Nem todo herói usa capa. O meu irmão usa, porque ele é o Batman. Como eu sei? Eu nunca vi meu irmão e o Batman no mesmo lugar. E isso explica muita coisa.
Eu acredito muito em Deus. Muito mesmo. E sei que ele me ama quando escolheu o meu irmão pra ser o meu mentor da vida.
Eu tô longe de ser o garoto prodígio, até porque eu nunca fui muito bem no colégio. E ele faz questão de sempre contar a história do dia que foi na minha reunião do terceiro ano e os professores falaram de uma possível reprovação, mas isso é assunto pra um outro momento, sentados à mesa e tomando uma cerveja.
De prodígio, talvez só nessa arte de escrever mesmo. E, entre uma zoação e outra, ele faz questão de me apoiar.
Meu irmão mais velho é um cara bem turrão, sabe? Mal-humorado, sempre. Com um coração gigante eternamente. E é por isso – também – que eu o chamo de Batman. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
O Batman não tem superpoderes. Meu irmão também não. Mas isso nunca impediu que ele me salvasse. Quantas vezes ele me colocou na bat-moto e saiu costurando o trânsito pra me deixar no serviço? Ah, no hospital também, porque como ele mesmo diz, eu sou todo estourado na vida.
O cinto de utilidades dele sempre me salvou de várias enrascadas, como trocar a resistência do chuveiro. E entre uma risada e outra, matava um monstro chamado barata.
As brigas que eu arrumava na rua a gente pula. As 27 vezes que eu fui assaltado e ele estava ali do meu lado a gente não anula.
A vida quis assim. Que eu aprendesse a ser homem com ele e ele cuidasse de mim.
São três anos e meio de diferença e acho que agora a gente tá vivendo a melhor fase dessa parceria. Agora eu sou tipo-um-adulto-quase-prodígio me aventurando pelas ruas de Gothan City. Ele tá curtindo a vida de casado com uma mulher incrível e, enquanto sobe na laje pra arrumar a antena da TV, me manda um bat-sinal, dizendo que vai estar sempre olhando por mim.
Talvez eu esteja chorando enquanto escrevo esse texto, mas disfarçadamente, igual no dia que eles me convidaram  pra ser padrinho de casamento e no sábado passado, dizendo que vou ser padrinho do filho deles que ainda nem existe. Alguém me traz um bat-lenço, por favor?
Nem todo herói usa capa. Mas o meu irmão usa. E quem falar que é exagero, não tem a sorte que eu tenho.
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Diego Henrique

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