Quando a gente passa muito tempo esperando por algo, todas as coisas se redimensionam. O sentimento dentro do peito vai consumindo nossa esperança, corroendo nossas pequenas alegrias, nos forjando de uma maneira completamente diferente. É um pequeno desvio no caminho que no fim da linha acaba em um lugar completamente diferente daquele que se havia planejado. Esperar por segundos causa ansiedade, esperar por minutos causa apreensão. Esperar por horas, tédio. Por dias, aflição. Agora esperar por anos é a tortura mais cruel que se pode imaginar. Querer muito e não saber quando as coisas vão se resolver tão cedo. Continuar querendo e ter a cada dia mais certeza de que continua longe das nossas mãos. Manter-se afim e chegar à angústia de saber que talvez nunca mais vá acontecer. Ter um desespero de estimação ao compreender que o certo é desapegar, contudo se ver impossibilitado disso.

Já perdi as contas de quanto tempo se passou desde que me falaram de sua existência. Não consigo lembrar muito bem como começou e nem como foi ficar tão confuso. O que eu lembro com precisão são dos momentos. Os bons e os ruins. Os felizes e os angustiantes. O começo e o final. Você: na minha carona e na contramão. Ontem à noite sonhei contigo de novo. Deve ser o milésimo sonho. Deve ser a centésima vez que acordo iludido com a possibilidade de que, por alguns segundos, você havia voltado. Justo quando eu tentava vida nova, você estava ali, como um vício, pronta para me oferecer mais. Eu não entenderia a sua volta, mas não tem problema algum. Eu jogaria tudo pro alto no exato mesmo instante e me agarraria com todas as forças na possibilidade de ter o teu corpo colado no meu. Só que nesta manhã, tudo mudou. Acordei e não te quis mais. Não foi você o meu primeiro pensamento do dia. O lago negro do seu olhar, de repente, parou de me envenenar. Me recusei a beber dessa água turva.

Eu nunca acreditei que esse dia pudesse chegar. A chance de ter você aqui era pequena demais, mas a chance de não te querer mais era meramente ilustrativa. Eu sempre alimentei essa esperança surreal e nunca deixei que outro alguém ocupasse seu lugar. Cultivava sua imagem como uma criança e colocava você no mais alto degrau na escala do amor. Nada era mais forte ou intenso do que o passado que vivi ao seu lado. Quando outra pessoa ameaçava se aproximar demais, sempre me parecia pouco. Aqueles sorrisos não eram o seu, aquele olhar não era tão profundo, as mãos não gesticulavam da mesma maneira. Eu comparava cada movimento e ninguém chegava perto do efeito que você causava em mim. Mas nessa manhã tudo mudou.

Não sei explicar o que foi que tirou você de mim, acho que foi a exaustão. A intensidade do que compartilhamos ficou fraco diante do nó que travava a minha garganta. Eu precisava respirar e essa ilusão louca não permitia. Chega. Os dias de amargura chegaram ao fim. Não sei o que será dos meus próximos dias, nem das próximas horas, mas com certeza não serão dedicadas a esperar pela sua volta. Agora eu aguardo por novas oportunidade, sem o peso do relógio e o olhar preso no retrovisor. Não volte mais, desisti de te esperar.

Paulinho Rahs

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Monica eu amo você!!! Muito obrigada por ter escrito isso!!!!!!!!!!

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Monika Jordão, Paulinho Rahs