta. Os espaços vazios que se tornaram presentes a todo momento me fazem olhar para trás, carregando o peso de um presente-passado, “uma vontade tamanha de não ter mais vontade”. Escrever aqui ainda alivia quando na verdade não sei se devo falar. Às vezes, transformar tudo e fazer chegar até você em forma de palavras escritas, dói; mas calar a boca e aquietar as mãos dói muito mais. Não é dor, é incômodo, é agonia.

Te quero presente. Como sempre esteve. Mas, aqui. Na mente teu lugar é certo, isso você pode ter certeza: está na música ouvida, na placa da entrequadra, está na placa daquele bar, no café, na Heineken, no trabalho, na sala 12, na boca de quem me pergunta sobre ti. Penso por míseros segundos que não deveria te deixar saber de tudo isso, mas não tenho formas de esconder as coisas de você. No fundo, talvez, até pelo telefone, você já saiba de tudo. É, acho que são essas coisas que não mudam, você me conhece e por mais que não questione sei do que pode estar passando pela sua cabeça.

Ainda procuro formas de entender o que aconteceu. Talvez tenha fechado os olhos e me negado abrir qualquer brecha para enxergar as possibilidades. Possibilidades que nunca me intimidaram até baterem à porta do racional e me acordarem para o risco do passado. Tudo estourou na mão enquanto armaduras e escudos se encontravam em indisponibilidade. Mais fácil crer que de certas coisas não há como se defender, tem que deixar ser. Se der, viver. Quebra-cabeça com peças perdidas. Peças essas que ou nos fazem abrir mão ou convocam o tempo para ajudar a achar.

Qual sentido disso tudo? Aprender, reconhecer o quê? Tudo para encaixar em letras musicais e para bombar de inspiração os parágrafos melosos de um texto que precisa sair ainda essa semana? Muitas perguntas sem respostas, muitas coisas precisando de encaixe, muito tudo para ajeitar e bagunçar. Ter de respeitar o tempo, os momentos, os acontecimentos tem sido complicado, afinal nunca fui mesmo do “ter de”. Esperar jamais foi meu forte, tenho uma pressa que vai além do que deveria. Acontece que isso, quando a questão é você, passa quando vejo que ao redor nada me interessa. Isso é coisa de quem vê portas de saída, mas, no fundo, não consegue destrancar. Isso é coisa de quem quer procurar as peças perdidas e ficar.

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Thais Oliveira

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