05/10/2017

Disseram-me

Disseram-me para seguir em frente, não me mostrar disponível.
Disseram-me para viver, fazer minhas coisas, continuar.
Disseram-me para esquecer que um dia houvera amor.

Disseram-me que, nas coisas do coração,
Quem mais se entrega, menos valor tem.

Disseram-me que um amor real não partiria
Assumindo o risco de se perder nos dias.

Disseram-me para fechar as portas,
Pois se houvera vida entre nós,
Esta já estaria morta agora.

Disseram-me tanta coisa.
Dignidade, amor próprio, vergonha na cara.

Mas, de tudo,
O pior foi terem plantado em mim a semente da dúvida:
Houve, de fato, amor ou tudo não passou de ilusão?

 

Sonhei viver contigo um amor extraordinário, daqueles que tormenta nenhuma é capaz de sacudir. Acreditei se tratar de um sentimento capaz de transcender uma simples existência, através de uma conexão que viria de outras vidas. Julguei que finalmente poderia descansar em alguém que me acolheria, me aceitaria e entenderia meu jeito de ser, que direcionaria todo ato para a nossa felicidade, que sentiria em si mesmo, as dores que me cortavam a alma, que viveria como seus, os dramas que o destino me reservou.

Já não me dói não te ter, isso já nem passa mais pela minha cabeça. A dor vem dessa dúvida. Ela vem da desconfiança de que eu tenha sonhado sozinho

 

Sinceramente, acreditei.
Sonhei, vivi e me dediquei.

Cometi erros? Sim, por óbvio.
Sou humano, afinal.
Contudo, apostava no perdão,
Na confiança de que nós seríamos
À prova de qualquer mal.

Acreditei em muitas coisas.
Por isso duvidar de que foi real
Dói tanto.

 

É essa dúvida que me impede de abraçar o amor novamente. Eu penso: terei sido leviano ou inocente? Será que existem pessoas capazes de tirar todas as defesas do coração e de se entregar com toda vontade? Hoje já não sei mais no que acreditar. Preciso recomeçar e talvez precise entender que o amor é mesmo um jogo. Uma batalha entre duas pessoas, sendo aquele que se revela por inteiro, o maior derrotado.

 

Por isso, ao falar de nós,
Nunca diga que foi único
Que foi especial.
Proíbo-te.

Ao contrário,
Jogue-nos na vala comum,
Na cova dos amores ordinários.

Pois o extraordinário não se acaba assim,
Ele se rebela contra os destinos banais,
E escreve sua própria história de vitória
Mesmo contra todas
As probabilidades de derrota.

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Rafa Lima

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