Não quero namorar. Sério. Assim, do jeito que as pessoas sabem como funciona o namoro de hoje em dia. Conhece hoje, namora amanhã, o primeiro “eu te amo” surge no início da segunda semana, juras de amor eterno, planos de casamento, casa, carro, cozinha planejada, crianças, cachorro, cama king size, cafeteira elétrica e aquela coisa de coisar bolo. Ufa! Não rola! Serião! Conhecer os pais, apresentar aos amigos, fazer média com os sobrinhos, aniversário dos primos, avós, cachorro, gato, vizinhos… Namoro cheio de convenções sociais, regras de etiqueta, esquema padronizado com dia, hora e lugar para se estar de casal nos próximos dez anos… Detalhe… sendo que isso tudo só dura, no máximo, 3 meses. E depois parte-se para outra. Tudo novamente. Conhece hoje, namora amanhã, o primeiro “eu te amo” surge no início da segunda semana… Ok. Você já sabe como continua essa história.

Ando bem cansado desse mundo mecânico. As pessoas confundem demais as coisas. Confundem individualidade com individualismo, reciprocidade com dependência, companheirismo com mera companhia, doação com obrigação, confundem carência com amor! Quando foi que o mundo se transformou num mar de gente rasa, vazia e egocêntrica? E nem pense em colocar a culpa no Tinder. A razão da sua existência é justamente reflexo do que se encontra por aí. Aproveitaram uma oportunidade e… pimba! E aí veio mais um aplicativo, outro, mais outro… e assim por diante. Ok. Não é regra. Mas também não chega a ser exceção. De vez em quando rolam umas histórias interessantes que surgem a partir desses encontros virtuais. Encontros casuais que, por obra do acaso ou destino, se tornam uma relação que ultrapassa esse namoro tão pragmático do mundo moderno.

Quer dizer que abomino o namoro e sou totalmente desesperançado com as relações amorosas? Não. O que tem me incomodado é só o contorno que os relacionamentos tem ganho nessa nossa modernidade. A gente que busca o equilíbrio nesse quesito que é o amor (ou o “sermos dois e sermos um”), deseja ir muito mais além do que a denominação de “namorada(o)”. Afinal, não basta estar namorando, não é algo que se põe da boca pra fora assim. Mais que ter ou estar, é preciso ser. A ideia de “estar” com alguém parece ser tão banal, um jogo de conveniência, uma simples troca de favores. Você nutre a minha carência e eu nutro a sua carência. Sobre o “ter”, nem preciso falar, né?! Ninguém é objeto de ninguém, ninguém tem a posse sobre ninguém. Porém o ser…

Somos seres únicos. Estamos em constante busca de nosso equilíbrio para que sejamos sempre a melhor versão de nós mesmos. E estando em equilíbrio conosco, podemos encontrar quem, em equilíbrio consigo, esteja igualmente disposto a compartilhar a sua vida. Aí sim, não devemos ir em busca de nossa “cara metade”. Ser metade é estar muito distante de estar em equilíbrio. O amor não é uma simples soma como 2 e 2 são 4, mas uma média aritmética simples. A soma de duas pessoas em equilíbrio, dividindo vida, sorrisos, beijos e reciprocidade. Daí se chega ao resultado final. O propósito do encontro, o transcender do “sermos um”. Então não quero namorar, não quero me limitar a um termo banalizado por toda essa modernidade tóxica. Quero muito mais do que isso. Quero ser história. Quero pecar pela luxúria de amar, mas também ser alvo do pecado de alguém. Quero companheirismo, reciprocidade, respeito mútuo, liberdade para poder voar sem limites estabelecidos. Mas voar a dois. Começar com um “de hoje em diante” e terminar em “felizes para sempre”. Não como nos contos de fadas, onde tudo é perfeito. Quero a vida real, com defeitos, batalhas e conquistas. Mas alcançar a felicidade plena como um desejo comum a dois sem prazo de validade.

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Parabéns pelo texto. Amei!! Lindo e verdadeiro. Concordo em genero, número e grau! Continue escrevendo!

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Vitor Vilas Boas

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