Eu tô uma confusão só, um futuro incerto acabou de bater em minha porta, ele é incrivelmente maravilhoso, possuímos algumas diferenças e eu não queria que fosse de outra forma.

Ele vive a me dizer tudo que sempre quis ouvir, ele sorri, ele me faz sorrir, ele me enche de mimos, carinho, ternura e me fala de um amor que até hoje eu fui a única parte a doar, sem realmente fazerem o mesmo por mim.

Conquistou a todos em doses de segundos, entrou nas piadas da família, conquistou a admiração da minha mãe, ele tem se esforçado para fazer morada em meu coração, e por mais que todo mecanismo do meu corpo insista para que eu me entregue a ele, ainda existe aquela parte que pertence a você.

Todos meus medos, inseguranças, toda aquela velha dor tem virado visita frequente, e é um porre reviver os fragmentos do seu adeus. Como irei me entregar a uma nova pessoa se ainda tenho a lembrança de seu último abraço me queimando a pele e rasgando a alma?

Ninguém nunca me feriu tanto quanto você, por mais que você mereça o esquecimento, tudo em mim ainda implora para que eu volte para a nossa história e diga a esse novo alguém que aqui o lugar sempre será seu.

Eu só queria poder ter a certeza que ele não irá me abandonar quando finalmente eu me declarar, ou que ele não vá soltar a minha mão quando as coisas ficarem difíceis, eu só queria que ele nunca viesse a desejar um novo amor, que ao meu lado ele escolhesse sempre novos cenários, mas que nossas raízes fossem gravadas na história de um capítulo diferente e singular.

Onde juntos construiríamos novas memórias onde você não fosse lembrado, e que ele ao meu lado escolhesse morar, e juntos viveríamos tudo aquilo que um dia você teve a chance, mas escolheu então me abandonar.

Eu simplesmente te apaguei da minha vida. Como um sorvete que no final só sobra a colherinha de plástico indo ao lixo, ou a areia da praia que deixa meu corpo durante o banho, me desfiz das recordações como o carvão a queimar na churrasqueira em brasa, abri a janela e deixei o vento levar as últimas cinzas embora.

Tudo novamente na simetria perfeita, a não ser pela minha memória que filtrou todo amor em um HD criptografado e inviolável. E sempre que a saudade aperta eu me lembro que posso conhecer novas pessoas, provar novos beijos e me deleitar em outros corpos, posso tentar me livrar de todos os vestígios do que um dia pertenceu a nossa história, mas jamais poderei fingir que ela realmente não existiu. Ah se eu pudesse…

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Re Vieira

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