Posso te confessar uma coisa? Tá difícil seguir o baile, garoto. Não sei se é por conta da minha total falta de ritmo, ou porque dançar contigo era muito mais fácil. A segurança das suas mãos nas minhas costas, a forma como você me conduzia e tudo fluía de forma natural… Concluo que não só dançar, mas tudo contigo era mais fácil. Muito mais fácil.
Perdi a conta de quantas vezes abri a conversa para te mandar um oi. Se você perguntar, vou dizer que é mentira, mas vou morder os lábios e me denunciar inteira. Perdi a conta de quantas vezes busquei tua foto numa esperança inútil de alguma notificação. Eu já decorei o tom da tua fotografia e meus olhos não demoram para te encontrar, mas se demoram em ti tão logo te acham.
Você é daquelas fotografias em preto e branco que tem uma puta beleza, saca? Acho que é por isso que seu feed é cheio delas. Preto. Branco. Preto. Branco. Metódico. Envolvente. O mistério das sombras, a luz do teu sorriso. Tu me cativa de um jeito que é só teu, garoto. E aqui estou eu – de novo – tateando a tela do celular, na esperança de sentir o seu toque. Touch. A saudade é um soco no estômago da gente.
Eu fechei tudo. Sigo meio desanimada, meio sorrindo, meio sendo puxada pela vida. A rotina vai consumindo e te esquecendo, as horas passam e logo estou eu de novo com um olho na vida e outro te procurando. Sem sinal. Engulo as vontades, porque não posso ter vontades. É um luxo que não me pertence.
Luxo. Trocaria o pouco luxo que eu tenho por uma vidinha simples do teu lado, porque sei que seria incrível, como sempre foi. Uma vidinha simples mas cheia de amor. Podia ser a beira-mar ou apertados numa kit-net no centro de qualquer cidade grande.
Mas como eu disse, esse é um luxo que – infelizmente – não me pertence. Então eu vou seguir engolindo as vontades. E a saudade de você? Fica como sobremesa. Tipo aquele pedaço de bolo que a gente guarda na geladeira e cruza os dedos, torcendo pra ninguém mexer.
É, garoto… Foi bom enquanto durou. Tenho quase certeza que amanhã, quando eu acordar, a saudade vai estar no mesmo lugarzinho. Acontece, né?
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Diego Henrique, Mafê Probst

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