02/10/2017

Outro avesso

Leia este texto ouvindo a sua trilha sonora, “Outro Avesso”, de Fernando Fyaman.

 

Meu bem, vem cá bem pertinho, que eu preciso te contar com todas as letras, o que está acontecendo aqui, porque eu não aguento mais essa falta que você me faz, eu não aguento mais esse coração apertado, reclamando da saudade de um dia e meio, quase dois! Volta aqui, você deixou o cheiro do teu perfume em alguns fios do meu cabelo, mas era para deixar em todos, isto não está certo.

Presta bastante atenção no segredo que eu vou te contar, feito melodia nova que a gente ouve, primeiro, bem baixinho… Eu me lembro das tuas piadas sem graça e passo o dia rindo pra toda sorte de ser vivo que cruzar o meu caminho, em qualquer lugar. Você não tem mais nenhuma para me contar? Eu aceito todo o teu repertório, se ele vier com as tuas pequenas gafes cometidas enquanto tenta me agradar, coisa que te deixa bem sem graça de uma forma encantadora… E… ô, meu bem, eu começo a achar que essa coisa toda não passa de amor puro e simples, enquanto você não me dá espaço para fuga e me mostra, uma vez mais, o quanto me quer onde você estiver. Me quer no teu sofá, me quer na cadeira ao lado da tua, no banco ao lado do teu, no passo compassado com o teu e eu te quero bem ao meu lado no teu sofá, na cadeira ao lado da minha, no banco e no passo compassado com o meu, não importa onde. Eu te quero comigo. Vem cá, meu bem, que eu tô passando um café. A mesa já está pronta. E a minha vida também.

Volta logo, porque o teu cheiro está na minha roupa e na minha pele, mas você não está aqui, o seu abraço, está apenas na memória e este é o tipo de tortura lenta e dolorida. E mais sério do que isto, eu me olhei por dentro, resolvi me virar do avesso, e encontrei você pintado em todas as paredes, em todas as janelas e até nos batentes de cada porta o teu nome está escrito com tinta neon. Eu me virei do avesso e acabei por ouvir a tua risada presa em algum lugar do meu âmago, junto com as tuas gírias, junto com as tuas expressões favoritas e a tua forma de olhar. Você está em todo lugar. E então, me virei do outro avesso, e te encontrei de novo. Descobri que você está nos meus lábios, nos meus olhos, nos meus braços e até em minhas mãos. Você está em tudo.  Inclusive nos meus pensamentos, que agora afetam a boca do meu estômago com tantas borboletas batendo insistentemente as suas asas.  Você está em tudo, inclusive na minha coragem em me abrir de novo para um alguém singular que tem tornado a minha vida plural. Você está em tudo, inclusive na paz do meu sorriso, por sorrir para alguém que também sorri para mim, e mais do que isto, sorri junto.

Ô, meu bem, eu começo a achar que essa coisa toda não passa de amor puro e simples, enquanto cada hora longe de você se torna mais pesada, se torna eternidade que não passa e aperto agudo no meio do peito. É isso que você faz, torna leve o que era pesado e, pesados, os outrora leves, dias passados sem você. Não sei se já te contei, mas me olhei por dentro e me espantei. Então resolvi me virar do avesso para ver melhor, e encontrei você em todos os cantos e paredes, até nos vasos de flores. E enquanto eu verso e entrelinho, meu celular vibra com mais uma notificação… Eu olho e graças aos céus, é você, me dizendo o que eu gritar, me fazendo querer correr pra te encontrar agora, assim, sem mais, no meio do dia. “Tô sentindo tanto a sua falta que você nem sabe”.

E agora, sorte da minha vida, que eu te contei bem certinho o que é que está acontecendo aqui, vem cá, que eu tô passando um café e tem um bolo no forno. A mesa já está pronta. E a minha vida, também.

 

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Débora Cervelatti

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