Hoje eu decidi dar uma volta sem rumo pela cidade. Já tinha feito absolutamente tudo pra saudade se tocar e me deixar aproveitar a solidão da sexta-feira a noite, mas ela tem a sua teimosia, bateu o pé e disse que iria comigo. Fez igualzinho você fazia quando empacava feito uma mula só pra me contrariar. Entrou no carro, afivelou o cinto e ainda teve a pachorra de soltar um “sextou”.
Das voltas que a vida dá, ela sempre me leva pra sua rua. A ironia maior? O nome dela. Rua da saudade, número 27. Não faço a mínima ideia de como eu cheguei até lá, cruzando a cidade e parando em frente o seu portão.
Aquelas luzes acessas me dão a certeza de que você está ali e que se recusa a falar comigo, mesmo reconhecendo o som do meu carro à uma quadra de distância.
Só me diz uma coisa, meu bem: o que vou fazer com tudo isso que guardo aqui dentro de mim? Todos os sentimentos e histórias que vivemos? Todo você que insiste em ficar…
Não é fácil apagar algo assim tão vivo, sabia? Na real, queria pegar uma borracha e remover tudo que um dia eu ousei sentir por você, mas eu não consigo. Tá escrito com caneta permanente no meu coração, que sempre vai ter um espaço seu. Só seu. Mesmo que pequenininho pra me fazer lembrar desse teu jeito delicado, mas ainda assim, só seu.
Eu rodei pelo bairro mais algumas vezes antes de parar aqui na frente da sua casa outra vez e te escrever essa mensagem.
 Encontrei o seu Jorge, aquele seu vizinho que a gente sempre encontrava na padaria enquanto tomava nosso café (sem café) de todos os domingos. Ele me disse que depois que eu fui embora as coisas mudaram um pouquinho por aqui. A calmaria da nossa casa – digo, sua casa, desculpe – deu lugar pra festinhas e sociais. Ele falou com a voz serena que a casa estava sempre cheia, mas o teu olhar seguia vazio…
Eu desci do carro, encostei no capô e tomei coragem pra começar a digitar essa mensagem pra você.
Percebi que todas as luzes da casa se apagaram, exceto a da varanda, aquela que você deixava acesa quando sabia que, não importa o quão tarde fosse, mas eu chegaria.
A mensagem foi enviada com sucesso, mas mandei a saudade ir na frente e entregar um recado meu. Se tu quiser me ver, faz igual aquele romance ‘Ana e Thiago’, que a gente leu no Instagram: pisca as luzes da varanda três vezes, na quarta eu já vou estar dentro do seu abraço. E dessa vez, pra nunca mais sair.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Andressa Leal, Diego Henrique

Tags

,