Primeiro eu me questionei várias vezes se tinha algo de errado comigo. Lá fora estava o barulho silencioso da vida, as pessoas andando, conversando, carros passando e aqui dentro, o silêncio ensurdecedor de um barulho horrível. Eu estava me culpando mais uma vez por ter dado errado. Mais uma vez. Outra partida e eu não sabia o que fazer, não sabia lidar com isso. Eu acho que nunca vou saber. Eu acho que o problema é o que fica, o que fica na gente quando o outro vai embora. Se eu pudesse eu matava toda e qualquer lembrança, tipo resetar mesmo sabe?! Te apagava da minha memória e junto, toda e qualquer coisa que me lembrasse você. Eu não quero lembrar de nada. Não quero lembrar que foi bonito, não quero lembrar que escrevi versos e sonhei, não quero lembrar que acreditei em tudo. Não quero lembrar que parecia ser de verdade, mesmo sendo mentira. Não quero mesmo lembrar que foi ilusão, se dentro de mim foi tudo verdade, mesmo sem tua reciprocidade.

Eu queria mesmo apagar da memória. Apagar o dia que te conheci, apagar a primeira vez que te vi. Queria apagar tudo. Levantar amanhã como se eu nunca tivesse te conhecido e nada disso fizesse parte da minha história. Isso pode parecer radical, mas não é pior do que essa tua partida sem despedida. Eu não quero desculpas, eu não quero um “sinto muito”, porque a gente sabe que você não sente porra nenhuma. Afinal de contas, quem sente alguma coisa tem a sensibilidade de ter respeito com o outro.

Quando você foi saindo aos pouquinhos, meu coração começou a chorar. Eu senti meu peito queimar por dentro. Uma coisa estranha, parecia que estava tudo se dilacerando. Quando eu vi você colocando um “fim” entre nós, sem nem mesmo de mim se despedir, eu levantei a cabeça. A partir dali levantei a cabeça e fiz uma promessa para mim mesma, ainda que eu tivesse todos os motivos para insistir em nós, eu iria desistir. Não desistir por simplesmente jogar a toalha, mas desistir por mim. É que estava me matando aos poucos essa mentira velada. Estava me adoecendo, pensar e sonhar por dois. Estava pesado o fardo que se tornara a nossa história. Eu estava desistindo por mim, e mesmo assim doeu. É que desistir, demanda muita coragem. Já falei uma vez e vou repetir, desistir é um grande ato de coragem. Então hoje, bandeira branca. Pode cruzar a porta e lá fora, no mundo lá fora, não tem a menor responsabilidade de se quer me reconhecer. Eu não acho que precisamos manter as aparências. Você fodeu com tudo de esperança que eu ainda podia ter. Esperança? Mesmo depois de tantos joelhos ralados e corações partidos? Sim, mesmo depois disso tudo, eu ainda tinha esperança e ainda acreditava que um dia, em algum lugar, enfim…

Mas de qualquer forma, eu ainda acredito em mim e eu sei, que eu não vou me trair com mentiras veladas. Eu, vou fazer de tudo para me ver feliz e pode ter certeza, vou me amar mais que ontem, mais do que dia em que te conheci. Vou ser o meu amor por mim, e não tenho dúvidas de que farei isso melhor que você. É que demorou, ralei muitas vezes o joelho, mas descobri que ninguém nunca poderá nos amar como nós mesmos. É que dessa vez, meu curativo se chama amor próprio. Prático, rápido, eficiente e certeiro!

É, pode ir, teu lugar já não tá mais vago. A parte que era tua, tomei de volta. Ali, está a parte que não se importou e nem chorou ao te ver partir. Me cuido, me mimo, me amo e sim, faço isso melhor do que você!

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Thamires Benetório

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