Já tentei ser mais constante, mas não me acostumo. Não sei ser periódico, metódico e prestativo, não faz parte de mim comparecer, dizer um alô, mandar recado. Minhas saudades pertencem somente a mim e não preciso espalhar para o mundo que queimo por dentro, que arde o peito e que choro, escondido. Sou aquele que chamam de “sumido”. E sumo mesmo, apesar de estar sempre no mesmo lugar. Talvez seja isso. Esse quê de ser invisível, distante de tudo, sentado num quarto escuro, com um celular vibrando nas mãos.

Não sou bom em disfarçar, então eu me calo, eu me anulo. Digo aquilo que convém e ninguém percebe que as palavras são vazias e distantes. Não faço questão que percebam, de todo modo. Me acostumei a oferecer ausência. E de tanto tentar me fazer presente em histórias que se perderam no passado, acabei perdendo a vontade de ter alguma participação no futuro. Permaneço preso entre a saudade e o orgulho. Tento recomeçar, mas já não sei mais como dar o primeiro passo. Já dei passos demais – em vão.

Eu nunca fui uma pessoa solitária, mas a solidão se acostumou a me dar abrigo. Fui obrigado a me dividir entre pessoas que já não me consideravam como parte de suas histórias; e ao invés de compartilhar quem eu era, me vi desaparecer – aos poucos. Sou feito de um amontoado de lembranças que tinham tudo para virar saudade, mas que acabaram virando passado. Me tornei invisível. Quem me conheceu já não sabe mais o que dizer sobre mim. O celular continua vibrando em minhas mãos, e eu só não atendo porque já não sou a mesma pessoa que passou este número para alguém.

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Mafê Probst, Neto Alves

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