Era como se uma injeção de adrenalina acertasse meu peito em cheio, cada vez que nossos olhos se encontravam. Confesso, cheguei a pensar que a qualquer momento meu coração sairia pulando pela boca, em sua direção. Minhas entranhas gritavam teu nome e meus poros transpiravam você por toda parte. Já dizia Marcelo Camelo, até quem me vê lendo jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei.

Por diversas vezes tentei caminhar para longe, fora do teu campo de visão, mas nunca era uma opção real. Ao tentar me afastar iria parecer uma aranha com patins tentando dançar. Acredite, seria tão ridícula quanto a comparação. Falar era mais do que uma missão impossível e nem o Tom Cruise, em sua melhor forma, conseguiria sair dessa.

— E você, moça, já sabe o que vai pedir?… Moça?

— É… Eu… É… Água.

— A senhora está passando bem? Precisa de ajuda?

Esse foi o garçom, tentando entender o motivo do meu suor desenfreado, da minha tremedeira escancarada e meus olhos fixados na porta de vidro da padaria. Tive vontade de gritar — Não moço, eu não estou bem e preciso de ajuda sim. Dá pra você ir ali, buscar aquele ser humano, dizer que eu não aguento mais, que vou explodir a qualquer momento se continuarmos nesse chove e não molha? —, mas me calei e apenas acenei que sim com a cabeça. Mentir para o garçom era tarefa fácil. Pra você, nunca.

Meu corpo respondia ao teu, mesmo que distante, de forma desconhecida. O que era aquilo? Que nome tinha? Quem inventou? Alguém poderia me explicar o que estava acontecendo comigo? Paixão? Atração? Química? Ilusão? As interrogações eram infinitas e, de alguma forma, a resposta estava no teu olhar disfarçado e no teu sorriso contido, a cada vez que eu fingia, sem sucesso, não corresponder.

Então, dali de longe, eu sentia medo.

Medo do que estava por vir, de ser vista daquele jeito, completamente fora do controle de mim mesma, medo de ser notada. Medo de ser correspondida, acima de todos. Por enquanto tudo acontecia na minha imaginação fértil, nos meus sonhos loucos e nos textos em que eu, subconscientemente, já falava de você, dos teus olhos doces, das tuas mãos firmes — ainda que delicadas — da tua voz gostosa e de tudo que já causavas em mim sem sequer me tocar.

O medo maior era tornar real. Medo do toque, da repetição dos olhares e que o tão esperado beijo, enfim, acontecesse. Como lidar com aquele turbilhão de sensações que me invadiam? — Como seria o depois? E se eu me perdesse de mim? E se mais uma vez eu me jogasse, me entregasse por inteira? E se eu me apaixonasse? E se fosse amor? O que eu faria? Melhor ficar longe, aqui é mais seguro. Aqui ninguém me alcança —. Pensava eu, na minha inocência, sem saber que você já era o meu “Eu nunca senti isso por alguém”.

Era tarde, já nos pertencíamos sem saber.

Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor
[Lô Borges e Márcio Borges]

 

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Giselle F.

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