Sabe qual é o meu medo como profissional? É simples. É correr tanto atrás das conquistas, que no final das contas vou perceber que abracei mais do que eu sou capaz abraçar. Se quer um exemplo mais “palpável”, aí vai ele.
Imagine que as suas principais funções e as que você melhor executa no trabalho são a sua “namoradinha” da escola. Mas você é um garotão de 17 anos, cheio de amor pra dar e é o que mais chama a atenção pelo físico e intelecto na sua sala, tanto que tem a admiração da maioria das suas colegas. Então, começa a combinar um dia para ver cada uma delas.
Na terça, a Patrícia. Na quarta, a Paula. Na quinta, a Gio. Na sexta, a Jô. No sábado, a Jú. No domingo, a Jú de novo, porque ela era a namoradinha. Na segunda, tinha folga, até que apareceu a Lê.
Então, na quinta-feira, depois da aula a Jú apareceu pedindo companhia na volta pra casa. A Gio, que era a menina da quinta, surgiu vindo de longe. A Paula, que não devia nem estar na escola, apareceu de surpresa.
E aí, o que o garotão de 17 anos fez? Foi pra casa sozinho. Ele achou que era capaz de abraçar o mundo e esqueceu de abraçar quem queria ser o mundo pra ele.
A história até continuou por umas cinco semanas, ou cinco meses, ou cinco anos. Não lembro. O problema é que lá no final, e só no final, ele percebeu que não fez o melhor pra ninguém. Ele fez por fazer. Cumpriu a rotina. Terminava a tarefa simples de ser a presença de alguma delas em cada um dos dias.
Pra ele, o desafio foi conciliar as seis meninas nos sete dias. Não foi surpreender alguma delas. E, por isso, ele virou página virada na vida de cada uma delas. Foi só mais uma distração, mais uma companhia, mais um alguém que deu menos que poderia dar e desperdiçou a oportunidade de ser a nota 10 na vida de alguém, para tentar ser a média na vida de cada uma.
E o garotão que abraçou mais do que podia, é o homem ou a mulher que quase dorme à luz do dia. É quem faz de tudo o tempo inteiro, mas não tá inteiro em nada. É quem diz “sim” pra tudo, mas em tudo faz quase nada. É quem lê todos os livros e não tira sequer o melhor conteúdo deles. É quem responde uma pergunta apenas digitando, não pensando na resposta.
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Deivid Rafael

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