Não foi planejado. Era pra gente se esbarrar por aí numa madrugada fria de agosto e depois seguirmos com a vida. Era pra você ser só mais uma voz gostosa que eu ouvi cantar num bar, que me encantou e que eu nunca mais veria. Era pra eu ser só mais uma moça com cabelos ao vento que te chamou a atenção e que depois você esqueceria. Você voltou. Eu não te esqueci. Nos reencontramos.

Era pra ser só um beijo ou, talvez, só mais dos teus contatinhos. Talvez eu fosse só uma transa num desses quartos de motel onde você levava “só amigas”. Talvez eu fosse, realmente, só amiga. Apenas uma pessoa que iria passar sem a menor intenção de ficar (como tantas outras que passaram por você). Os beijos se multiplicaram. As noites se repetiram. Eu fiquei.

Não era pra ser, mas quando os nossos lábios finalmente se tocaram, quando os nossos corpos arderam, quando os olhos se encontraram, não deu pra segurar. Não tinha como simplesmente virar as costas e ir embora. Quando o apego pega de jeito, o corpo treme, a fala some, as mãos pingam e o estômago congela. Como digerir borboletas? Não deu pra fugir.

Perdi as contas de quantas vezes você jurou nunca mais me olhar, quantas noites eu pedi pra te esquecer, quantos outros corpos procuramos por aí na esperança (geralmente frustrada) de preencher um espaço que, embora tentássemos ignorar, tinha nome, sobrenome e endereço. Engraçado é que no meio dessas buscas a gente sempre acabava se esbarrando por aí. Nos bares, entre um café e outro, um olhar perdido no meio de uma canção com a voz trêmula, num gole de cerveja, ou entre um cigarro e outro num banco de praça, pra contar as novidades.

Eram raros, eram rápidos, mas eram nossos momentos. Mesmo com todas as partidas, aguardávamos secretamente pela próxima chegada, sempre sutil, discreta e disfarçada de amizade inocente, de carinho ingênuo e tesão puramente intelectual. É, meu bem. Não foi mesmo planejado ou calculado. Não foi pedido, embora tenha sido silenciosa e secretamente desejado.

Eu e você. Nós. Não era pra ser. Mas foi. E ainda é.

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Giselle F.

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