As ligações não atendidas. As mensagens que nunca eram respondidas e quando eram, vinham com respostas vazias. O beijo gelado e o abraço frio. Muitas vezes não percebem, mas o maior inferno é ter sem que o outro lhe pertença. O maior inferno, foi tê-lo aqui, com a mente lá. Deleitar-se em braços frios, é o mesmo que deitar esperando pelo vento frio a noite. Aquele vento gelado, sorrateiro, em que mesmo estando coberto, a gente ainda precisa se espremer debaixo da coberta.

É que de todas as palavras ditas, a que mais doeu, sem dúvida foi o silêncio. Mas ainda assim, eu preferia o silêncio, ao invés de ter que escutar em teus olhos perdidos durante o nosso passeio à tarde, o barulho, o ruído de um outro alguém. Escutei em teus olhos perdidos durante todo jantar também, as fotografias da sua memória, de uma lembrança que não era nossa. Estava nítido, por mais que negasse, já não estava aqui. Apesar de ter tentado, já não fazia mais parte dessa história. Talvez eu tenha perdido o rumo, quando perdi o prumo no meio do caminho. Perdi meu chão quando comecei a perceber que tua trilha já não encontrava mais com a minha. Você sempre desviando, mas com o passar do tempo, o caminho foi se estreitando e já não tínhamos mais como esconder, a tua trilha é outra, tua estrada hoje, é outra. Eu sinto muito e me é doloroso ver que nossos caminhos já não se encontram como antes. Esse tipo de coisa enchia o meu peito, hoje só me frustra.

O que mais dói não é saber que teu caminho não cruza o meu. Porque as nossas estradas são longas e eu sempre fui viajante, sei que em algum momento, vou encontrar uma nova companhia. O que mais dói mesmo, é o inferno de conviver com essas coisas ditas, sem ser ditas. O silêncio ensurdecedor, o ruído de uma nova história em seu olhar e os capítulos dela sendo escritos em cada sorriso teu, quando se perde em momentos que não são meus, não me incluem.

Eu sempre acreditei na força do amor. Sempre acreditei que quando nos apaixonamos, tornamos realidade coisas e detalhes minuciosos que vivem em nós. Sou de fé, daquelas que sempre persistem no amor e por isso eu sei, que até mesmo nos cantos mais obscuros desse planeta, é possível florir o amor. Por isso, eu não lhe condeno. Independentemente de onde tenha sido e como tenha ocorrido, pelos teus olhos eu vejo que o amor floriu.

A única questão aqui, é que esse teu jardim regado de esperança, doce feito teu sorriso em frente ao celular, é o meu inferno. É o meu inferno te abraçar e saber que esse abraço não é meu. É o meu inferno te beijar e saber que o sabor não é o mesmo. É o meu inferno te pegar pelas mãos e saber que se prepara para soltá-las. É o meu inferno, saber que está aqui sem estar. E como já não sei lidar com isso. Como não sei lidar com a falta da doce e harmoniosa reciprocidade, hoje eu reconheço, meu inferno é te amar. E amanhã, meu inferno vai ser te amar sem querer amar. Mas perseverante mesmo com dor, eu sei, até no inferno existe amor!

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Thamires Benetório

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