Confesso que foi num acesso de raiva que resolvi jogar todas as tuas coisas fora. Eu estava entre o quadragésimo sétimo e quadragésimo oitavo gole de cerveja, sentia o sal começar a queimar nos olhos e, sei lá, o impulso resolveu me dominar e comecei a acumular tudo num canto qualquer da casa. Eu queria tocar fogo, ver tudo que era teu virar cinzas e ver se, pelo menos na despedida, eu voltasse a sentir aquele calor todo.
Mas ‘fogo’ me traz memórias e eu queria fugir delas também…
Afinal, o nosso amor nos manteve aquecidos por muito tempo, mas, naquele momento, eu não queria me lembrar do calor que sentia quando os nossos corpos se encontravam, não queria mais saber das noites em que, de tão próximos, transbordávamos desejo em meio ao suor que nos dividia, não queria esquentar as memórias de um amor que morreu de frio – coberto somente pela ausência que você insistiu em me oferecer.
Por agora, apagarei a imagem dessa pessoa interesseira e egoísta que você se tornou e ficarei apenas com as memórias das horas mais lindas que passei ao teu lado.
E só pra você saber, se a nossa história tivesse virado cinzas, ainda assim eu ficaria apenas com as lembranças que não se desfazem com o passar dos (d)anos.
Obrigada por ter mostrado um outro lado  meu e do mundo. Obrigada por ter me encontrado — e me devolvido de volta.
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Mafê Probst, Neto Alves

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