Você não me deve nenhuma satisfação. Só que depois de tudo que aconteceu, esse relacionamento merece uma carta póstuma com algumas verdades.

Eu sabia de tudo.

Sei que o universo de possibilidades flutuando na sua mente agora é vasto. Não renegue nenhuma. Eu provavelmente sei de todas. De todas as realidades.

Só não tive coragem de pôr fim a isso antes porque me alimentei de um amor que só existiu pra mim, de um respeito que só eu tive por você, de uma vontade de fazer dar certo que partiu só de um dos lados.

Na sua ânsia por uma vida intensa e cheia de aventuras, não teve tempo pra aprender sobre mim, sobre tudo o que eu desejo e sou, sobre a vastidão que existe dentro do meu peito. Como a minha proposta era outra, fui capaz de te enxergar por dentro. Não foi a melhor das visões. Não era tão bonita quanto a do teu exterior. Ainda assim, eu tentei.

Viagem a trabalho? Eu sabia que sua função não exigia isso. Mas deixei ir. Dizem que o que é nosso volta. Você sempre voltou. Seu coração, nunca.

Meu olhar apaixonado se perdia no teu olhar perdido. Minhas palavras sinceras se despedaçavam nas tuas frases feitas. Minha vontade de ser batia o nariz na sua vontade de ter.

Dez, vinte, não sei quantos caras como eu caíram na sua conversa. A diferença é que, depois de uns poucos dias, eu percebi de verdade quem você era.

Essa relação durou mais do que deveria, mas, no fim das contas, aprendi como nunca.

Eu amei de verdade. Amei teus defeitos. Te amei ao ponto de acreditar no que você me dizia olhando nos olhos.

Mesmo enganado e devastado, perguntando porque eu não me dei conta antes, tenho uma certeza: quem mente olhando nos olhos não pode ser boa gente.

Meu erro foi amar até mesmo o teu jeito de mentir.

De mim, você extraiu amor, energia, algum tipo de admiração e grande parte dos meus sentimentos bons. E isso te sustentou por um tempo. Depois, veio o desafio que te move: equilibrar pratos. Ver quanto tempo consegue enganar muita gente sem que ninguém descubra.

Não interprete o que direi a seguir como uma frase pronta, como uma negação ao que me aconteceu, como algum tipo de superioridade que eu queira mostrar mesmo estando em frangalhos. Eu choro, mas dentro de mim existem convicções importantes. E uma delas é que, no fim, valeu muito a pena.

Foi um intensivo. Um curso de trinta anos em doze meses. Uma lição rígida, mas sem rodeios.

De uma vez, aprendi tudo o que eu não quero pra minha vida.

Eu sigo buscando amor, como sempre. Só que dessa vez recíproco.

E você, daqui dez, vinte anos, vai estar buscando o quê?

 

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Júnior Ghesla

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