Ele parou em frente à minha casa amiga. Parou aqui na porta em uma Hilux branca, com o sorriso mais lindo que já vi na minha vida. Quero te contar tudo, mas não vou entrar muito em detalhes ok?! Só vou dizer que ele estava com uma camiseta branca e um jeans que favorecia muito seu bumbum. Estava tão cheiroso, um perfume que me conduziu naquela noite. Me perguntou onde eu queria ir. Você sabe, eu sempre escolho pizza, sempre vou escolher pizza. Para mim é maravilhoso pizza, mas para o mundo, parece sempre uma escolha banal, comum e nem um pouco criativa. Como não queria parecer boba, deixei ele escolher. Com a voz mais doce do mundo e um riso bem fácil, lhe disse: -Você quem sabe. Você escolhe – tá, eu sei que isso nem combina comigo. Mas acontece que porra, eu queria ser legal. A noite estava fresquinha e pela primeira vez eu experimentei comida japonesa. Entre nós, realmente, eu preferia pizza. Mas aquele sorriso era tão lindo, que eu podia comer até pedra naquele momento que não iria reclamar. Foi uma noite tão agradável. Conversamos sobre várias coisas. Sim, eu contei minha vida, falei de política, de amores, e do quanto sou feita de amor. Ele me levou para casa e parecia que estávamos flutuando. Tudo se encaixou e parecia que o cupido havia no flechado. Tivemos um segundo encontro e andamos de mãos dadas. Nos beijamos sob um lindo luar e nos abraçamos como se nossos corações fossem íntimos. Mas algumas semanas se passaram e ele emudeceu. Ele simplesmente sumiu e se recusa a responder qualquer mensagem minha. Eu sei amiga, você vai dizer que eu errei mais uma vez né?! Vai, eu sei que vai dizer que falhei e que eu não deveria ter saltado de cara, porque hoje não existem mais piscinas profundas. Como você sempre diz, as pessoas não possuem mais profundidade. Mas acontece que você me conhece, eu não me contento em simplesmente molhar os pés. Eu preciso mergulhar. Eu preciso daquele momento em que consigo ver o outro estado da vida, a outra forma de abraçar o mundo. Eu não nego que talvez tenha falhado, realmente eu sempre faço um monte de coisas do jeito errado. Mas antes que me dê aquela bronca de sempre, aquele sermão, que eu nem vou retrucar desta vez, prometo, me diz qual o segredo do calor em uma geração totalmente fria? Enfim, mande notícias amiga.

Com carinho, Alice….

Enquanto isso…

Florescer em meio ás pedras é um ato de coragem

CORAÇÃO MASCARADO, 27 DE ABRIL, DE 2010.

Minha querida, saudade de você e dos seus casos -e acasos- que sempre me fazem refletir sobre algo. Primeiramente, vamos comemorar o fato de você ter se permitido mudar um pouco e ter apresentado ao seu paladar novos gostos. Sair da pizza fez bem. Provar novos gostos e sabores. E isso a gente leva para a vida (risos). Muito feliz por saber, também, que você pôde experimentar essa sensação de encaixe perfeito e pés nas nuvens, mesmo que agora esse cara esteja agindo como um tremendo cafajeste. Daquele tipo que parece armar tudo minuciosamente e logo depois que consegue o planejado, cai fora. Você sabe, minha amiga, eu me faço de durona mas no fundo (ou nem tão fundo assim) sou mole feito gelatina. Finjo que nunca mais caio em nenhuma cilada e basta ver uma luzinha piscando no fim do túnel, que corro feito uma louca em busca dela. Mas é tanta porrada na cara que a gente vai, mesmo sem querer, mascarando o coração. Inventando umas desculpinhas esfarrapadas para dizer que anda blindada, entende? Está tudo tão raso, que a gente finge que é até bom não existir mais profundidades por aí. Só para correr o risco de se afogar? Melhor não. Mas é tudo balela. Afogar-se é o que a gente mais quer. Por isso, não se assuste minha amiga, mas eu te entendo perfeitamente. Conheço você o suficiente para saber que não ia conseguir esperar mesmo para se atirar. E está tudo bem… Ser flor em meio a tantas pedras tem dado um trabalho danado, não é? Mas não fica assim não… Uma hora aparece alguém para te regar com todo amor e afastar todos os espinhos de perto de você. Ainda não descobri esse segredo, mas prometo que quando descobrir compartilho com você imediatamente. Até lá, minha grande amiga, vai florescendo daí, mesmo que os ventos não soprem ao seu favor. Seja resistente. Seja transparente. A partir de agora, o único sermão que vou te dar, é quando souber que você deixou de acreditar. A vida tem me ensinado que todas essas armaduras que colocamos e tudo isso que fingimos não sentir, nos pesa. Atormenta. Maltrata e faz a gente perder o que de melhor há nessa loucura toda: a capacidade de sentir as sensações entrando por cada poro da nossa pele e arrepiando nossa alma. Se isso acontecer, é melhor já ir em busca do atestado de óbito (risos). Grande abraço, minha querida.

Com amor, Liz…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Ana Luiza Santana, Thamires Benetório

Tags

,