É mais uma madrugada cheia e vazia de tu, guria. Cheia da tua ausência e das tuas lembranças, mas vazia da tua voz de sono e de você fazendo manha aqui do meu lado na cama.
Será que é possível deixar algo lindo simplesmente acabar e ir embora assim, sem uma marquinha na vida, sem um cheiro especial na camisa ou sem aquele arranhãozinho maroto no coração? Talvez tu digas que sim, que tens total responsabilidade pelo que amas e pelo que guardas na memória. Mas escuta só, guria: Ninguém é consciente de si, sabia? Ninguém consegue controlar o que se passa na mente e eu sou prova viva disso.
São tuas lembranças que chegam de surpresa e fazem morada no peito para sempre. Algumas coisas ficam, por mais que a sua base tenha ido embora, mesmo que, talvez, a parte mais importante não esteja mais aqui. Elas ficam. E eu sinto.
Acho que é a saudade, o desejo ou às vezes, involuntariamente, a vontade de voltar no tempo. Num tempo que tudo era tão nosso, tão simples…
É automático, guria. Quando tu ligas o rádio e toca aquela música que faz o coração pulsar fora de ritmo sem que tu percebas, vai ter um pedacinho de mim ali, porque tens um puta pedaço de ti aqui comigo a cada música que toca naquela playlist cheia de saudades.
Não sei se acontece contigo também, mas aqui rola sempre. Na rua, no elevador… Sempre tem alguém com aquele teu perfume que eu adoro e enche meu peito com um sentimento que ainda é todo teu. Me traz à memória os abraços apertados, o toque, o carinho e o calor.
É guria, tu lembras aquele número da sorte que era o nosso dia especial no mês? Já se passaram 27 semanas, qualquer dia desses serão 27 meses, e mesmo depois de anos do nosso fim, eu ainda vou usar o número 27 pra lembrar da gente. Agora talvez não com o mesmo significado, mas o uso para ter um pouquinho de familiaridade com alguma situação estranha. Eu que nunca fui muito bom em apostas, coloco todas as minhas fichas na mesa e digo que tu usas também.
É mais uma madrugada de tu, com teu perfume e com a saudade tentando preencher o lado vazio da cama que tu deixou.
Vou tentar de novo, pelos próximos 27 dias. Uma hora dessas eu consigo te fazer enxergar que essa saudade toda é um sinal da alma dizendo para onde quer voltar, ou que pelo menos, gostou de morar.
A porta tá trancada por segurança, mas a chave tá no mesmo lugar. Tu podes voltar a qualquer hora e retomar o teu lugar.
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Diego Henrique, Nathaly Bonato

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