Não, você não leu o título errado. A frase que dá nome para este texto está, sim, no plural. Talvez se você achou estranho a expressão “amor da minha vida” não estar no singular é porque provavelmente viveu a vida toda com o mesmo conceito com o qual eu cresci.

Filho de um casal que se apaixonou ainda na adolescência, fui criado ouvindo histórias e presenciando um amor muito bonito e honesto. Como os filhos têm tendência de repetir o comportamento visto em casa, cheguei na transição para a vida adulta, ali quando a gente vai deixando de ser criança e se interessando mais por pessoas do que brinquedos, procurando o meu grande amor. A pessoa com a qual eu viveria tudo, minha primeira paixão. Aquele alguém que eu teria a honra de dizer que seria o único a conhecer por completo.

Obviamente não demorou muito para eu pagar o preço pela minha ingenuidade. Me apaixonei pela primeira vez, pela segunda e conforme as coisas foram dando errado fui aprendendo na marra que existe muito mais entre dois seres, suas vontades e objetivos, que os costumes antigos poderiam prever.

Descobri então que é bonito, sim, entregar-se à alguém que faça o mesmo. Deixar um pouquinho de si com outra pessoa, receber um pedaço dela e assim ir mudando a si mesmo. Seguir em frente após os cortes que virão e entender que ninguém é dono de ninguém. Ainda hoje sei que tenho um longo caminho para ser percorrido em matéria de desapego, de como se portar em um relacionamento e descobrir onde o ciúmes cruza a fronteira com a possessão. Hoje penso de maneiras que eu não seria sequer capaz de imaginar que pensaria. Foram os corações que feri e que foram deixando cicatrizes no meu que serviram de chave para expandir minha mente e abrir meus olhos para um mundo muito maior que minhas declarações de “te amo pra sempre”.

Mentira se eu disser que não me arrependo de nenhuma vez que me apaixonei. Existem centenas de coisas que eu adoraria poder voltar no tempo para mudar. Porém existe um relevante fato: respeito todas as decisões que tomei no passado. Eu, um ser extremamente apaixonado, sempre chutei o balde da razão e fui muito coração. Disso eu me orgulho, pois nem todo mundo tem essa intensidade na vida. Se eles soubessem que ela é tão curta pra arrependimentos… Caí tantas vezes de cabeça e descobri que ela não quebra. Não se você for cabeça dura como eu fui – entenda, em um bom sentido -, de ser aconselhado sobre os riscos e mesmo assim arriscar tudo.

Cabeça dura daquele tipo que paga pra ver. Eu paguei e amei. Amei inúmeras vezes. Amei de cansar de amar, de explodir o coração em afeto. Amei de estraçalhar-me em um mar de lágrimas achando que jamais seria capaz de sentir algo por alguém novamente. Eu passei por as fases mais coloridas e também pelas mais sombrias. Fui amado e fui enganado. Fui feliz e chorei demais também. Senti a agonia da falta, senti a garganta entalada. Peguei táxi no meio da tarde só pra ver meu amor trabalhando. Liguei no meio da madrugada pra ouvir meu amor me xingando. Abençoei e no final amaldiçoei cada ser que passou pela minha vida. Procurei em carteiras de cigarro e em garrafas bebida respostas pra tantas questões confusas. Deixei meu amor chorando e fui deixado aos prantos também. Tive amor que chamei de eterno e amor que nunca me pertenceu. Tive amor que foi intenso ao ponto de deixar cicatriz que jamais vai sair e amor que simplesmente me viu virar as costas e ir embora.

Ah, foi tanta coisa! Foram tantos amores! E o que aprendi com os amores da minha vida é que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez.

paulinho rahs

 

Paulinho Rahs

 

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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