D’outro lado da janela, o céu avisa que já é um novo dia. Num quê ressaqueado me guardo através de lentes escuras e ensaio afogamento num copo d’água. Meio tonta ainda acelero o passo. Era compromisso marcado às 9h quando os ponteiros já beiravam as 10h.

Cato as roupas que vejo pela frente, enfio tudo na bolsa. Em busca de espaço, tiro de forma descuidada um caderno que usei em algum ano do ensino médio, guardanapos e fotos tinham seus lugares no chão. O tempo passando depressa. Tento ler um e outro para eliminar o que não mais faz sentido embora em um dia qualquer tivera feito – e muito! -, desviro uma das fotos e o soco na boca do estômago é certeiro. Pá! Culpo a ressaca. As misturas nada inéditas. Culpo a falta do cigarro. A idade. Perco até o rumo. Os ponteiros avançam alguns pauzinhos do relógio. “Você vai ficar aí!”.

Deu saudade. A paz quis se afastar por dois minutos. Não deixar foi a certeza de que já estava quase tudo bem. Num momento bregamente-carinhoso abraço a foto. Sinto o cheiro, ouço a gargalhada e a música dedicada. O estômago se aquieta enquanto passa um filme inteiro pela cabeça. No fim, apenas a certeza de que os guardanapos e fotos ainda vão ficar aqui. O tempo continua rodando. Das coisas que ficam, a principal é a segurança no desejo de voltar no tempo e me aprochegar no abraço-casa. Realmente, todo amor é sagrado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Thais Oliveira

Tags