Quero sentir o suor escorrendo entre as minhas digitais e me devolvendo a sensibilidade das mãos, depois de passar tanto tempo com as emoções congeladas. Eu quero secar as gotas de chuva dos meus olhos e limpar o céu cinza que se formou meu estômago, porque o clichê das borboletas fica bem mais bonito com céu azulzinho. Eu quero caminhar em nuvens, mas com os pés no chão dessa vez.
Eu quero deixar a imaginação voar como balão, sem medo de palavra-agulha por perto só pra estragar o prazer. Eu quero sonhar. Dormindo. Acordada. Com alguém. Ou só comigo. Eu quero a casa arrumada e perfumada pra receber quem e quando eu quiser. Eu quero o copo cheio nas mesas de bar e o peito cheio de paz. Eu quero o corpo aberto pra receber abraços. Eu quero abraçar tudo de novo, menos o mundo. Esse eu descobri que, por mais que eu queira, não cabe nos meus braços. Mas cabe alguém — “Cabe o meu amor”…
Eu quero acordar com cheiro de café fresco passando pela frestinha da porta do meu quarto bagunçado. E se não tiver café, tudo bem, eu quero a bagunça mesmo assim. Porque descobri, também, que isso de ser toda certinha para me encaixar em padrões sociais ou em outras vidas não vale o esforço. Não vale a pena. Tá fora de moda, mesmo que eu nunca tenha sido o tipo que segue tendências.
Quero poder fazer planos. Para daqui a dois minutos, pro fim de semana, pro ano que vem e pra sei lá quando. Quero ter esperança e acreditar, de novo, que eu tenho todo o tempo do mundo, mesmo aproveitando cada segundo como se fosse o último — olha aí mais um clichê. Porque não quero a pressa. Não quero os minutos contados, a rotina cheia de regras e medos ou o pensamento tão quadrado a ponto de esquecer que a vida é um círculo lindo cheio de idas, vindas e voltas.
Eu quero voltar a olhar o mundo com olhos de criança e coração de poeta. Quero sorrir vendo o casal de velhinhos discutindo no caminho até a padaria. Quero envelhecer até perder as contas de quantos momentos inesquecíveis eu já vivi. E se tiver alguém pra se perder comigo, vai ser lindo. Eu quero discutir, sobre o que quer que seja, porque aprendi que isso também é amar. Eu quero brigar pelo último pãozinho fresco e acabar dividindo o misto quente na metade.
Mas não tô afim ser metade, de ninguém. Perdi uns pedaços meus quando acreditei que faltava alguém para me completar. Tudo mentira! Eu não quero a falta, quero a escolha. Quero transbordar. Quero ser inteira e, quem sabe, encontrar uma outra pessoa inteira afim de amar. E se não rolar, tudo bem também. Porque já não tenho mais a necessidade de pertencer a ninguém além de mim.
Quero me olhar no espelho depois do banho e amar cada curva, cada dobrinha, cada ruga, mancha, celulite, pêlo, cicatriz e tudo que sou. Eu quero ser olhada, daquele jeito que faz perder o ar e brotar um sorrisinho no canto da boca, fingindo timidez. Eu quero não me importar com o que vão dizer se eu amar meu biquíni novo e desfilar com ele numa praia qualquer por me amar demais pra ligar pro que vão dizer.
Por fim, eu quero um dia ter a certeza de que eu vivi tudo que eu pude, tudo que eu quis e tudo que a vida guardou pra mim, da melhor maneira que consegui. Eu quero amar de novo, e de novo, e de novo, até um dia dar o meu último suspiro e não restar dúvida de que quando alguém perguntar por mim a resposta seja: Ela plantou amor por onde passou.
E que na próxima vida eu queira começar tudo de novo.
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