Bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca? Sabe aquela que vai chegando do nada, sem avisar, mas quando você se dá conta ela já tomou a casa inteira? Então. Foi mais ou menos assim e vou te contar como rolou.
Hoje resolvi revirar aquelas nossas fotos antigas que ficaram  guardadas no fundo da minha gaveta. Deu saudade, sabe? Saudade de um tempo em que olhávamos para a lente com a certeza de que a nossa história ia durar para sempre. E olhando as nossos fotos agora, uma a uma, eu percebo que estávamos certos: seremos eternos, mesmo que em forma de lembranças.

Aliás, por falar em lembranças, não seremos eternos apenas pelo que passou, mas também pelo muito que ficou depois que cada um seguiu o seu destino. Ainda há muito de mim em você, muito de você aqui comigo, e muito de nós entre essa saudade que nos separa.

Se-pa-ra-ção. Nos filmes é tudo muito mais fácil, né? Vai cada um prum lado e segue o jogo. Eu confesso que tentei ser assim, mas não tá rolando, morena. Não tá, porque eu não sei fingir que não sinto. Não sei lidar com a falta de contato, de notícias. Sem a falta do teu bom dia. E nem vou entrar no mérito do sexo, porque aí seria covardia. Puta que pariu, que falta faz você do meu lado na cama. Em baixo de mim também. Por cima inclusive. Que falta que faz você, morena.
Voltei a olhar as nossas fotos e percebi que, em uma delas, você vestia a mesma camisa que eu ainda uso. Foi então que eu comecei a pensar em todas as coisas que não tinham dono quando éramos um só.
Tinha o nosso banheiro, que você me provocava e dizia que era só teu – e praticamente era – com todos aqueles cremes e shampoos e afins. Eu tinha um cantinho pro meu barbeador,  pra minha escova de dentes e olhe lá. Agora eu tenho uma bancada inteira e vazia só pra mim, pra combinar com o vazio que você deixou.
A história se repetia com o guarda-roupas. E aqui eu falo do móvel e das peças dentro dele. Três partições pra você e uma pra mim. Parece até aquele episódio do pica-pau, que o lobo divide a comida com ele sabe? “Dois pra você e um, dois pra mim”. Minhas camisas? Tu adorava fazer de vestido e ficava sexy pra caralho com elas. Vou te contar um segredo: eu já comprava elas pensando em como você iria usar…
Guardei as fotos no envelope, coloquei em baixo de algumas camisetas, no fundo da terceira gaveta e torci por um sinal teu enquanto una lágrima teimosa escorria.
É que bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca?
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Diego Henrique, Neto Alves

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