Mas calma, eu te peço. Guarda esse sentir bonito aí num cantinho secreto, que te guardarei num espaço todo teu – como se fosse possível separar um só espaço teu em mim. Lá tem cheiro de preguiça e sabor de quero mais. Lá faz sempre um friozin gostoso e, no som, o amor é sempre tão maior que qualquer temporal. Vê? É todo teu. É todo nosso. E lá a gente não tem hora certa, não tem “se”ou “mas”. A gente pode ter, ser e fazer o que quiser.

 

Não, não é uma despedida daquelas que a gente detesta. E chora. E se abraça. E chora mais um tanto. É só um “até logo”. Um “até algum dia”. Porque, depois de você, se tem uma coisa que não falta aqui é esperança. Preciso disso, sabe? Precisamos, talvez. O fato é que não dá pra crer que a gente seja só esse hoje mal escrito e mal dito em linhas sempre tão tortas, apesar de claras. Não dá pra viver o que a gente viveu e acreditar que dá pra colocar um ponto final, entende? Talvez sejamos as reticências que evito tanto…

 

Talvez sejamos a “Outra Vida” do Armandinho e seja só uma questão de tempo, de não ser a nossa vez. Talvez sejamos como os“Amores Possíveis”, do Moska e o tempo assine contrato com a gente, sabe? Que nada mude de agora até o dia em que formos nós, de fato. Vê? Tô te enchendo de “talvez” só pra ver se disfarço a certeza de que somos sensacionais juntos. Só pra ver se convenço – não sei ainda se a você ou a mim mesma – de que pra gente ser e permanecer, talvez seja necessário pausar agora pra dar play lá na frente.

 

A verdade, mesmo, é que eu não sei bem o que poderíamos ou podemos ser e isso me assusta. Assusta a dúvida, a incerteza, o talvez, o se e os dias vividos cada um de uma vez. Assusta saber o tanto de bagunça e tumulto que tu fazes do lado de cá e não saber se existe um furacão causado por mim também, ou se é só brisa leve de verão – daquelas que a gente curte e depois nem vê quando passou. Eu não quero passar. Eu não quero ser só uma estação e te ver sorrindo quando outono chegar. E se eu não posso ser inteira também, prefiro parar antes que o inverno chegue. Antes que eu precise aumentar o estoque de cobertores pra ver ser acostumo com a tua ausência.

Então, na dúvida, melhor pararmos agora. Melhor a gente se guardar, no quentinho, no cantinho. Melhor a gente ficar sem “se”, sem”mas”. Melhor a gente se guardar numa estação bonita. Não, não é uma despedida daquelas que a gente detesta. E chora. E se abraça. E chora mais um tanto. É só um “até logo”. Um “até algum dia”. Porque depois de você, se tem uma coisa que não falta aqui é amor.

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