Eu te amei como aquela garota do seu filme preferido amou o mocinho bonito de cabelo bagunçado. Eu te amei até mais. Te dei carinho, segurança, presença e colo. Deixei você assumir a liderança e nos guiar pelo caminho que fosse mais conveniente para você. Deixei você me destruir, acabar com o pouco da minha autoestima. Virei minha vida de ponta a cabeça só para adequar-se a sua. Você mudou tudo que eu costumava ser e tinha orgulho de dizer que era. Esqueci de mim, deixei minhas próprias batalhas de lado e vesti a armadura para lutar pelas suas.

As coisas foram se deteriorando aos poucos. Você me amava na segunda de manhã, na sexta à noite já nem se lembrava que eu estava te esperando. Sentia minha falta quando já não tinha mais ninguém por você e voltava correndo para os meus braços e eu os abria para te acolher, dando todo o amor que eu guardei só pra você. Eu jurei pra mim mesma que não iria me entregar fácil assim, que você não teria tanto poder sobre mim, mas falhei. Eu sempre falho. Você mesmo já me disse isso.

Eu perdi as contas de quantas vezes brigamos e terminamos. Olhando assim é uma situação normal. Que casal nunca brigou? Até porque não é uma coisa que se conta, vai marcando quadradinhos para ter uma porcentagem no final. Mas eu perdi as contas de quantas vezes brigamos todos os dias e no mesmo dia. E no meio de tanta briga, confusão regada de drama eu comecei a odiar. Odiar cada mínima coisa que você sente prazer.

Eu passei noites sem dormir tentando te entender. Eu rezava e implorava para isso tudo acabar logo e parar de doer, mas ninguém me ouvia e eu gritava baixinho com a cabeça no travesseiro, com as unhas cravadas no lençol para extravasar tanta dor. No outro dia era como se a noite não tivesse existido. Uma camada de corretivo e duas de base já resolviam o problema. Eu vestia minha roupa de enfrentar a vida e seguia. Seguia cambaleando, me apoiando pelas paredes, implorando pra você olhar pra cima um pouquinho e notar em mim.

Eu só queria que você tivesse notado em mim antes de ser tarde demais. Eu só queria que você fosse aquele cara por quem eu me apaixonei. Tá, eu sei que todo mundo muda, as situações mudam, a vida te cobra por mudança, mas mudanças são válidas se forem para o bem e se essa é sua concepção de estar bem, nós já não temos a mesma sintonia.

Eu te vejo indo embora agora e quer saber de uma coisa? Eu não sinto nada. Você já me virou as costas tantas vezes que dessa vez o estúpido do meu coração pensa que você vai voltar de novo. Eu nunca vou te entender, você nunca vai me dar razão. Você nunca vai mudar e nem se dispor a abrir mão. E dessa vez não será eu que prometerá um futuro diferente.

Eu vi nosso amor despedaçar. Eu vi seus olhos pararem de brilhar ao encontrar os meus, eu senti quando os seus carinhos eram apenas por obrigação em troca de mais. E eu tentei mudar isso. Tentei mesmo. Me inspirei em outros casais apaixonados que você admirava, tentei adaptar minha personalidade a àquela sua super amiga. Tentei ser descolada, despreocupada, desencanada e todos esses adjetivos começados com “des” só pra você me amar de novo. Eu comecei a lutar sozinha, a remar sozinha.

O nosso amor morreu. Morreu quando eu não senti nada ao ver você indo embora. Morreu quando você me enganou naquela noite. Morreu com suas mentiras. Morreu com sua traição. Morreu em todas as vezes que você disse da boca pra fora que me amava. Nós morremos junto com ele, meu amor. Morreu e eu assisti de camarote contra a minha vontade.

Olha pra mim. Diga alguma coisa pelo menos agora. Diga, mesmo que seja em vão. Diga, mesmo sabendo que eu não vou acreditar mais. Pelo menos lembra daquela vez que choramos de tanto rir, lembra também que já rimos de tanto chorar. Da vez que fomos à praia só pra ver o sol se pôr, eu deitei com a cabeça no seu ombro que sempre se encaixou como peça de quebra cabeças e você disse olhando nos meus olhos que casaríamos ali, naquela mesma praia, com o sol no mesmo lugar. De quando você me abraçou forte e disse que eu não sairia mais daquele aperto e me beijou por inteira. De todas as mentiras que você contou e eu tentei mesmo acreditar. Mas só lembra que a gente foi feliz um dia.

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Mari Guimarães

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