Hoje, sozinho, vejo quantas oportunidades eu perdi exclusivamente pela minha incapacidade de perceber que a fortuna tinha feito morada na minha vida. Cada tijolo colocado para a construção do castelo da minha sorte foi sumariamente devastado pela violência do meu medo de ser feliz.

Quantas vezes me prendi ao teu passado. Quantas vezes questionei o quanto aquele cara podia ter sido melhor que eu. Quantas vezes eu pensei que, a qualquer momento, tu voltarias atrás na tua decisão e retomaria uma vida que, nos meus olhos cegos de insegurança, era muito melhor.

Agora, longe, consigo perceber as coisas de forma mais clara. O tamanho do teu amor por mim. O olhar carinhoso que tinha para cada conversa. O abraço sincero que me acalentava nos dias tristes.

Eu não te perdi pra ele. Eu te perdi pra mim.

Fui idiota ao ponto de não acreditar que eu merecia o melhor. Estava condicionado a achar que o que era bom não era pra mim.

Tu seguiste tua vida, segura como sempre. Eu mantive o câmbio na segunda, com o motor chorando e com uma apatia que me tornou incapaz de acionar a embreagem e mudar a marcha da minha vida.

Me prendi ao teu passado e não vivi nosso presente. Me prendi ao teu passado e esqueci que tu eras, verdadeiramente, um presente, o meu presente. Me prendi ao teu passado e boicotei uma chance linda de ser feliz pra sempre.

Tua passagem por mim foi tão linda que, ainda que eu sofra por ter feito tudo errado, sinto um calor no coração que me diz que tu deixaste o teu melhor comigo.

Eu me prendi ao teu passado, não vivi nosso presente, mas a tua existência pode ter criado o meu futuro.

Eu ainda te quero pra sempre mas, ainda que isso não aconteça, sei que te trago comigo em cada momento em que julgo não merecer a felicidade. Tu és o anjinho que surge no meu ombro esquerdo e diz que eu mereço, sim. Mereço muito. Mereço mais que ninguém.

Foi perdendo os dias mais felizes da minha vida que percebi o quanto ela é efêmera.

Foi te perdendo que eu percebi quantas vezes a alegria bateu na minha porta e eu, antissocial, lhe bati a porta na cara.

Foi te perdendo que eu me afundei no lamaçal desse tal medo de ser feliz.

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Júnior Ghesla

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