Bem que minha mãe dizia que o cupido era cego, mas eu sempre fui de contradize-la, enchia a boca e soltava:
 – Rum isso aí não é pra mim.
 Ela dava um sorrisinho sarcástico, que até me tirava do sério por alguns segundos, depois desviava o olhar e mudava de assunto, como quem queria deixar algo no ar.
 Sempre fui a “diferentona” da escola, não socializava muito com as pessoas e preferia ficar ali no meu mundinho, isolada e segura.
 
 Era um dia como outro qualquer, lembro-me que o ensino fundamental estava de passeio e finalmente era possível andar pelo pátio da escola sem correr o risco de ser derrubada pelos pivetes ou então de perder a paciência e acabar estrangulando algum deles. Os casaizinhos preferiam as escadas, outros iam para os banheiros, as meninas sentadas com suas revistas falavam de futilidades, os garotos por sua vez se apossavam das mesas e ali ficavam batendo cards. E eu, bem, eu não me sentia parte de nada disso ali, ficava mais confortável com meus fones e quem sabe algum livro que me despertasse interesse, o que não era algo muito difícil diante daquele bando de manés metidos a populares.
 – PFF, quem precisa disso?
 Na quele dia, algo me tirou a concentração, olhei de relance e vi um grupo que não pertencia ali, pareciam ser novos alunos.
 Observei-ps por alguns instantes. Um dos meninos era magrelo, tinha aparelho, cabelinho de “Justin”(na minha época era charme ok) e covinhas que eram um tanto quanto fofas. Hum? Algo me chamou atenção naquele garoto. Me pego pensativa por alguns segundos e me esqueço de todo o resto a minha volta, de repente desperto para a realidade e me deparo com o olhar fixo dele me encarando. Fiquei sem reação pela primeira vez na vida. Acho que devo ter feito cara de assustada ou ter ficado vermelha, ele abriu um sorriso metálico (de borrachinhas verdes, ou azuis)… e o que vou dizer pra vocês.
– Não é que minha mãe estava certa, o cupido me flechou, caramba, cupido idiota a culpa é toda sua. 
 Alguns dias se passaram e meu passa tempo ainda era os livros, mas confesso que de 15 minutos que duravam nossos intervalos, 8 deles eu passava o observando discretamente. Ele era do tipo popular mas nem se comparava aos outros, tinha um brilho diferente no olhar e sempre jogava um certo charminho, balançava os cabelos de Justin e dava aquele sorrisinho maroto. Tava ali o motivo do meu conflito. Eu continuava sem reação, no máximo arregalava os olhos, juro que tentava mas não sei explicar o que acontecia, eu perdia o controle de toda a situação e no momento em que ele me olhava, um calafrio eu sentia, ali eu finalmente comecei a entender o que a minha mãe queria me dizer com a frase “o cupido é cego”. E ele não é só cego, é surdo e mudo também, porque ele não avisa, não te prepara e quando acontece você mal sabe o que fazer. Eita cupido estúpido como eu fui deixar isso acontecer.
Continua…
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